Com um baita corpo de fazer inveja, Julianne Trevisol começa o ano com o pé direito. Depois de cair no samba pela Grande Rio, realizando um sonho de desfilar na Sapucaí, se prepara para voltar à TV em um papel que dará o que falar na novela “Gênesis” que estreia em breve na Record. Mas para nossa felicidade, antes disso a bela resolveu se despir da fantasia em protagonizar esse ensaio cheio de sensualidade. Pelo visto esse ano realmente promete ser especial para nossa querida estrela. 

Julianne, pelo jeito esse ano você vai caiu no samba do jeito que sempre quis. O que isso representou para você? Foi um ano muito especial! Principalmente agora, com essa colocação da Grande Rio – tivemos o reconhecimento de todo o trabalho que foi feito. Além disso, foi um ano que eu me dediquei bastante, tanto na alimentação quanto nos treinos, para conseguir manter a forma física que eu gostaria, a resistência e saúde necessários para atravessar a avenida. E eu fiquei muito feliz! O resultado foi muito legal, a resposta imediata do público, dos amigos, da imprensa. Enfim, de todos os lados tivemos excelentes retornos. 

Neste ano, a Grande Rio veio falando de intolerância religiosa, em um momento importante para enaltecemos o respeito a toda e qualquer diferença. Que importância isso tem para você e como te toca?A escola veio contando uma história de vida na avenida. E, aproveitou para conta-lá em um contexto artístico, passando um recado de igualdade, respeito e amor – independente de quais sejam as crenças de cada pessoa.


Quando e como a dança entrou na sua vida? A dança faz parte da minha vida desde os sete anos de idade. Eu tinha um problema de hérnia umbilical, e eu não podia dançar. Na época, minha prima fazia aula de dança, e como fomos criadas juntas, eu ia pra escola de dança depois da escola e ficava lá atrás, assistindo-a, mesmo sem poder dançar. Mas, com o passar do tempo comecei a levantar e a dançar, copiar as coreografias e todos os ensinamentos passado nas aulas. E um dia eu cheguei pra minha e falei: “não aguento, preciso dançar”. De imediato, ela me levou a pediatra e a pediatra falou: “coloca ela pra dançar, se ela tiver alguma coisa, teremos que operar com urgência”. Ingressei na dança e vim à ter a primeira crise de hérnia umbilical com 12 anos – operei e fiquei três meses de cama. Depois dos três meses, voltei a dançar e faço isso até hoje. Foi a melhor coisa que eu fiz na vida! Isso vale para enxergarmos que às vezes achamos que algumas coisas nos aparecem como impedimentos, mas nem sempre se tornam. Sempre tive que fazer escolhas desde muito novinha e sempre fui guiada pela minha intuição. A dança se manifestou em mim como a minha primeira forma artística de expressão. Fiz parte de grupos de dança, participei de competição, viajei pelo Brasil, ganhei prêmios.

Que veio primeiro o desejo de dançar ou atuar? Primeiro foi o desejo de dançar e depois o de atuar. Na minha escola de dança eu tinha as apresentações bem artísticas e muito interpretativas. Então, tínhamos encenações dentro dos espetáculos. E foi assim que eu comecei a olhar com carinho para o teatro e descobri que de fato aquilo era o que eu mais amava fazer na vida. No início eu me achava péssima, era muito tímida, novinha. Mas ao longo do tempo eu fui me desenvolvendo através de muito estudo e dedicação. Eu acredito que algumas pessoas nascem com predisposição para a profissão, mas, podemos incentivar e influenciar na escolha do caminho que iremos percorrer. Estudei muito – só de formação foram total de oito anos de estudo – e chegou um momento em que não me via fazendo outra coisa da vida, a não ser isso. Toda vez que eu termino um personagem na TV, preciso voltar para o teatro e vice-versa. É preciso passar por todos os ramos da interpretação – eu gosto de todos e não saberia dizer qual eu gosto mais.

Para você que ama dança. Que chances um cara que não dança tem com você? Ele dança!?!!? (risos) Ele toca, né!?! Ele toca e eu danço – o músico e a bailarina. Temos muita coisa em comum, e nunca tive problema com quem não dança – imagina – eu já danço pra ele. Acho que cada um tem as suas habilidades. E o principal, o que mais me admira em um cara é se ele faz bem aquilo que ele se propõe a fazer. Essa é uma das coisas que mais me atrai!

Para apimentar a relação vale uma boa fantasia? Que máscara não pode usar? Tudo é válido para tentar apimentar a relação, desde que haja consentimento entre ambos. Cada relação tem seus acordos e eu acho que tudo é válido – desde que faça bem para os dois. Então vale fantasia, vale o momento, conchinha. Acho que o mais interessante é você ter confiança suficiente para que vocês possam ser felizes e experimentar tudo que tiverem vontade, juntos.

Axé, frevo, samba ou pagode. o que faz o coração bater mais forte? Samba, sem dúvidas! O frevo é lindo, mas eu não tenho muito conhecimento. O axé eu só curto durante o carnaval na Bahia, por uma questão cultural – mas não é o tipo de música que eu escuto. E pagode, definitivamente, eu não escuto. O samba com certeza está em primeiro lugar, inclusive tem o samba de gafieira que eu danço e as danças de salão que sempre gostei.

Nesse seu ensaio você se despiu da fantasia. Como lida com nudez? Eu acho que tudo tem seu momento. Você pode fazer tudo, desde que você faça com elegância e classe. Esse foi um ensaio que o Ita Mazzutti conseguiu retratar com muita delicadeza – não foi nada que me expusesse. Sem contar que estou num momento muito bem resolvido da vida. Sempre fiz personagens mais jovens do que a minha própria idade e soube aproveitar bastante isso. Agora eu estou com 36 anos e me encontro num momento muito mais maduro na minha vida. Acho que o importante é você entender os seus momentos – e sei bem o que eu quero! Estou tranquila, feliz no amor, no trabalho – inclusive, trabalho com aquilo que eu amo e sou muito grata por isso. A nudez ela tem a ver com liberdade, com a forma que você se expressa e o não aprisionamento de tantas questões que ao longo do tempo e culturalmente, nos tornamos obrigados a se adequar – principalmente nós mulheres. Então, acredito que esse ensaio foi feito com um olhar artístico e obteve um resultado lindo.

Amor de Carnaval, existe? Já aconteceu?  Eu conheci o Amon no carnaval, em plena Sapucaí, há quase 20 anos atrás. Ele desfilou pela Caprichosos de Pilares, num carro em homenagem a família Lima e nesse carro, eu desfilei como uma das meninas que ficavam em volta dele. E na hora que eu desci do carro, por ser uma alegoria muito alto, eu não conseguia descer sozinha, e ele subiu, pegou a minha mão – muito cavalheiro – e me ajudou a descer do carro. E nesse momento nós nos conhecemos! Mas, só viemos a nos reencontrar e conversar, quase um ano depois – e foi quando realmente a nossa história começou. Aí corta para nós, neste ano de 2020, vivenciando esse momento. Então sim, amor de carnaval não só existe, como ele dura! A vida é assim, cheia de surpresas e não dá pra saber o que vai acontecer. Amor não tem hora e nem data. Ele existe e ele acontece quando tem que acontecer.

 

Passado o Carnaval o que faz para recarregar as baterias e encarar a rotina? Eu volto para a minha rotina de sempre. Agora é a hora de colocar a vida em ordem – volto para os meus estudos, meu curso de inglês e francês, aulas de dança, mantenho os treinos para não perder tudo que conquistamos no carnaval. Dedicação total ao trabalho que estou desenvolvendo no momento – pois as gravações estão em ritmo intenso e aproveito para estudar as minhas cenas. E é muito importante para mim a reconexão espiritual e o equilíbrio energético, então, volto pra minha yoga, faço bastante meditação e volto com uma frequência maior, na minha igreja.

Falando nisso, vem ai um novo trabalho e uma nova personagem, a Nidana em “Gênesis”? Está sendo sensacional esse trabalho! É um trabalho bem diferente dos que já tinha feito nos últimos tempos. Um trabalho de época, que sempre quis fazer – pois sempre quis trabalhar numa novela bíblica.

Saí da Record há quase 5 anos e estou retornando agora, para esse trabalho. A personagem é muito legal – ela está dentro do contexto bíblico, mas é super contemporânea dentro da situação vivida. É uma personagem ambiciosa, um pouco egoísta, levanta questionamentos individualistas e sai passando por cima de quem estiver na frente dela, para conquistar os seus objetivos – com a intenção de melhorar a vida dela e da família. É mãe de um bebê de colo na primeira fase – e não é uma boa mãe.

“Gênesis” está sendo uma novela diferenciada, pois é como se fosse várias séries dentro de uma. Uma novela imensa, com um elenco enorme – o que se torna algo muito bacana, pois dá muita oportunidade de trabalho há diversas pessoas. A direção está super empenhada em fazer um trabalho com a fotografia impecável! Acima de tudo, estamos dedicados em contar uma história verdadeira e explicativa do capítulo da bíblia, “Gênesis”.


Como está a preparação? O que podemos esperar dela? Sobre a preparação em si, tivemos preparadores que ficaram conosco desde o início e continuam conosco no set, orientando, passando texto e ajudando na construção dos personagens. No caso da minha personagem em específico, ela passa por duas fases de envelhecimento – uma com passagem de 10 anos e outra com 27 após o início da novela -, então tem sido incrível e essencial esse acompanhamento com os preparadores. E podem esperar que a Nidana vai aprontar na novela!

Fora a novela, o que vem aí com os novos projetos?  Minha peça de teatro volta agora, dia 03/04 no teatro Glaucio Gil, no Rio de Janeiro, de sexta à segunda. Chama-se “Ao Anoitecer” e faremos uma temporada de dois meses. Estou muito feliz em voltar com esse projeto! Sou eu e o Marcio Kieling em cena, com direção de Allan Souza. Começamos e ainda estamos sem patrocínio. Trata-se de um projeto de coletivo, onde construímos muitas coisas juntos. É um texto que fala sobre o lixo e que faz uma analogia com os nossos lixos emocionais – um casal que se conhece numa lixeira de um prédio e que vão discutindo e construindo uma relação em cima daquele momento.

Fora isso, agora sou uma micro empreendedora! Acabei de inaugurar uma esmalteria na Barra da Tijuca, chamada “Atelier Trevisol”, onde estou num negócio familiar, com a minha mãe e a minha irmã – nós que estamos cuidando e criando o conceito da marca. É algo novo, mas, super gostoso! Estou amando fazer parte do campo do empreendedorismo – fiz cursos sobre o tema e estou me especializando para fazer o projeto crescer e quem sabe, virar uma marca com outras vertentes de beleza.

E para conquistar Julianne, basta… Ser de verdade! O companheirismo é uma característica muito importante pra mim – sou canceriana – sou muito família, muito amiga. Então, pra mim, um parceiro tem que ter tudo isso. Claro que tem que ter química e admiração acima de tudo, sabendo que posso contar com essa pessoa. A estabilidade e o equilíbrio emocional é o que mais me conquista!

Fotos Ita Mazzutti

Beleza Pablo Félix

Stylist Luiz Plinio