Quando você ler essa matéria o ator Sergio Guizé já terá encerrado seu trabalho como Chiclete, na novela “A Dona do Pedaço”. Um personagem de muitos dilemas, que começou como um matador de aluguel que se apaixona por sua próxima vítima e sua vida muda completamente. Bastou isso para o personagem cair no gosto do público e Guizé roubar a cena. Aliás, quase sempre acontece isso. Foi assim com seu personagem Candinho em “Êta Mundo Bom!” e Gael em “O Outro Lado do Paraíso”. Não por coincidência três novelas seguidas do autor Walcyr Carrasco. Na vida pessoal ele vive um momento especial recém casado, com a também atriz, Bianca Bin, “Nada está sendo difícil na nossa vida de casado, está tudo lindo!”, declarou ele durante a entrevista. Um homem apaixonado, inspirado e pronto para novos desafios, seja na TV, no teatro ou na música, onde ele se solta e vive grandes momentos ao lado da sua banda. Para essa capa especial, levamos Guizé até o Courtyard Residence Inn na Barra para essas fotos incríveis que você confere abaixo. 

Guizé, esperava por essa repercussão toda do personagem Chiclete? Um matador de aluguel que mudou de vida e conquistou o coração de Vivi Guedes (personagem de Paolla Oliveira) e o carinho do público. O Chiclete é um personagem incrível com muitas faces, mas não imaginava que seria tão rápido. Está sendo maravilhoso dividir essa trajetória com esse público imenso, o carinho, a torcida… me sinto acolhido e com vontade de entregar o melhor até o fim da novela.

O personagem passou por vários dilemas ao longo da história. Ele não era necessariamente um vilão. Acha que muito se deve à criação e ao meio onde ele foi criado? Como você avalia o Chiclete? O homem é refém da sociedade de onde vive e, onde não tem Estado, o poder paralelo cria sua própria lei. Ele cresceu fazendo isso para sobreviver em todos os sentidos. Quando chega na cidade e conhece o amor, ele vai fazer de tudo para viver essa nova vida intensamente, inclusive tentar esquecer o passado e tocar a vida pra frente. Será? (risos)

Na vida real nos deparamos com vários “Chicletes” por aí. Fruto do meio onde vivem e que terminam se tornando um grande problema social. Como você enxerga isso e qual seria uma possibilidade de solução? Eu acho que salvação de tudo está na educação, essa deveria ser a grande parte da pena, estudar para ressocializar.

Você, desde cedo, já sabia o que queria ser profissionalmente? Teve apoio da família nesse processo? Eu sabia que iria trabalhar com artes plásticas ou música mas, quando conheci o teatro, fiquei enfeitiçado e minha vida mudou a partir dali. Comecei a trabalhar com o teatro de cara, teatro infantil, de rua, circo… Continuo misturando tudo e os meus pais continuam me apoiando.

Falando em família, como é sua relação com eles? O que aprendeu com seus pais que você leva para a vida? Sou muito apegado a minha família, os quero sempre por perto. Aprendi que humildade e gratidão é uma combinação muito poderosa.

No próximo ano você completa 40 anos e já se vão quase 20 anos de carreira. Como a maturidade influenciou no ator que você é hoje em dia? O que o tempo aprimorou? Nossa, eu tenho muita história pra contar. (risos) Tento transformar essa trajetória em poesia, observando, escutando e transformando em arte. O tempo me ensinou que a delícia do texto está na pausa, no silêncio.

Sobre sua carreira, quais os personagens que não saem da memória? Quais guarda com um carinho especial? O Breno da primeira temporada de “Sessão de Terapia” e o Candinho de “Êta Mundo Bom” são dois personagens da minha carreira que guardo com carinho especial.

Falando em Candinho, reconhece que ele tem um lugar especial na galeria de personagens queridos do público? Por que isso? O Candinho é um ser humano de bom caráter e com um bordão que caiu como uma luva para o momento “Tudo que acontece de ruim na vida é pra meiorá”, é quase uma filosofia de vida. Ele foi um personagem que comunicava bem com todas as idades e classes sociais.

“A Dona do Pedaço” é sua terceira novela seguida de Walcyr Carrasco. Nasceu uma grande parceria desde “Êta Mundo Bom”? Como foi participar de mais essa de Walcyr? O Walcyr é um gênio e um cara muito generoso também, sabe tudo de artes. Aprendo muito, confio muito no trabalho dele e aceitei fazer o Chiclete de olhos fechados, literalmente, pois ele ainda não tinha o personagem, só sabia que ele era de uma família de justiceiros e que iria se apaixonar por sua vítima e foi incrível, bom… Espero que ele sempre conte comigo, pois quero aprofundar ainda mais o nosso laço artístico.

O que lhe desafia como ator? O que lhe leva a querer mais? Me sinto desafiado com personagens muito difíceis e histórias complexas.

Como é seu processo de criação de um novo personagem? Geralmente estudo bastante o texto até ele começar virar imagem. A partir da imagem vem o sentimento, depois do sentimento tudo pode acontecer, aí é o grande barato da coisa toda. Pra dar vida, tem que ter sentimento. Não consigo fazer personagem da boca pra fora, depois vou atrás de referências, histórias, filmes, livros e por aí vai. A cada dia um elemento novo (um presente) para o personagem em evolução até o final da trama.

Com o fim de “A Dona do Pedaço” quais os planos? Onde vai recarregar suas baterias? Quando a novela acabar, vou tocar com o tio Che no Mix Festival on Board (que acontece em um cruzeiro) com vários artistas legais e depois vou para o Uruguai com a Bianca e um casal de amigos.

Como anda a vida de casado? O que é mais difícil e onde tem que acertar? Nada está sendo difícil na nossa vida de casado, está tudo lindo!

Onde os homens estão errando ainda em relação as mulheres? Acho que falta escutar por parte dos homens em relação às mulheres.

Recentemente você falou que estava vivendo uma paixão avassaladora por Bianca. O que lhe conquista? Eu não disse exatamente isso, mas é verdade.

Você tem 1,88m, como faz para manter o corpo em forma? Mais facilidade para engordar ou perder peso? Do que não abre mão? Jogo futebol, faço boxe, academia e tenho uma boa alimentação. Tenho facilidade para engordar, mas não abro mão de nada. A coisa que mais gosto de fazer e comer, DE TUDO (risos).

Como lida com vaidade? Até onde vai? A vaidade está presente até o último fio de cabelo, literalmente. Não queria ficar careca agora, acho que ainda não estou preparado, mas vou aceitar o que vier e respeitar o tempo de tudo, até o da vaidade. Mesmo não querendo ela está presente e também tem o seu tempo.

Que espaço a música tem em sua vida atualmente? Quais os planos? A música é o meu estado de espírito e está presente em tudo. Vivo ouvindo todo tipo de música, tocando violão, cantando, sempre foi assim. Vou tocar com a banda assim que acabar a novela e tocar muito Brasil a fora o nosso novo disco “Tudo Sagrado”.

Por falar em música, como foi participar do PopStar em 2018? O Popstar foi a experiência mais importante para a banda nesses 18 anos. Foi desafiador, difícil, mas gratificante poder homenagear grandes ídolos da MPB com a nossa pegada. Sem contar a energia da plateia e do público de casa, emocionante, somos gratos e estamos colhendo os frutos.

Quais os planos para o novo ano? Entre os meus planos para o novo ano está estrear um projeto com a companhia de teatro, “Cemitério de Automóveis: O homem que matou Liberty Valence”, com a Bianca, o ator e ilustrador Carcarah e a direção é do Mario Bortolloto.

Fotos Vinícius Mochizuki /

Assistente Rodrigo Rodrigues /

Edição de Moda Ale Duprat /

Produção Executiva Márcia Dornelles /

Sergio Guizé veste Look 1: Terno e camisa Boss / Look 2: Trench coat e terno Boss, T-shirt e tênis Ellus, Anéis Joya Ipanema / Look 3: Kimono e macacão J.Boggo, Anéis Joya Ipanema, Bota Ellus – Agradecimentos: Courtyard Residence Inn (locação) – Av. Embaixador Abelardo Bueno, 5001 – Fone: 0800 7031512 – www.courtyardrio.com