Desde sua primeira aparição na TV com a maluquinha Norma Jean em “Malhação” (2009), Jessika Alves já mostrava seu talento e que tinha garra para ir longe. E foi! Ou melhor, tem ido! Depois da primeira experiência na TV, veio o convite desafiador para ser apresentadora no TV Globinho e daí por diante foi emendando um trabalho atrás do outro. De personagens boazinhas até mazinhas, Jessika foi conquistando seu espaço. Aquela menina que aos 15 anos deixou sua cidade natal, Curitiba, em busca do sonho de ser atriz, tinha chegado onde queria. Onde ela se sentia mais completa e realizada. Hoje, Jessika se prepara para encarar mais uma personagem marcante, a Shakia, na novela “Gênesis”, e a emoção é a mesma. Por sinal, a mesma que nos toca e nos faz fãs dela. Que venha muito mais por aí.

Você começou a estudar teatro aos 15 anos desbravando a cidade do Rio de Janeiro para tentar a sorte. Precisou de muita coragem? Eu acreditei e foquei no que eu queria. É muito engraçado pensar nisso, mas eu sempre tive certeza de que iria ser atriz e que eu faria “Malhação”. E nessa época eu fazia figuração para conseguir arcar com as despesas dos meus cursos de TV e teatro. Penso, olhando pra trás, que um sonho requer coragem e resiliência. E digo mais, a arte não é um caminho florido o tempo todo, por isso é preciso saber e estar disposto para se entregar. E gosto muito de saber que nossos esforços são percebidos pelo universo e pelos companheiros de jornada.

Aos 17 estreou em “Malhação”, vivendo a Norma Jean, como foi que você ganhou tanta popularidade tão rápido? A Norma Jean era muito carismática, engraçada. Não foi difícil dela cair no gosto do público! Eu mesma me divertia muito fazendo essa personagem. É bacana demais pro ator quando um personagem ganha essa visibilidade, traz identificação e fica ali, de alguma maneira, bem próxima do público. Gosto de passar minhas verdades quando interpreto, e isso com certeza gera uma identificação que fica na memória do telespectador.

Na sequência você cativou o público infantil e foi convidada para apresentar a “TV Globinho”, como foi a experiência como apresentadora? Eu amei! Foi um desafio apresentar um programa e ainda mais infantil. Não tinha pensado na possibilidade de ser apresentadora até então. Aprendi muito com essa experiência. E, naquela época, mesmo tão nova, eu tinha certeza que era o caminho que eu queria seguir como carreira e propósito de vida.

Você atuou na série “Preamar”, exibida em 2012, e recebeu críticas positivas. Acha que você ganhou um novo patamar na carreira após este trabalho? Eu amadureci nesse projeto! Era uma personagem mais complexa do que eu estava acostumada e trabalhei com diretores, produtores e pessoas que admiro muito. A cada trabalho a gente sobe um degrau, seja ele de maturidade, sucesso, aprendizado ou todos esses juntos! Inclusive, acredito que cada personagem apresenta ao público nuances diferentes, o que te faz, como ator, experimentar múltiplas emoções no processo de composição. Esse projeto me trouxe muitas sensações e foi um marco pra mim.

E como foi suas participações nas novelas “Insensato Coração”, “Amor Eterno amor” e “Em Família”, da Rede Globo? “Insensato coração” foi um convite muito inesperado! Recebi uma ligação e no mesmo dia eu estava com o produtor de elenco conversando sobre fazer a Vania, uma prostituta. Não tive muito tempo para preparar a personagem, então peguei um amigo e sai à noite a procura de meninas que trabalham nessa área para observar e entender seus comportamentos. Foi um laboratório necessário e que me ajudou a me aproximar desse universo que eu não tinha intimidade. “Amor Eterno Amor” veio a Laís, mimada, rebelde, com um humor meio ácido, típica adolescente. Foi um trabalho que passou rápido de tão leve que era estar ali. Elenco, direção, tudo muito bom! “Em Família” foi uma surpresa, o personagem foi crescendo aos poucos e me surpreendendo. A história do nosso núcleo foi tão bem aceita que evoluímos juntos e tivemos respostas muito positivas e cheias de emoção de quem acompanhava o desenrolar da trama! Fazer a última novela do Manoel Carlos foi uma grande honra.

Sua Passagem pela Record, na novela “Os Dez Mandamentos”, foi um grande sucesso. Como foi essa experiência na trama e na emissora? Foi minha primeira novela na Record! “Os Dez Mandamentos” é, até hoje, um grande sucesso e pude realizar um desejo antigo que era atuar em uma novela de época, que até então eu nunca tinha feito. É maravilhoso ter essas experiências, pois o conhecimento e técnicas de atuação se ampliam. As tramas bíblicas me emocionam e mexem comigo.

Falando nisso, você atuou em outra trama bíblica, “Jesus”, da Record, vivendo Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro, esta experiência mexeu com seu lado espiritual? É um personagem marcante. Eu não conhecia a fundo a história de Maria de Betânia, fui entender quando comecei a estudar a personagem. Ela é um exemplo de fé para muita gente que estuda e a Bíblia e é cristão. Foi uma responsabilidade dar vida a Maria. Tive cenas intensas e que mexeram sim comigo, não tem como se manter distante do personagem. Eu sempre tive muita fé e isso me ajudou a traduzir essa fé através dessa personagem.

O que conquista Jessika Alves? Educação, bom humor e verdade!

Você se considera perfeccionista? Eu me considero exigente comigo, mas gosto de enfatizar: a perfeição não é algo que alcança os seres humanos, e é insanidade acreditar nisso ou viver nessa busca. 

Conte um pouco da Jessika fora doa holofotes, o que gosta de fazer para se divertir? Gosto de coisas simples, de amigos reunidos, de ler um livro, conhecer coisas novas, amo comer e me cuidar de dentro pra fora! Acho que nosso exterior reflete muito nosso interior.

Você está de volta à TV em “Gênesis”. O que o público vai ver nesta nova personagem? Vai ver uma personagem bem intensa, cheia de motivações, bem articulada e fria. E com sede de vingança. Algo que nunca fiz na TV é mais um desejo que estou realizando, fazer uma antagonista. É importante pra mim esse processo de mergulho em Shakia, que é uma mulher de fibra e potência, mas que também está em busca do seu lugar no mundo, de organizar suas emoções. Mais do que tudo, penso que ela quer respostas que foram negadas. Vai ter emoção e muitas revelações, e intensidade à flor da pele.

Quais são seus planos pós pandemia? Quero visitar meus avós e quero muito visitar meu priminho que nasceu na Flórida e ainda não pude conhecê-lo pessoalmente.

Deixe uma mensagem para nossos leitores… É sempre um prazer estar com vocês. E vou deixar uma frase que acabei de ler e tem muito a ver com o meu momento atual. E acredito que com o de muitas pessoas, que nas atuais circunstancias permanecem lutando por seus sonhos. “Nunca se esqueça de como sonhar” – Madonna.

Foto Giselle Dias

Make Walter Lobato

Stylist Gabi Werden