Em meio a esse isolamento social por conta da pandemia do COVID-19 1/3 da população mundial se viu trancada em casa como forma de evitar que o vírus se alastrasse ainda mais. Uma forma sensata e de certa forma sofrida pelo que uma quarentena resulta na economia e na nossa rotina. Tivemos que nos reinventar e descobrir formas de passar o tempo e ocupar a mente pra não pirar. Cada um procurou aqui que lhe é mais familiar como trabalhou ou passatempo. Foi praticamente isso que o fotógrafo paulista Marcelo Auge (@augem), autor de vários trabalhos incríveis aqui na MENSCH, fez: fotografar! “O projeto surgiu através do ócio criativo causado pela Quarentena. Me vi diante de uma queda de cerca de 70% no meu fluxo de trabalho e com muito tempo livre. Paralelo a isso, da minha janela em Moema, bairro de São Paulo, notava uma grande circulação de pessoas na rua (ainda noto). Logo pensei, por que não criar junto com a minha rede uma forma de entreter e trazer leveza para esse momento tão complexo? De quebra ainda criaríamos juntos uma maneira de conscientizar as pessoas que podem, a ficarem em casa”, comentou ele em entrevista para a MENSCH.

Dessa forma ele foi convidando amigos e conhecidos para posarem em casa da forma que estavam passando por essa quarentena. “Acredito que ver de fato que outras pessoas estão na mesma situação ajuda a suportar a ideia de isolamento. As imagens retratam justamente isso, através de retratos que os próprios fotografados criam e que represente de alguma forma a quarentena deles”, comentou Auge. E assim foram fotografadas pessoas de diversas áreas e nas mais diversas situações, alguns trabalhando, outros praticando exercício, lendo ou apenas relaxando. O resultado ficou incrível e virou essa série de capas especiais da MENSCH. Juntando todos e dando força para mais um tanto de gente se sentir inspirada (e confortada) em ficar em casa, descobrir novas tarefas e interagir com as outras pessoas de uma forma diferente. 

Qual o critério de escolha dos “modelos”? No início eram apenas meus contatos! Um grupo de amigos! Não esperava a proporção midiática que isso se tornou. Sou grato pois de alguma forma a nossa rede de conscientização funcionou. O critério de seleção é único! Querer participar! São inúmeras as mensagens de pessoas de todo o mundo querendo contribuir. É incrível como nesses momentos o ser humano pode ser bom e solidário! Mesmo que seja através de detalhes, como por exemplo a fotografia.

E o que você precisa retratar? Os fotografados recebem alguma orientações técnicas, mas a mensagem dela é livre! Todos têm autonomia pra criar aquela foto que os representem durante o isolamento! Tem gente que quer sorrir, chorar, fazer careta, trazer seus animais de estimação, plantas e por aí vai! O importante é a rede de conscientização continuar! Ainda precisamos dela.

Quais as dificuldades técnicas para fazer as fotos? As fotografias são feitas via vídeo chamada. E os desafios de forma geral são os mesmos da fotografia tradicional! Precisamos de uma boa incidência de luz, buscar os melhores ângulos e enquadramento. Sem dúvida alguma, a maior dificuldade é a conexão da internet. Quanto melhor, mais qualidade técnica teremos, como nitidez e detalhes. De toda forma o ponto mais importante dessa foto é a criatividade das pessoas, o registro espontâneo desses momentos.

O que é mais desafiador para você como fotógrafo? Para esse projeto, sem dúvida alguma, a maior dificuldade é a comunicação! É diferente não estar fisicamente frente a frente com a pessoa. O bate papo que antecede a fotografia serve para quebrar o gelo, deixar a pessoa à vontade e tentar identificar esse gancho espontâneo sobre o período de quarentena dela! Percebi também que esse bate papo é bom para todos! Para mim, que acabo entrando em contato com pelo menos um pedaço da história dessas pessoas e dividindo com todos e para os fotografados que acabam saindo da rotina e fazendo algo diferente.

Ao todo quantas pessoas foram fotografadas? Essa semana chegamos a incrível marca de 182 pessoas fotografadas. Entre famosos e anônimos! E a ideia é continuar com o projeto até o momento que ele for pertinente. Espaços como esse que a MENSCH está abrindo são importantes demais para disseminar a informação e aumentar ainda mais essa rede.

Foi descobrindo algo ao longo das fotos? Descobri que somos fortes e que estamos mais unidos do que nós mesmos acreditamos! O amor ao próximo ainda prevalece!

Através das fotos você (e as pessoas fotografadas) termina cumprindo uma função social. Como você percebe isso? A função social foi a base para esse projeto! Resolvi rodar a ideia quando me vi estático, não fazendo absolutamente nada que pudesse contribuir para a nossa sociedade. Sei que o projeto ainda é restrito a uma faixa minúscula de pessoas que de alguma forma fazem parte do meu ciclo social. Mas isso não torna ele menos importante! Sem dúvida alguma, existe outras redes importantes fazendo algo relevante para seu próprio grupo! Se cada um fizer um pouco sairemos mais rápido dessa.

O ato de ficar em casa te despertou o que? Desperta múltiplas sensações! Já estive feliz, triste, angustiado, confiante. Um mix de sentimentos que alternam entre si. Talvez as palavras que melhor definam o sentimento nesse momento são: Esperança e compaixão.

E o que você percebeu nas pessoas fotografadas? Como estão encarando o isolamento social? Os sentimentos para os fotografados não são diferentes. O momento da foto em si é mais leve, pois sabemos que estamos fazendo algo que é positivo. Mas durante o bate papo acontece essa alternância de sensações. Mas o que percebo de comum em todos é a vontade de fazer sua parte para que a gente passe por tudo isso da melhor forma possível.

Pretende estender o projeto para algo maior, como uma exposição por exemplo? O projeto continua. Estou realizando sessões fotográficas semanais. Não penso em livro ou exposição! O papel principal do projeto é impactar o agora.

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Veja vídeo com bastidores: