Por Patrícia Alves

Leandro Lima fez o Brasil parar na frente da TV. Entre tapas, beijos e fetiches aprendemos a amar e odiar o peão Levi. O que parecia impossível para os que vivem de métricas e pesquisas vem acontecendo diariamente. O remake de Pantanal bate recorde de audiência e desafia o Ibope que coloca de volta a TV aberta, na casa dos dois dígitos. Assistimos um país machista sexualizar a ala masculina e se apaixonar pelo núcleo dos peões. Uma novela que celebra o talento, o estudo e a história de grandes nomes da dramaturgia que voltam a ter o espaço merecido. No meio da agenda corrida e vivendo o auge do sucesso, o menino que saiu da Paraíba para ganhar o mundo mostra pé no chão, carisma e gentileza ao receber a equipe para o ensaio de capa. Uma entrevista que mostra que ele é definitivamente o “nosso malvado favorito”. Do Pantanal para a revista MENSCH.

Como foi o início da carreira no mundo da moda? E quando começou a sentir que ser ator era o seu caminho? Na verdade, eu já queria ser ator muito antes de ser modelo. Modelo aconteceu muito por acaso. Eu era formado em publicidade e trabalhava em uma agência, além de ter uma banda. Recebi o convite de uma scouter da Elite Models e rolou direto um contrato e fui morar na Itália. Direto de João Pessoa para a Itália! Tenho muito orgulho dessa fase. Nessa época, pude conhecer muitas culturas, conheci muitos países, aprendi a falar muitas línguas – o que me ajuda muito com meu trabalho de ator hoje em dia.

Como foi fazer o Levi em um remake tão emblemático como o de Pantanal? O personagem foi um grande presente do diretor Papinha. Nos conhecemos quando eu fazia o filme A Cerca no qual, interpretava um mocinho e ele me ligou falando sobre o papel do Levi. Mas, não esperava tamanha repercussão. Aliás, vamos terminar o filme agora, no qual faço um mocinho e não pudemos terminar (antes) por conta da pandemia.

Nunca imaginou que a TV aberta voltaria ao patamar de dois dígitos de audiência. Quando foi escalado para o papel, você imaginava a repercussão do remake, em especial, do Levi? Sabíamos que era um remake muito esperado, pois é uma novela que está no coração do Brasil. Mas, confesso que o sucesso foi realmente maior do que acreditava, que todos nós imaginávamos. Soube que a cena da morte de Levi bateu todos os recordes de audiência em uma novela que já supera índices que ninguém imaginava, a cada dia. Me sinto muito honrado e muito feliz.

Como foi conhecer o Pantanal e gravar com atores consagrados como Osmar Prado e Juliano Cazarré? Chegar no Pantanal foi mágico e, desde o primeiro dia, foi incrível estar naquele lugar. Nunca vou esquecer quando cheguei e abri cada porteira, quando olhei para aquele bioma. Um presente contracenar com grandes atores, mestres que acabaram virando grandes amigos: Dira Paes, Osmar Prado, Juliano Cazarré, Isabel Teixeira…

Uma das cenas mais comentadas foi a da noite de amor da Bruaca com o peão Levi com direito a fetiche e tudo. Como foi contracenar com Isabel Teixeira em uma cena esperada pelo público? O encontro do Levi com a Maria Bruaca foi uma “virada” do personagem. Todo mundo estava com muito, muito ódio, muita “reiva” do Levi. Mas, com o envolvimento da Maria Bruaca, mesmo com o jeito bruto dele, o momento rendeu boas risadas e cenas emocionantes.  Era uma cena de muita tensão, tensão sexual… Fico muito feliz que Isabel Teixeira tenha ganho a novela. Sempre era um presente estar em cena com essa atriz espetacular. Sou 100 % Maria Bruaca (risos).

Pantanal exibe peões que exalam masculinidade e são um sucesso nas redes sociais. Só se fala nesse núcleo, como é para você estar nesse lugar de um dos homens mais desejados do País? Achei interessante, pois a maioria das obras sexualiza as mulheres. Foi bom fazer essa troca para que a mulher não se sinta objetificada o tempo inteiro. Que bom que só falam desse núcleo (risos).  Ser desejado assim como o sucesso ou fracasso, é passageiro. É o momento…

Além de modelo e ator você também é músico e tem uma banda que se reúnem, pontualmente, para alguns shows. Conte um pouco desse trabalho. A banda Ala Ursa foi a primeira “coisa” que fiz profissionalmente na vida. Aos 16 anos já estava cantando com o trio, em Joao Pessoa. Nos reunimos todo ano, é como se fosse minha confraternização com a cidade, uma celebração. Este ano quero fazer uma bem grande, talvez, a maior, reunindo os grandes ícones do Axé cantando comigo no palco.

Você acabou de ser pai novamente e o nascimento de seu filho foi uma verdadeira aventura. Como foi encarar um parto no meio do trânsito de São Paulo? O nascimento de um bebê é sempre uma benção. Foi a maior emoção que já senti na vida. Confesso que o trânsito foi o menos que eu pensava em meio a todo transe (risos). Imagina meu filho nascendo exatamente no banco de trás de onde eu estava. Não sei como tive forças para dirigir até o hospital depois que ouvi o choro dele. Coisa de Deus. Só agradeço por tantas bênçãos.

Durante as gravações você tirou inúmeras fotos e fez registros bem humorados do elenco. A fotografia é também uma paixão? A fotografia é uma paixão desde que a encontrei no primeiro semestre da faculdade. Lembro quando tive aula com um professor que me lembro até hoje – Henrique – é o nome dele. Aprendi fotografia analógica e me apaixonei pelas técnicas desde a revelação, a ampliação… Sempre que posso, fico com um equipamento perto para registrar grandes momentos. Digo que sou um fotógrafo de ocasião.

Depois do Levi já tem planos de engatar algum novo trabalho? O que vem por aí? Além de curtir e cuidar do meu filho (Toni) que está pequenininho vem coisas boas por aí, mas que ainda não posso falar. Aproveito aqui para agradecer toda direção e elenco de Pantanal que marcaram – lindamente – a minha história. Gratidão eterna a todos que fizeram parte desta trajetória.

Fotos Angelo Pastorello

Produção Adriana Guimarães

Styling Dudu Farias

Assessoria Ágata Fidelis