Daniel Dalcin é um daqueles caras que não tem medo de nada e se joga de cabeça, quando ele acredita no projeto, claro! Ele vai lá luta e se preciso sua a camisa. Está sendo assim para encarnar seu atual personagem Asquenaz na novela “Gênesis”, na Record, onde ele teve que aprender arco e flecha. Além de encarar um treino forçado com cordas para segar e entrar na boa forma do personagem. Foi vendo Daniel no seu treino de pular corda que surgiu a ideia dessa capa que traz nossa semana especial de fitness. Um queridão que é, Daniel acordou cedo e juntamente com a equipe se jogou nas cordas sem parar. Para cada modalidade um vídeo e várias fotos. Foram 5 horas pulando corda feito louco. O resultado ficou incrível e você confere logo abaixo. E se prepare que vem muito mais, Daniel não para!

Rapaz, como é isso de entrar em forma pulando corda? Como e quando surgiu isso? Meu trabalho com a corda começou no espetáculo teatral “O Anjo do Apocalipse”, de Clovis Levi. Eu dividia o palco com Juliane Araújo e nós dois éramos soldados de exércitos opostos. Por isso precisávamos de um treinamento físico completo. Muita disciplina. E domínio de artes marciais. Precisávamos de coordenação motora em toda a nossa movimentação. Como dizia Muhammad Ali, “Leves como borboletas e fortes como besouros.” 

Que mudanças e benefícios trouxe para seu corpo e saúde? O trabalho de corda mudou a minha vida. Com isso cuido da minha saúde e da minha mente. Existe uma meditação por trás da movimentação. O barulho da corda te leva pra outro lugar. E os benefícios pra coordenação motora são gigantes. Digo que são exercícios inteligentes. Todo o seu corpo é trabalhado sem tanta tensão. Confiem! É revelador. Marlon Brando usava a corda como preparação física e lutava boxe com os câmeras no filme Um bonde chamado desejo. 

Quais as dificuldades no início? Que dicas daria a quem vai começar essa modalidade? No início da prática é comum se sentir desestimulado por conta dos erros. A dica mais importante é aprender a lidar com o erro. Errar é recomeçar. Ter paciência consigo mesmo e com o seu próprio corpo. No tempo certo a evolução é revelada. Usar um espelho é fundamental pra corrigir os movimentos. Filmar o treino é construtivo. O vídeo mostra os erros. 

Como é sua rotina de treinos? Qual a sequência? A minha rotina é a mesma de um ano e meio atrás. De segunda a segunda. Uma hora por dia de corda com todos os movimentos. Exatamente como um boxeador. O trabalho é tão completo que não sinto mais a necessidade de ir até a academia. 

E a alimentação, tem feito alguma dieta especial? Alimentação é a base de tudo. E toda alimentação precisa de disciplina. Me mantenho com comidas leves porque não gosto de me sentir pesado. Sou apaixonado por peixes. Minha fonte de proteína. Sempre pesquei em Cabo Frio na região dos lagos. Gosto de limpar e temperar da minha forma. 

Você é um cara muito vaidoso? Olha isso aflora mais? Já fui mais. Com o tempo a gente vai perdendo a beleza do jovem e amadurecendo a beleza do homem. 

Com essa quarentena foi difícil segurar a boca e manter a disciplina? Foi mais difícil por conta do isolamento social. Difícil manter a disciplina sem poder treinar num lugar específico. Até mesmo ao ar livre. Admito ter ganho uns 5 kg na pandemia, mas tive que correr pra fazer a capa. Ou melhor, pular e pular. (risos) 

Fora os treinos com a corda, com o que mais tem ocupado seu tempo? No momento estamos ensaiando o Texto Ciúme. Texto inédito do Walcyr Carrasco que trata do feminicídio e relações abusivas. A Direção é de Saulo Rodrigues. Conto com Kayke Brito, Aisha Jambo e Rodrigo Candelot como parceiros de cena. Estamos aguardando a reabertura dos teatros. Se Deus quiser vem coisa boa aí! 

Recentemente você virou pai, como tem sido esse novo desafio? Se sentia preparado já? Ser pai é a sensação mais reveladora e especial que eu já senti na minha vida. Eu já estava preparado junto com a minha mulher. De um modo geral acho que todas as pessoas lidam com suas próprias questões. Quando um filho nasce tudo isso desaparece. Não existe mais o seu próprio umbigo. O seu umbigo, ou seja, o seu centro se torna o seu filho que depende totalmente de você. Você abre mão de tudo pelo sorriso dele. Fica a minha dica para os pais. Nunca abandonem seus filhos. Plantem sementes bonitas em seus corações que teremos grandes árvores. 

Falando em desafio, que desafios esse isolamento social te trouxe? Meu maior desafio de tornou cuidar integralmente do meu filho e ajudar a minha mulher. Com a pandemia ela está trabalhado de home office e eu espero retornar as gravações de Gênesis da Record. Por um lado a pandemia foi boa pra nós. Estamos presenciando todo o crescimento do neném. Muito presentes.

E no campo do trabalho, em breve você retorna com as gravações de “Gênesis”. Como anda a expectativa e como anda Asquenaz? Estou com uma expectativa muito grande pra voltar a gravar. Posso dizer que se trata de um produto impecável. A direção de Edgar Miranda e toda a sua equipe está fenomenal. Figurino, maquiagem, locações. Tudo de muito bom gosto. Vem um grande sucesso aí. Sinto saudade de trabalhar com o meu núcleo que foi escolhido a dedo. Farei o personagem Asquenaz que é filho de Gomer (Giuseppe Oristanio) e irmão de Togarma (Caio Menck). Juntos faremos parte da construção da torre de Babel. O meu personagem é primo de Ninrode (Pablo Morais) o grande idealizador da torre. 

A sua fase em “Gênesis” é a “Torre de Babel”. Já conhecia essa passagem da Bíblia? Fez algum laboratório específico? Eu j conhecia a passagem da Bíblia, mas o trabalho dos historiadores da Record foi incrível e revelador. Tivemos acesso a fotos, vídeos, matérias de construção, engenharia, ferramentas e armas. Todo um laboratório de mais de 3 meses de estudo. Bato palma pra nossa preparadora de elenco Suzana Abranches. 

Soubemos que por conta do personagem você teve que aprender arco e flecha. Como foi isso? Já está acertando na mosca? (risos) O arco e flecha fez parte do laboratório da novela. Treinamos bastante, mas quem me ensinou perfeitamente a pegada da flecha foi o diretor Léo Miranda que pratica a modalidade. Me ensinou a pegada Apache igual a dos índios. Fiquei surpreso com a disponibilidade do diretor de entrar em cena e ensinar. Grande Léo! 

O que te inspira de modo geral? Desafios e desafios. Sair do lugar de conforto. Aprender novas habilidades. Nunca parar de estudar e buscar o que me faz feliz. Se possível ajudar o próximo. 

Quando puder viajar, qual o destino dos sonhos? Gostaria de conhecer a Itália com minha mulher e filho. 

Fotos Anderson Marques (@andmarques)

Vídeo Wandeco (@wanscheeffer)