Edu Porto, que voltou ao ar recentemente como Jaali, o eunuco responsável pelo harém do palácio de Samaria, na série “Jezabel” da Record, sempre viu o esporte como sua válvula de escape. Nascido no bairro de Santo Cristo, no Rio de Janeiro, Edu se formou em Educação Física antes de imaginar que poderia trabalhar na tevê. Ele trabalhava como personal trainer e professor em uma academia quando sua vida começou a tomar outros rumos ao ser convidado, pelo dono do estabelecimento, a fazer fotos publicitárias para o espaço. Quando resolveu estudar e se dedicar às Artes Cênicas, fez diversos cursos, até começar a ser chamado para atuar no teatro e na TV. Conversamos com ele para entender melhor esse momento e sua trajetória. De quebra ousamos num ensaio cheio de estilo para homem nenhum botar defeito.

Você esteve em “José do Egito”, “A Terra Prometida” e “Jezabel” na Record. Com essa bagagem, quais são os principais cuidados que um ator deve ter numa trama bíblica? O maior cuidado de qualquer ator em novela bíblica é o sotaque. Na primeira obra fiz como eu falo na vida. Na segunda e na terceira realmente achei necessário neutralizar, apesar de me tirar zona de conforto. Como a novela é transmitida nacionalmente, é justo o sotaque ser neutro!

Como foi seu processo de composição para o personagem em Jezabel, o eunuco Jaali? Meu personagem tinha uma complexidade enorme. Ser um Eunuco (seus órgãos genitais foram retirados de forma brutal) e ser o responsável pelas mulheres do Rei é um “belo” começo de composição. Composição psicológica, de alma. Depois foi muita leitura e entendimento mais amplo do objetivo dele na trama.

Como surgiu seu interesse por atuação? Foi por acaso! Começou quando o dono de uma academia em que eu trabalhava como personal me convidou para fazer uma publicidade da mesma, em troca de eu não pagar o repasse por um ano (valor dado a academia ao mês por cada aluno de personal). Passei uma tarde maravilhosa atuando e sendo livre, daí eu pensei: Foi ótimo pela grana e hoje estou mais feliz do que os outros dias…ACHEI!!!!!

A sua carreira anterior ajuda de alguma forma na atual? Ajuda sim! A minha formação na área da saúde me fez entender como funciona meu corpo de uma forma geral! E minha profissão atual depende integralmente dele. O ritmo das gravações é intenso e você estando bem fisicamente e mentalmente não tem como ter erro!

Acha que é possível conciliar a televisão, o cinema e o teatro? Como? Essa é a guerra da nossa profissão, (risos). Às vezes/ quase sempre acontece tudo ao mesmo tempo! No teatro a gente tem a possibilidade de colocar um substituto, mas na tv e cinema temos que rebolar pra conseguir fazer tudo. Algumas vezes temos que dispensar o trabalho. Faz parte, desapego (risos).

Na peça ERA SÓ POR UMA NOITE (Guerra doce) que você escreveu, produz e atua, a temática gira em torno de um casal gay. Qual é a importância de falar desses assuntos? Nunca podemos deixar de gritar contra o preconceito! O teatro é a caixa mais propícia para ampliar esse grito! Como o espetáculo fala da temática gay e do HIV na década de 90, é sempre delicado! Nosso desabafo é mostrar que o amor vence sempre!

Onde a peça pode ser vista? Encerramos recentemente a sétima temporada no Rio, com mais de 40.000 espectadores e comemorando 4 anos de espetáculo. Agora vamos viajar pelo Brasil. Podem acompanhar a agenda da peça no Instagram em @soporumanoite

Como vê o papel social do ator? Vejo isso de uma forma clichê mesmo! Faremos sempre esse movimento social! É a função do comunicador romântico! Teatro é responsabilidade social e utilidade pública!

Você é dono de um delivery de comida japonesa. Como surgiu a ideia de montar esse negócio? Tenho um delivery de comida Japonesa (Sushi 7) que está hospedado no bairro do Santo Cristo, onde nasci e fui criado. Fiz questão de abrir lá pois tenho um carinho especial pelo bairro, o local era carente dessa culinária e um dos motivos mais fortes foi gerar emprego no bairro! Hoje temos 5 funcionários, todos de lá.

Chegou a aprender a sobre a culinária japonesa? No início do Sushi 7 meu sócio e eu colocamos a mão na massa, na verdade no peixe cru mesmo! Aprendi muita coisa da culinária japonesa! No início passei por todos os setores da empresa: 7 dias de motoboy / 7 dias na chapa / 7 dias nos frios / 7 dias no atendimento. Foi muito importante!

Sua veia empreendedora vem da necessidade tentar uma estabilidade que a carreira de ator não traz? Exatamente. Todo mundo precisar ter algo seu. Quando você fica do outro lado (empregador) você consegue entender muito quando você é o empregado! Se colocar no lugar do outro é primordial para seguirmos!

O filme “Quatro amigas numa fria”, que ainda vai ser lançado, foi gravado na Argentina. Como foram as gravações? Qual é o seu personagem? O personagem se chama Diego, é um argentino que trabalha num hostel que as quatro amigas frequentam durante a viagem! Ele é convidado pra fazer um striptease particular para elas em seu chalé. Como o termômetro marcava -8 graus, o ato não teve muito sucesso e digamos que sua libido diminuiu rs. Foi uma cena bem difícil de fazer pois tive que ficar semi nu durante horas no set de filmagem, numa Argentina que marcava 12 graus positivo. Fazer humor é sempre bom! O clima foi ótimo nos bastidores e durante todo o trabalho!

O que gosta de fazer nas horas vagas? Solto pipa todo final de semana! É uma espécie de terapia, paixão de infância. Participo de campeonatos também. Só falto quando estou trabalhando.

Fotos Sergio Baia

Styling Herik Dumont e Luan Ventilari