Por Márcia Dornelles

Para muitos Joana de Verona pode ser uma estreante, mas o currículo dela já conta 30 filmes, várias peças de teatro, muitas novelas em Portugal, vários prêmios e cinema autoral independente. Uma artista completa, que respira e inspira arte, Joana nasceu no Maranhão mas logo aos 9 meses foi para Portugal onde foi criada. Retomando para o Brasil aos 10 anos, se tornou bailarina aos 14 e aos 22 foi estudar direção em Paris e daí em diante não parou mais. Colega de cena de nomes conhecidos mundialmente como John Malkovich e Gerard Depardieu, atualmente joana interpreta a moderninha Adelaide em “Éramos Seis”, e diante de um histórico tão incrível, o resultado não poderia ser melhor. Melhor mesmo só esse ensaio exclusivo para nossa matéria de capa. 

Joana você começou sua carreira ainda criança – queria ser bailarina ou atriz, foi difícil decidir que caminho seguir? Até a adolescência eu estudava aula de dança e teatro, e chegou um momento que acabei precisando me aprofundar em uma das áreas. Foi natural optar pelas artes. Mas sempre soube que poderia fazer dança em paralelo, porque também é uma paixão. Na verdade, tenho tido a sorte de conseguir fazer trabalhos, principalmente no teatro, que estão ligados também com dança. O próximo espetáculo que farei, “Mapa Mundi”, com Eduardo Bretas, que vou estrear no Festival de Teatro do Porto, em Portugal, é bem ligado à dança.

As raízes lusitanas te possibilitaram trilhar uma carreira entre Brasil e Portugal, conte um pouco de sua trajetória e prêmios conquistados nos dois países. Uau! Acho que já fiz muita coisa bacana. Em 2012, o jornal O Globo me elegeu como uma das “Belezas de Cinema Europeu”. Em 2011 fui indicada ao prêmio Globo de Ouro (Portugal) e Cineport (Brasil) de Melhor Atriz pelo filme “Como Desenhar um Círculo Perfeito”. Um ano antes fui indicada pelo filme “Mistérios de Lisboa”. Em 2010, no Festival do Rio, prêmio de melhor atriz com o filme “Como Desenhar um Círculo Perfeito”.

Você gosta muito de estudar, aos 22 anos foi morar em Paris para estudar direção, conte um pouco dessa experiência. Para mim foi um marco muito importante na minha vida, quando terminei a faculdade de teatro. Fui para Paris sozinha, aos 22 anos, muito nova. É uma cidade que respira arte. Foi o momento que fiz um curso incrível, onde aprendi direção de som, montagem, escrita de roteiro para documentário, entre outras coisas. Cresci muito neste período. Depois do curso, ainda fiquei morando na cidade por um tempo.

Você atuou ao lado de ícones mundiais. Conte um pouco sobre sua experiência no cinema com alguns nomes. Entre os ícones mundiais, destaco John Malkovich e Catherine Deneuve. Com ela estive mais em festivais, não contracenei diretamente. E também destaco Gerard Depardieu, com quem fiz “O Divã de Estaline”. É sempre um bom momento estar com Depardieu no set, uma figura interessantíssima. Tem sempre boas histórias pra contar, é divertido e imprevisível. Lembro que tínhamos nesse filme uma cena de dança juntos, conversando. Foi uma experiência muito boa.

Com um currículo invejável para uma atriz da sua idade após atuar em mais de 25 filmes, várias peças de teatro e muitos outros projetos artísticos, o que mais te apaixona na arte? Sim, são trinta filmes já (risos)! Na arte sou apaixonada por dança, fotografia, artes plásticas em geral, cinema… O que mais acho incrível na arte é a liberdade de cruzar vários universos e se inspirar em várias fontes. O poder que a gente tem de se comunicar através de uma obra, com o que a gente sente e acredita sendo colocado para o mundo, para chegar a outras pessoas, reverberando de alguma forma… É incrível! É essa capacidade de transcendência, de acessar outros universos, que me encanta no meu trabalho.

Como surgiu o convite para atuar na novela global “Éramos Seis”? É sua primeira personagem grande em novela? A preparadora de elenco me chamou para fazer um workshop, assim surgiu o convite. Fui protagonista de “Ouro Verde”, que ganhou o Emmy em Portugal, e que aqui está sendo exibida pela Band. Fiz séries e participações, então na TV Globo, sim, é minha primeira novela (“Éramos Seis”) com uma personagem tão importante como a Adelaide.

Em “Éramos Seis” você vive Adelaide uma feminista de carteirinha, mas ao mesmo tempo ela tem uma doçura e sensibilidade que emociona as pessoas! Como você achou esta mulher?  Como foi o processo de criação? Costumo brincar dizendo que fazer Adelaide é de uma imensa sorte, por ser tão rica em termos de universo. Construí o passado dela enriquecendo com as escolhas que fui fazendo aos poucos. Antonio Karnewale foi fundamental nesse processo, é um preparador de elenco muito sensível, que me ajudou bastante. O processo de criação é focado no corpo, então também destaco a Marcia Milhazes, quem me ajudou a entender que o corpo tem memória. O trabalho foi construído em equipe. Queria saber que energia tem Adelaide, que rapidez é essa que ela tem. Ela é de uma personalidade cheia de referências, com pensamento ágil, são vários mundos dentro dela. Adelaide é bastante rica nesse sentido. Estudei várias biografias de mulheres importantes na época. É uma homenagem a todas essas mulheres. Clarice Lispector, Simone de Beauvoir, Tarsila do Amaral, Coco Chanel… Fui beber em vários lugares para criar essa personagem. Adelaide é uma feminista doce.

Como está sendo a parceria com o Nicolas Prattes? A química entre vocês dois parece muito bacana… vocês estão se divertindo? Nós somos uma dupla carismática, os personagens têm uma dinâmica divertida, libertária, energética, livre, jovial, sem julgamentos. Posso dizer que tem sido divertido fazer cenas com o Nicolas. A gente se surpreende a cada cena, até porque novela é um trabalho em conjunto.

Conte sobre sua participação na série Santos Dumont pela HBO? Foi muito bom! Foi uma grande aprendizado, até para mergulhar na biografia dele, saber da história incrível desse brasileiro. Foi um belíssimo trabalho, todos da equipe estão de parabéns. Eu amo fazer trabalhos de época, sabe por quê? Não é sempre que podemos viver vidas passadas de forma rica, com imersão na história, com estudo. É quando a gente aprende bastante. Vivo uma imigrante portuguesa na série, que mora na França, numa época bem conturbada por questões sociais. Almerinda, minha personagem, é a imagem das nossas bisavós, dessas mulheres fortes, meio agressivas ao falar, mulheres duras e resistentes.

Você vive em Portugal e ficou muito conhecida por viver a protagonista Sara na novela “Valor a Vida”, conte um pouco da sua carreira lá fora? Na verdade a projeção veio com Beatriz em “Ouro Verde”. Comecei com teatro amador em Portugal aos 8 anos, vim pro Brasil aos 10 anos. Foi quando fiz (curso de teatro) na Laura Alvim, depois voltei para continuar minha formação em Portugal. Me formei em teatro e cinema, fiz novelas… depois vieram os filmes coproduzidos com França, e também já filmei produções na Itália e Alemanha.

Joana, com este CV invejável, 30 filmes, Várias peças de teatro, vários prêmios e cinema autoral independente, que balanço você faz da carreira até aqui? Muita coisa! Não quero ficar listando para não parecer presunçosa (risos). Acho que respondi alguma coisa na pergunta dois, acima.

O que conquista Joana de Verona? Na vida? Nossa, tanta coisa… A simplicidade nos pequenos gestos. A poesia… Me encanta a generosidade, pessoas que vejam o outro e estejam atentas ao seu redor, sem estarem focadas em si mesmas. Que sejam sensíveis e altruístas, ou mesmo bondosas.

O amor vem em primeiro lugar na hora de tomar decisões? O amor está presente em tudo. Amor, empatia e afeto precisam estar presentes na vida da gente a todo momento. Cada decisão tem sua demanda específica.

Quando não está atuando o que você mais gosta de fazer? Gosto de viajar, dançar, nadar, de pintar, de fotografar e de filmar. De modo geral, é isso.

Deixe uma Mensagem aos leitores da MENSCH… Olá, leitores da MENSCH. Espero que todos possam apoiar cada vez mais a arte brasileira, que é tão diversa. Espero que os brasileiros possam estar mais presentes nas salas de teatro, nas exposições, nas exibições de filmes nacionais, nos trabalhos artísticos. Vamos valorizar a arte nacional!

Produção executiva Márcia Dornelles

Fotos Nana Moraes

Styling Carla Garan

Make Rico Tavares