Juan Alba traz no seu trabalho assim como no aspecto pessoal a elegância como base. A classe e o estilo desse veterano ator com mais de 20 anos de carreira, talvez tenha sido herança dos tempos de modelo que foi passado para o Juan apresentador em sua estreia na TV e posteriormente à trajetória como ator. Atualmente interpretando o Ramiro, um homem nada agradável, na novela “Amor Sem Igual” (Record), Juan no contou como foi sua retomada às gravações, o período de isolamento social onde se dedicou a outras paixões, a música e os vinhos, e nos deu uma noção do que vem de bom em 2021 em matéria de novos projetos. Não dá pra planejar muito, mas Juan não é de ficar parado esperando a onda mudar. Se inspire nele, pegue uma boa taça de vinho e desfrute da nossa primeira entrevista do ano.

Modelo, ator e apresentador, essas três atividades moldaram o profissional que você é hoje. Qual a importância de cada uma delas e como se completam? Todas elas se completam. A profissão de modelo hoje, que eu já tenho uma certa experiência e uma longa jornada, eu diria que talvez seja a mais difícil de todas, porque você nunca está em um lugar só. Às vezes nunca faz o trabalho com uma pessoa, a quantidade de modelos que têm, enfim, é muito difícil. Mas sem dúvida nenhuma, a carreira forjou a minha vida profissional nas dificuldades. Talvez seja a profissão que eu mais recebi nãos na minha vida. Isso tudo emocionalmente te estrutura bem para as outras. Então a de ator, a questão da observação, me ajudou bastante. E como apresentador também. Todas estão ligadas com a comunicação. Me sinto privilegiado em ter passado pela profissão de modelo, depois como ator e como apresentador. Elas me fortaleceram e me fortalecem até hoje emocionalmente, para que eu consiga seguir nesta profissão artística tão difícil seja o país que você esteja. 

A meta sempre foi atuar? Como descobriu que era isso que você queria para a vida? Eu sempre gostei muito de atuação, sempre gostei muito de cinema, sempre fui noveleiro assíduo, então sempre foi uma profissão que me encantou bastante. O que sempre me afastou, foi a exposição excessiva, sempre fui um cara mais reservado, mas tranquilo e talvez esta exposição demasiada fosse um fator que não me agradava muito, e talvez por isso, eu tenha começado a me dedicar a carreira de ator bem mais tarde. Mas, é uma profissão encantadora. Eu comecei na TV como apresentador e em seguida comecei a me aprofundar mais. Quando eu morava em NY e trabalhava como modelo, já tinha feito alguns cursos de interpretação, já que lá fazia muitos comerciais de TV, além de passarela e fotos, então já tinha uma base, mas foi aqui no Brasil que eu comecei a me dedicar mais, me projetando mais na carreira de ator. Logo após a minha estreia na TV, mais como apresentador, eu decidi que a carreira de ator seria um caminho a seguir.

Para muita gente talvez você seja basicamente é um ator de TV. Como direciona isso de TV, teatro e cinema? Eu não me considero basicamente um ator de TV, eu estreei na TV, mas nesses vinte anos de carreira fiz muitos espetáculos, fiz mais peças que novelas e muito cinema. É claro que quando você faz um trabalho na TV, ele te projeta mais, são mais pessoas assistindo televisão e talvez por isso, cause essa impressão. Sou um cara que adora diversificar e atuar em várias frentes diferentes, então eu me considero um ator de televisão, teatro e cinema também. 

Falando em TV, atualmente você está na novela “Amor Sem Igual”, na Record. Como foi essa retomada às gravações depois de um tempo parado? Foi de muita expectativa para saber como iríamos voltar, quais seriam os protocolos, o que iria acontecer. E graças à Deus voltamos de forma muito tranquila, os protocolos foram extremamente rígidos, cumpridos à risca, o distanciamento, a higienização em relação ao figurino, enfim, foi um trabalho muito minucioso que tínhamos que ter atenção o tempo inteiro para às vezes em cena, não se aproximar muito do colega. Então, além da preocupação com o texto, tínhamos que nos preocupar com estas coisas também. Mas, tudo ocorreu com tranquilidade e responsabilidade e posso garantir que foi um grande sucesso a retomada das gravações.

O que podemos esperar do seu personagem Ramiro nessa reta final da novela? O que esperar de um cara extremamente manipulador, controlador, machista, enfim, um cara que a única pessoa no mundo que sabe fazer as coisas certas é ele? Um personagem muito difícil, que infelizmente está por aí, mais do que a gente imagina, mas foi um personagem maravilhoso, um desafio muito grande.

O que vai ficar de bom desse trabalho? O que tiro de bom desse trabalho são muito aprendizados, inclusive, até por esta parada que nós tivemos que fazer e retornar depois de cinco meses. Essa questão de voltar ao personagem, o teatro te dá essa experiência. Como se você parasse uma temporada, ficar um tempo sem fazer e depois retomar. Mas eu acho que a gente sempre volta melhor, apesar da distância, o elenco se manteve em comunicação, por isso, que acredito que as relações, mesmo sem presença física, se estreitaram mais, e devido a isso fica uma parceria maravilhosa. Uma equipe, com diretor, com a autora que já era o segundo trabalho que faço com ela. Nestes momentos difíceis a gente acaba tirando leite de pedra e, eu no caso, tirando muitas coisas positivas e principalmente deste trabalho ficará muita saudade, muita saudade. 

Ramiro traz assuntos bem atuais para o debate como o machismo e a diferença de classes sociais. Fica difícil às vezes defender o personagem? Como isso tem repercutido? Sem dúvida nenhuma o meu personagem é um prato cheio de machismo e diferença de classe social, e ele faz questão de deixar isso bem evidente. Ele trata até o Tobias, o próprio filho dele com muita indiferença, sempre rebaixando muito o filho, então eu não poderia esperar um tratamento diferente para ele com o pai. E de forma nenhuma, eu acredito que não tenha defendido o Ramiro, tenha até tentado enfatizar um pouco mais esta personalidade dele, para que isso viesse à tona com bastante ironia, com tom de comédia, pois é um cara ridículo, que não se enxerga, que não olha para si mesmo. Ironicamente a repercussão dele foi maravilhosa, sempre recebi mensagens bem legais, como “Meu Malvado Favorito”, “Meu Vilão Favorito”, então foi um trabalho que eu tive muito cuidado em fazer quando eu entrasse em cena, não viesse alguém falando “Ah, lá vem aquele chato, que vai colocar os outros para baixo”. A repercussão foi melhor do que eu esperava e me sinto muito feliz. 

Soubemos que depois desse trabalho você já está reservado para “Ameaça Invisível”, também na Record. O que podemos esperar? Algo que já possa nos adiantar? Este projeto é do Ajax Camacho, um dos diretores de “Amor sem Igual”, um dos grandes parceiros do nosso diretor geral, o Foguinho. Foi uma ideia que ele teve para falar um pouco sobre a pandemia, não especificamente sobre o Coronavírus, mas sobre uma ameaça invisível, tipo um Covid-19 que estamos vivendo no momento e as consequências dele, como as pessoas acabam lidando com este momento difícil, com o distanciamento, com a necessidade em ficar em casa, com as pesquisas, com as Fakes News. Um projeto muito interessante, até pela maneira que será realizado, com atores atuando em várias cidades do mundo, fazendo dentro de casa ou em lugares bem remotos. É um projeto muito interessante e eu estou bem ansioso para que ele aconteça o quanto antes, para que a gente possa mostrar um pouco e as pessoas possam se identificar e ver que não é um caso isolado.

Ainda dentro do universo novelas, um trabalho muito marcante na Globo foi sua participação em “Velho Chico” (2016), como o conquistador romântico Amadeu. Foi um trabalho marcante para você também? Que lembranças guarda? Foi um trabalho maravilhoso. Trabalhar com Luís Fernando Carvalho, que eu já tinha feito outro trabalho com ele, como “Dois Irmãos”, que foi incrível. Trabalhar com monstros sagrados, como: Christiane Torloni, Antônio Fagundes, Marcos Palmeira, enfim, foi um trabalho muito especial, foi uma novela linda. Infelizmente houve uma tragédia no meio dela, a perda do grande ator Domingos Montagner. Eu guardo com muito carinho, sem contar o aprendizado, que é contracenar com pessoas tão experientes e que a troca é sempre muito maravilhosa, muito positiva.

Como é seu processo para criação de um personagem? E para se desfazer dele, é algo natural ou leva um tempo? O processo normalmente é bem tranquilo, eu procuro me ater bastante aonde este personagem se encontra dentro da trama. Eu costumo ler todos os personagens e estudar a trama como um todo, para ver onde o personagem que eu vou fazer se insere nesta trama. Graças a Deus eu tive a oportunidade de pegar o personagem com uma certa antecedência, então dar para você ver as características deles. É sempre importante você ter a parceria com o coach que nas últimas duas novelas que fiz, “Jezabel” e “Amor sem Igual”, eu tive a parceria da Susana Abranches e trabalhos e construindo juntos o personagem. A atuação do coach é sempre muito importante, ter alguém que te ajude, ter um olhar de fora e que possa contribuir também. É um trabalho em conjunto e extremamente prazeroso. Para se desfazer eu não tenho muita dificuldade. Para mim é bem natural, até porque o ator sempre que acaba um trabalho já tem uma próxima coisa que ele está pensando. Na verdade, você já está construindo outro e isso ajuda bastante a se desfazer do personagem no meu caso.

Onde busca inspiração e o que te inspira? Sem dúvida nenhuma, o cinema. Minha maior inspiração é agora, ultimamente mais as séries. O que me inspira sempre é um bom trabalho, uma boa trama, às vezes uma coisa muito simples, um olhar, um toque, uma respiração diferente, sempre olhando o trabalho de grandes atores. E hoje em dia nós temos, através das séries, uma quantidade enorme. Você consegue apreciar o trabalho de bons atores, que até pouco tempo eu não tinha conhecimento.

A música e o jazz seriam mais inspiração ou transpiração? São os dois, sem dúvida nenhuma, sem contar que todo personagem tem uma música (risos), então é inspiração e transpiração. Sempre tem uma música que você se identifica com o personagem, música que te diz alguma coisa, um ritmo de uma música que cause uma inspiração pra um personagem. Então pra mim o jazz, a música de um modo geral é uma fonte de respiração e inspiração também.

Como a música te toca? A música me toca em todos os sentidos. Ela é companheira de todos os momentos, alegres e tristes, nas perdas, nos ganhos, nas comemorações, nas derrotas, na dor de cotovelo, enfim, nas conquistas amorosas, nas profissionais … de toca de todas as maneiras. A música me acompanha inconscientemente de todas as maneiras, toca de todas as formas.

Esse período de isolamento social serviu para se dedicar mais à música? Como ocupou o seu tempo nesse período? Dediquei bastante a música, pude realizar um desejo antigo, que era fazer um show na minha casa, que foi uma live que consegui fazer durante a pandemia. Me juntei com vários parceiros e consegui produzir vários vídeos para o meu canal, um canal que tenho no YouTube. Foi muito importante. E também, por causa da pandemia, consegui tocar o meu programa de vinho, o Vinodrops, que já é um projeto antigo, que falo sobre vinhos, de forma descontraída, desmistificar um pouco a forma que o vinho é visto aqui no Brasil, de forma extremamente sofisticada e nos outros países é uma bebida cotidiana. Então é ter esse olhar diferenciado, não de um sommelier, não de um entendedor de vinhos, mas de um consumidor que é apaixonado pelas histórias que o vinho traz. Cada garrafa que você abre é uma história diferente, é um momento diferente, nunca o mesmo vinho que você bebe duas vezes é igual, depende do lugar, depende da pessoa com que você toma, se você toma sozinho, enfim, então eu me dediquei bastante neste período de isolamento social. Estas questões que eu pude desenvolver de casa e fiquei muito satisfeito com isso, foi um período que foi bem aproveitado. 

Você sempre passou elegância e discrição. Como foi “moldando” esse estilo? Olha, acho que foi moldando de forma muito natural (risos). Acredito que a descrição faz parte da elegância também. Talvez por eu ser essa pessoa mais na minha, mas discreta e ter tido essa oportunidade de ter vivido no meio da moda e até por ter desfilado para marcas que prezam mais pelo tradicional e elegância. Acho que é um pouco isso, prezando mais pela simplicidade. 

Falando em elegância, qual seu estilo? É um cara muito vaidoso? Do que não abre mão? Acho que meu estilo é este mesmo, mais discreto, mais simples. A questão da vaidade, acho que quanto mais idade a gente vai ganhando, mais vaidosa a gente fica. Hoje eu me preocupo mais com a alimentação, em fazer mais exercícios, me manter mais no peso, cuidar melhor de uma coisa ou outra. Mas sempre dúvida nenhuma, uma coisa que não abro mão é da saúde. Esse é o meu foco principal. Viver a vida como uma qualidade de vida satisfatória, equilibrada, com saúde. Sou uma pessoa que faz check-up todos os anos de forma preventiva. Então acho que essa é a minha maneira de manifestar a vaidade, talvez. Procurando da melhor forma possível ter uma boa qualidade de vida.  

Como lida com a passagem de tempo e como se sente aos 55 anos? Posso dizer que com 55 eu me sinto muuuito bem! Jamais imaginei que fosse chegar aos 55 da maneira que estou hoje, me cuidando, com saúde, com muita energia para fazer muitas coisas. Jamais trocaria os meus 55 pelos meus 25. Acho que eu consegui atingir um equilíbrio emocional bastante satisfatório sabendo escolher as minhas coisas, sabendo escolher melhor realmente aquilo que me faz feliz. Acho que isso é fundamental, a gente poder ter a consciência. A voz que vem do coração e poder fazer as suas opções com a cabeça tranquila, sabendo que aquela foi a melhor opção. Uma das coisas que a idade te traz é esta experiência, para você poder ter um maior discernimento.

E como cuida da mente? O que costuma ler, ver e ouvir? A mente tem que ser alimentada sempre, né? É um alimento constante, tem sempre que estar alimentando. Dizem que a mente vazia é a oficina do diabo. Eu acredito nesse ditado popular sim. A gente tem sempre que estar alimentando com coisas saudáveis, sempre procurando manter, ouvir de tudo e selecionar aquilo que é bom e deixar entrar o máximo. O importante é ouvir de tudo, ler de tudo, ouvir de tudo, mas identificar aquilo que faz bem para você.

Alguma dica para os leitores? Eu não teria uma dica específica, como romance, ficção de livros. Acho que todos os livros são interessantes, até os de autoajuda que muitas pessoas têm preconceito. Você sempre pode tirar algo de positivo quando lê. Nem tudo que eu começo a ler, eu termino, mas normalmente aqueles que vão até o fim, que te instigam ir até o final, com certeza, ele te alimentou bastante e aqueles que você parou no meio. É que de alguma maneira a trajetória do livro não te atraiu muito, então acho que instintivo isso, mas sem dúvida é importante alimentar a mente, sempre.

Vivemos um momento de incertezas, mas se puder planejar seu 2021 como será? Está difícil planejar 2021, né? Acho a única coisa que está planejada é a “Ameaça Invisível” mesmo, que está prestes a dar o start, mas acho que foi um dos exercícios que fiz muito em 2020, foi não fazer projetos muito para a frente. Pensar em coisas mais próximas que eu possa realizar mais próximo. Até a chegada da vacina, dificilmente a gente vai poder planejar alguma coisa. A gente não tem ideia ainda, não tem previsão de quando terá a vacina. Eu não tenho planejado o 2021, tenho muitos desejos, que a gente consiga ter essa vacina o mais rápido possível, que a gente possa ter a liberdade de realizar as nossas coisas, até lá que a gente consiga manter a nossa saúde e das pessoas que estão à nossa volta. Colaborar da melhor maneira possível com palavras positivas, momentos agradáveis mesmo com distanciamento, que a internet nos proporcionando esta possibilidade. Enfim, eu estou muito focado na saúde, porque sem isso, fica difícil a gente planejar qualquer tipo de coisa.

Fotos Ângelo Pastorello @angelopastorello

Produção styling Ju Hirschmann @juhirschmann

Beauty André Florindo @florindoandre

Assistente de produção Claite Chaves

Agradecimentos Café Society e Brechó Minha Avó Tinha

Juan Alba veste: Look 1 (preto): smoking Gallagher Alfaiataria @gallagheralfaitariapremium / camisa Seu Castilho @seucastilho / chapéu e sapatos Minha Avó Tinha @minhavotinha; Look 2 (suspensórios): calça Gallagher Alfaiataria @gallagheralfaitariapremium / camisa Seu Castilho @seucastilho / chapéu e suspensórios Minha Avó Tinha @minhavotinha; Look 3 (branco): terno Minha Avó Tinha @minhavotinha / camisa Ricardo Almeida @ricardoalmeidaoficial; Look 4: terno, gravata, camisa e sapato Ricardo Almeida @ricardoalmeidaoficial