Carlinhos de Jesus é como uma coreografia em curso. Está sempre se aperfeiçoando, buscando a perfeição, o ritmo, o espetáculo. Através da dança ele vive, chora, sorri, supera os passos, que muitas vezes parecem fora do ritmo, e busca a aceitação. Na família, nos amigos e na dança, encontra o conforto para amenizar a dor da perda do filho. Carlinhos vive a dança e a dança vive nele desde os tempos de menino e dos rodopios com a mãe nos salões. O “Fred Astaire de Cavalcante”, por mais fama e reconhecimento que tenha, é um homem simples, que quer dançar e fazer os outros experimentarem a alegria de se deixar levar pela música. Aceita esta dança, caro leitor?

Desde pequeno seu talento era tanto que você foi apelidado de
Fred Astaire de Cavalcante. Gosta da comparação?
Acho que já nasci dançarino. Minha mãe contava que aos 4 anos fazia passos de dança ousados para uma criança. Já chamava atenção. Este título FRED ASTAIRE DE CAVALCANTE me foi dado pelo Sergio Cabral, pai, que na verdade foi um dos meus grandes incentivadores. Fique orgulhoso do título e gosto muito da comparação.

 

Como foi sua trajetória profissional? Muitos desafios? Alguma
rasteira que teve de superar?
A minha infância em Cavalcante (bairro da zona norte do Rio), foi praticamente dentro da quadra da Escola de Samba “EM CIMA DA HORA”, ali aconteciam atividades dançantes, eram eventos para toda a família. Nessas ocasiões, e também nas festas familiares, enquanto meus coleguinhas preferiam jogar bola ou correr pela quadra, eu ficava no meio dos adultos observando os passos dos dançarinos para posteriormente imitá-los. Nessa época, até 10 anos + ou – não tinha idéia da minha vocação. Fui efetivá-la tarde, aos 28 anos, na casa do jornalista Sérgio Cabral, quando convidado a dar aulas para um grupo de artistas e políticos, não parei mais. Em contato com o meio artístico comecei a participar de shows, cinema, TV, teatro, abandonei a Pedagogia (minha profissão por formação superior) e me tornei dançarino profissional. Não me lembro de nenhuma rasteira.
Em relação a outros países, como o Brasil trata os seus dançarinos? É um mercado respeitado, bem remunerado, reconhecido? A Dança popular, principalmente a dança de salão, no Brasil ainda é praticada de forma amadora, sem controle de órgãos reguladores, existem escolas de dança de salão com profissionais pouco habilitados, muitas vezes sem estudo, e todos estes aspectos levam a uma desvalorização dos nossos profissionais. Existe uma concorrência desleal que é um desastre, pois em  cada esquina, em cada Academia de Ginástica, em cada Condomínio tem um professor de dança de salão mal remunerado, despreparado, fazendo concorrência com as Escolas de Dança.A dança tem conquistado mais o universo masculino? Quem mais procura aulas na sua casa de dança? Quem mais procura aula de dança é a mulher que muitas vezes arrasta o seu companheiro. Os homens que procuram espontaneamente a Academia de Dança, 80% são adultos, da mais variada procedência –  desde profissionais liberais na ativa, até aposentados. Atualmente constatamos que, cada vez mais, jovens procuram a dança, acho que estão descobrindo que podem se beneficiar muito com esta atividade, aquele que dança é mais performático e tem auto estima elevada.
Que dica você daria para o homem que não sabe dançar (ou não em jeito pra dança), mas tem vontade de aprender? A pessoa  que quer aprender a dançar deve procurar uma escola de dança com referência no mercado, um bom profissional que o ajudará a conhecer e superar  suas limitações. Não se pode estimular o sentimento de que as pessoas dancem iguais, façam passos mirabolantes e inadequados. Existem ritmos como o rock e o samba que equivalem a uma aula de ginástica aeróbica. São danças que exigem muita agilidade nos movimentos de quadril e pernas, então é necessário uma avaliação rigorosa do aluno, caso contrario poderá acontecer uma lesão séria de joelho por exemplo. Outra dica é o uso adequado da roupa e sapatos próprios para a dança.É verdade que o homem que dança bem conquista mais e melhor as mulheres? A dança é desestressante e uma excelente terapia. Os seus benefícios são muitos – desenvolve o raciocínio, a parceria, ajuda na desinibição, eleva a auto estima, sociabiliza, e por ser uma atividade aeróbica ajuda no condicionamento cardíaco, muscular e esquelético. Enfim, traz muitos benefícios a saúde física e mental. Então quem dança é mais feliz e atrairá as pessoas com certeza na hora da conquista sairá na frente e seduzirá com mais facilidade claro!

Tem algum ritmo ou dança que seja mais indicado na hora da
sedução? Alguma dica infalível?
O bolero é mais simples de dançar, mais romântico, dança-se junto, as musicas falam de amor. A dica infalível é: arrume-se, perfume-se e dance. (risos)Você é jurado do quadro Dança dos Famosos, no Domingão do
Faustão, na Globo, o que há de mais difícil em um julgamento de dança, sendo que lá há profissionais e amadores? A reação do público interfere no seu julgamento?
TV Globo, é uma mídia poderosa, os telespectadores se identificam muito com este quadro, pois é o retrato da superação, qualquer um pode dançar. Quando julgo, amadores ou profissionais observo principalmente o ritmo, entrosamento do casal e a fidelidade a dança apresentada. Nada pode interferir neste meu julgamento, pois senão perderá o sentido a minha presença na bancada do Júri.

Você é um dançarino espetacular e sabe muito de muitos ritmos e estilos, mas qual o seu preferido? Que dança você prefere por simples hobby? Adoro o FOX e o SAMBA. O Fox, Swing me fazem lembrar minha mãe, quando pequeno, nas festas de família, sempre que o som era das big bands dançava com ela rodopiando pelo salão sem nenhum constrangimento. Minha mãe dançava maravilhosamente. O Samba é meu companheiro das horas alegres e tristes, adoro.

Você sempre foi muito elogiado e sempre muito querido pelos
muitos amigos que tem. O que você tem que cativa tanto as pessoas?
Amizade para mim é doação, sinceridade e honestidade.

O crime que levou a vida do seu filho ano passado te modificou em algo? Mudou algum sentimento em relação à vida?
A mudança foi total, passei a ver a vida como ela é – uma passagem. A dor desta perda é tão intensa que nos leva a reavaliar todos os nossos conceitos. Meu filho era meu companheiro, muito presente muito alegre, vivia intensamente, acho que tinha o pressentimento de que viveria pouco, me deixou este ensinamento.

Como você tem superado isso tudo? Teve alguma ajuda que você considera fundamental durante esse processo de aceitação? Tenho passado por vários momentos, dor, tristeza, revolta, aceitação. A ajuda vem principalmente da família, a companhia constante de minha mulher e filha que não me deixam cair em depressão, do trabalho, dos amigos e do tempo que vai nos ajudando a entender que estamos vivos e enquanto durar nossa vida devemos aproveitá-la da melhor forma possível.Você é um homem religioso? Você crer em que? Sou um homem espiritualizado, creio em Deus, rezo, freqüento a igreja católica. Minha mãe era espírita e fui iniciado também nesta religião e a freqüentei por um grande período da minha vida, acredito que a FÉ não deva escolher bandeira, sigo a minha FÉ.

 

Que qualidade sua você procura enaltecer e que defeito procura amenizar? Minha qualidade maior é a ousadia, dedicação e objetividade nas minhas atividades. Então em tudo que faço entro de cabeça, todo desafio me atrai, gosto de ser pioneiro, de tentar, pesquisar e experimentar. Meu defeito é o perfeccionismo que às vezes me faz perder a cabeça e ser indelicado. Estou sempre atento e procuro amenizar este sentimento.Você se sente um homem realizado? E um profissional que chegou no auge? Tenho imenso prazer e total identidade com minha atividade profissional. Tudo que consegui até hoje devo à dança, ela me dá a oportunidade de sobrevivência e realização profissional. Não me vejo afastado da dança, pois esta é a minha vida. Sei que chegará uma hora que terei de aposentar o dançarino, mas jamais aposentarei o coreógrafo, o diretor artístico, o roteirista ou o empresário da dança. Não cheguei ao auge, tenho muito que fazer pra chegar lá.

Seu foco agora está em… Faço 30 anos de dedicação exclusiva a dança e estou focado em comemorar esta data com um show grande e que retrate a minha trajetória. Espero colocá-lo em cartaz no primeiro semestre de 2013. Estou focado também no casamento da minha filha quero que seja uma festa alegre.

Coordenação de Produção: Márcia Dornelles – MD Produções www.mdproducoes.com
Fotos: Wagner Carvalho
Co Produção e Make Up: Daan Marques
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