Praticar esportes é estar na busca constante de superação. Para um atleta, muitas vezes o maior adversário é ele mesmo. Muitos atletas de corrida e ciclismo, em busca de novos desafios estão aderindo ao Triathlon, esporte que é sinónimo da capacidade de resiliência e superação.

Uma das principais atletas que representa esse esporte no Brasil é Rosa Teixeira Fernandes, mais conhecida como Rosinha. Aos 42 anos, Pernambucana, bacharel e pós graduada em direito, empresária e atleta de alto rendimento, com 9 anos dedicados ao Triatlo. Atualmente é a Top 5 do ranking Brasil em provas de Endurance, entre sua coleção de títulos em provas nacionais e internacionais está o 1° lugar no ranking Brasil e 14° no ranking Global no AWA IRONMAN 2019 realizado em Nice, na França.

“Fui uma criança muito ativa, a prática de esportes sempre esteve presente na minha vida. Fiz muitos anos de ballet clássico e jazz, comecei a jogar tênis aos 5 anos, pratiquei até ski aquático. A natação era aquela obrigação para não se afogar e foi deixada de lado ainda no início da adolescência. Sempre muito exigente comigo, buscando entregar o meu melhor seja qual fosse a atividade que estivesse praticando. Nas aulas de jazz eu “precisava” estar no centro da sala e ser aquela aluna em que a professora ensina os passos e as outras crianças a seguem. Já era bem competitiva sem nem saber o que isso significava.”

Aos 26 anos, Rosinha foi convidada por um amigo que a via na academia fazendo aulas de spinning e correndo na esteira, a participar do grupo de corrida de aventura que ele coordenava. Topou na hora! Segundo ela, foram algumas corridas e perrengues dentro do mato e boas lembranças. Em seguida, Henrique Salazar que na época era um grande amigo dela e hoje seu marido, precisava de uma mulher na equipe dele. Obrigatório na época para fazer provas mais longas (3 homens e 1 mulher). Mais uma vez, topei na hora! Alguns anos depois, já casada e com bebê pequeno, as corridas de aventura e as trilhas muito longe, não se encaixavam mais na sua rotina. Foi quando trocou sua Mountain Bike por uma Road Bike (bike de ciclismo). Nessa época o triatlo estava começando a despontar por aqui. Pelo Facebook se tinha acesso a fotos e novidades dessa modalidade. Para Rosinha foi viciante e em novembro de 2011 iniciou sua jornada no como triatleta, percorreu todas as distancias do triatlo, das provas curtas de distância Olímpica onde veio a ser Campeã Brasileira na categoria, já no primeiro ano e partindo para as provas de Endurance, que é sua paixão.

A vida de um triatleta não é fácil, você precisa ser bom nas três modalidades, mesmo que tenha mais aptidão para uma delas as outas não podem ser complementares. Para competir e ser um atleta de alta performance, precisa encarar uma rotina de treinos pesada e contínua. Nossa atleta Rosinha enfrenta 3h de treinos diariamente, chegando a 22h de treinos semanas quando em preparação para uma prova de Ironman. Cercada por uma equipe multidisciplinar com treinadores de triatlo e natação, fisioterapeutas e nutricionistas, que a apoiam e orientam na sua rotina de treinos que envolvem natação, ciclismo e corrida. Hoje carrega na bagagem 18 provas na meia distância, hoje chamadas de Ironman 70.3 e 4 na distância completa, o Ironman, das quais 2 delas na bandeira Challenge.

Em 29 de março de 2020, Rosinha iria iniciar seu calendário anual com o Ironman South African Championship, mas com a pandemia houve uma sequência de adiamentos, sem definição de vacina, em dezembro a prova foi novamente recolocada para novembro de 2021. Com a continua expectativa do acontecimento das provas, mesmo nos meses críticos, com lockdown e todos em casa, ela montou sua Pain Cave e seguiu treinando. Os treinos de natação foram interrompidos por falta de piscina, os de bike foram realizados no rolo de treinos com o Zwift que é um app de treinos em casa, onde você pode pedalar com outros ciclistas “virtualmente”, mantendo a motivação. Para os treinos de corrida, ela alugou uma esteira profissional e instalou no meio da sala, gostou tanto que está sendo usada semanalmente até hoje.

Rosinha manteve seu ritmo de treinos, com base no possível calendário das provas que à medida que iam sendo alteradas ou canceladas, seu treinador reajustava a programação e começava tudo novamente. Sua motivação era se manter ativa, saudável e pronta para o próximo desafio.

Os planos e Rosinha para o primeiro semestre dependem da confirmação da realização das grandes provas, apesar de estar constando nos calendários, ainda não se sabe se irão acontecer. Para o segundo semestre terá 70.3 em Maceió, o mundial de 70.3 em Utah nos Estados Unidos e o Ironman África do Sul se tudo correr bem no mundo. Ela irá aguardar da melhor forma, treinando!

Como corredor e atleta amador é um prazer falar desse esporte desafiador que além dos benefícios que traz para saúde, nos ensina a ter foco e disciplina, determinação e capacidade de superação, motivação e muita paixão movida pelo sabor da conquista. Não poderia falar de triatlo e não contar um pouco da história de Rosa Teixeira, referência nessa modalidade e fonte de motivação para muitos outros atletas. Inclusive Eu, que já tive o privilégio de correr ao seu lado, ou ao menos tentar 😊 Obrigado Rosinha pela sua contribuição ao esporte.     

[O Triathlon (triatlo em português) é um esporte composto por três modalidades: natação, ciclismo e corrida. O primeiro Triathlon moderno foi registrado em San Diego, Califórnia, na década de 1970. No dia 24 de setembro de 1974, a equipe do clube de atletismo de San Diego organizou uma disputa para sair da rotina dos treinos de pista. O desafio consistia em nadar 550m, pedalar 8km e correr 8,8km. 46 participantes completaram a prova e, a partir daí, o esporte cresceu até se tornar uma modalidade Olímpica e reunir milhões de praticantes em todo o mundo. Atualmente, o Triathlon Olímpico envolve 1,5km de natação, 40km de ciclismo e 10km de corrida.]

DISTÂNCIAS DO TRIATLO:

# Sprint (750/20/5)

# Olímpico (1500/40/10)

# Half Distance ou 70.3 (1900/90/21)

# Full Distance ou 140.6 (3800/180/42)