Filho de peixes, peixinho é! Isso cabe super bem para Diego Montez, 26 anos, filho do apresentador Wagner Montes e da atriz Sônia Lima. Inspiração e referência não faltaram em casa. O resultado muita gente já viu nos palcos, mas o grande público pode conferir em sua estreia global onde interpretou William na novela “Bom Sucesso”, que acabou semana passada. O sucesso de Diogo na novela foi tanto que seu personagem, que sairia de cena no meio da trama terminou ficando até o final. Agora quem pensa que ele vai tirar férias se engana, Diogo para esse ano segue com três projetos para o teatro e ainda uma surpresa para o segundo semestre. O cara promete! Veio para ficar!

Diego, a novela “Bom Sucesso” terminou cheia de elogios e ótimas revelações como foi seu caso. A que se deve tudo isso? Eu acho que essa equipe é uma que aposta no novo. Boa parte do elenco era ou estreante ou primeira novela na casa (o meu caso). Eles gostam de caras novas! E uma vez o elenco escalado, com um texto brilhante que transita lindamente entre o lúdico e o popular e uma equipe cuidadosa e apaixonada, tivemos a benção da alquimia de todos esses fatores funcionarem. Eu sinto que qualquer brasileiro que assistisse a novela se sentiria representado. A palavra que define “Bom Sucesso”, pra mim, é diversidade.

Antes da estreia na Globo você já tinha passado por produções no SBT e Record. Como foi participar de uma novela desse porte? Eu tive muita sorte de cair de cara nessa equipe com esse elenco. E fui muito bem amparado! Não apenas por uma equipe meticulosa mas por colegas de elenco que sempre admirei e tive a oportunidade de aprender muito trabalhando diariamente. Sheron é uma das pessoas mais generosas que já conheci na vida. Ela me pegou na mão no meu primeiro dia, olhou no meu olho e disse: “a gente vai contar essa história juntos”. Isso foi no nosso primeiro dia de estúdio no nosso cenário (dividimos apartamento na novela) então foi muito significativo para construção da nossa amizade dentro e fora de cena. E depois caí no núcleo de Ingrid Guimarães e Rafael Infante, que era uma aula e ao mesmo tempo um dia de férias todos os dias. Acredito que foi um misto de energias boas que fez dessa minha primeira experiência na Globo, a melhor possível.

Você foi apontado como um dos grandes destaque da safra de novos atores da novela. Como você enxerga isso? Saiu como previsto? O previsto para mim, para o William a meu personagem, era morrer. Logo na primeira reunião, o diretor me disse: “bem-vindo, seu teste foi excelente E você morre no capítulo 40”. Então eu ter ficado até o fim e meu personagem ter crescido do jeito que cresceu, foi uma felicidade acima de qualquer expectativa. E tive a oportunidade de mostrar muita coisa. Como sempre cantei, vim do teatro musical, foi muito importante pra mim poder cantar mais de uma vez na novela, como na cena tocante onde canto Geni e o Zepelin para Gisele (Sheron Menezzes). Acho que devo muito aos autores mas muito ao público também, que trocou muito durante todo o período da novela no ar, pelas redes e nas ruas.

Como começou a atuar? Sempre soube que queria ser ator? Como despertou para isso? Na verdade eu sempre quis escrever. Romances, novelas…Era minha vontade no começo. Quando escolhi fazer Rádio e Televisão para me formar roteirista, minha mãe achou melhor eu escolher uma “segunda profissão” então me colocou no profissionalizante de teatro. Então continuei estudando, me formei. Mas só fui decidir seguir a carreira mesmo quando entrei em contato com teatro musical. Fiquei apaixonado por atuar, cantar e dançar tudo junto. Foi quando comecei a trabalhar com foco nisso e daí, outras oportunidades foram aparecendo.

E como foi já estrear como casal gay no horário das 19h? Qual foi a repercussão? A melhor possível. Costumo falar que a repercussão desse casal foi a falta de repercussão. Quando demos um beijo – o primeiro desse horário – o que se comentava era a naturalidade com como foi tratado. Um carinho, uma demonstração de afeto genuína e tão natural quanto qualquer outra. Nunca fui ofendido e nem recebi comentários nocivos durante toda a exibição da novela. Muito pelo contrário, fui inundado por uma onda de amor e comentários sobre a personalidade alegre do Will, mas nunca sobre sua sexualidade.

Filho do apresentador Wagner Montes e da atriz Sonia Lima, essa “intimidade” com a TV foi um percurso natural? Eles influenciaram em algo? Com certeza! Sempre estive presente nos bastidores das novelas da minha mãe. Cresci rodeado por artistas incríveis como Elke, Pedro de Lara, Silvio…Não tinha como sai ileso! (Risos) Além disso, minha mãe sempre me levou muito ao teatro e incentivava muito a leitura na minha vida.

Mas antes da TV você passou pelo teatro e alguns musicais de sucesso como “Cazuza, Pro dia Nascer Feliz”, “Wicked” e “RENT”. Musicais fazem mais a sua cabeça? Eu acho que pelo fato de ter sido o gatilho para eu colocar minha carreira de ator em primeiro plano, o musical sempre vai ser meu porto seguro, o lugar onde me sinto em casa. Tive tantas oportunidades lindas e vivências que me acrescentaram não só artisticamente que o gênero ganhou um espaço intocável no meu coração.

O que te inspira mais na hora de atuar? Pessoas. Sou muito observador. Gosto de pegar trejeitos, olhares, modo de fala de pessoas próximas ou conhecidos e levar para meus personagens. Uma ida no metrô por exemplo já é um adendo maravilhoso pro meu repertório. Pessoas me inspiram.

E quando não está trabalhando, o que curte? Eu amo ler e sair. Parece paradoxal mas prometo que dá! (Risos) Sempre que tenho tempo, paro pra ler algo, levo sempre um livro na mochila. Mas amo também sair pra dançar, encontrar amigos em algum bar. Sou bem cosmopolita nesse lugar.

É um cara muito vaidoso? Como lida com o espelho? Me considero um cara vaidoso sim. Acho que mais que isso, asseado demais. Eu chego a tomar 3 banhos por dia, tenho uma pira com higiene. Mas também sempre me vesti como me sinto bem por exemplo. Nunca segui muito moda, costumo falar que invento a minha. Tenho uma coleção de meias coloridas e camisetas com memes que faria muita gente chorar de tão cafona.

Pra você que já fez o musical “A Era do Rock”, o que faz sua cabeça na hora de ouvir algo? Eu sou tão eclético. Tão. Meu Spotify vai de RBD a Marília Mendonça, de Bebel Gilberto a Hillsong United. Depende muito do meu mood do dia.

Como anda o “Topa Tudo Por Diego”? No momento, parado. Mas planejo reavivar o canal no segundo semestre com um mini doc acompanhando o processo de montagem de um dos meus espetáculos.

O que vem por aí ainda este ano? MUITA coisa. Eu estou muito animado! Além do musical que estreio como ator em março: “Silvio Santos, Vem Aí!” (onde tenho a honra de interpretar meu pai), eu ainda estreio três produções teatrais originais minhas como autor e produtor. “Brilha La Luna”, que fez temporada no Rio de Janeiro, chega em São Paulo em março. E “Sim, é sobre você” já está escalada e começa o processo de workshop em fevereiro. Além de uma surpresa bem legal pro segundo semestre. 2020 vem com tudo!