Há tempos a medicina está mais voltada para tratar doenças, focada apenas nos sintomas dos pacientes, onde se usa cada vez mais remédios. Claro que os remédios devem ser utilizados quando houver indicação clara, mas muitas vezes se torna uma estratégia cômoda tanto para o médico, quanto para o paciente. Aliviar os sintomas é importante, mas é necessário também descobrir e tratar a causa.

O modelo de Medicina Funcional propõe uma abordagem diferente, individualizada, onde o paciente é o centro e não a doença. Busca orientar e capacitar os pacientes a trabalharem de forma conjunta com os médicos, para que possam juntos abordar as causas das doenças, promovendo saúde e bem-estar ideais. Envolve uma análise mais global, uma compreensão detalhada dos fatores genéticos, bioquímicos e de estilo de vida de cada paciente e aproveita esses dados para direcionar planos de tratamento personalizados, que terminam levando os pacientes aos melhores resultados.

CAUSA E CONSEQUÊNCIA

Quando se aborda a causa, ao invés apenas dos sintomas, os médicos precisam identificar a complexidade da doença. É uma estratégia que faz o médico relembrar que uma situação clínica tem muitas causas diferentes e, da mesma forma, uma causa pode resultar em muitas condições diferentes. Assim o tratamento termina sendo prescrito baseado nas manifestações específicas da doença em cada indivíduo. Um mesmo desequilíbrio pode causar diferentes doenças e uma mesma doença pode ser causada por diferentes desequilíbrios.

A Medicina Funcional é uma abordagem baseada na biologia dos sistemas do corpo, uma análise global e abrangente, que se concentra na identificação e abordagem do motivo, da causa da queixa de cada paciente. A manifestação dos sinais e sintomas de cada causa vai depender dos genes, do ambiente e sobretudo do estilo de vida, e realizar tratamentos que abordam a causa certa terão benefícios mais duradouros, além de apenas reduzir os sintomas.

Muitas vezes o médico é ensinado a apenas seguir protocolo, a pensar de forma linear e progressiva. Hoje é preciso abordar e analisar o paciente de uma forma tridimensional. Saber ouvir bem, entender seu comportamento, abordar questões da sua vida, seus aspectos psicológicos e não somente se fixar ao sintoma que ele refere naquele exato momento. O tratamento precisa ser resolutivo.

É uma linha de abordagem também muito focada na prevenção. O modelo atual espera a doença aparecer para depois mostrar uma solução, mas na abordagem funcional se conversa sobre estratégias preventivas também. Esse, inclusive deve ser o foco principal. O paciente saudável não é aquele que não apresenta queixas porque está tomando medicamentos; é aquele que não precisa de nenhum medicamento.

Quando você vai a um médico, realizar o famoso check-up, isso não é uma prevenção de verdade. É o que a gente chamaria de uma busca por um diagnóstico precoce. Como se fosse uma fotografia da sua saúde naquele momento. Infelizmente estar com seus exames laboratoriais dentro dos valores de referência, ter o exame clínico aprovado e estar sem sintomas naquele momento não é suficiente. Prevenção mesmo é a conduta que você passa a ter entre a análise médica deste ano e a avaliação do ano seguinte; é o caminho que você escolhe percorrer no seu dia a dia.

E qualquer médico, de qualquer especialidade pode decidir abordar o seu paciente de uma forma mais integrativa, de uma forma funcional, olhando o todo, olhando o paciente, tentando realmente impactar positivamente na sua vida. Essa é uma visão que hoje termina sendo mais realizada por colegas de algumas especialidades e áreas de atuação, mas que precisa chegar a todas as demais. É preciso abordar as queixas dos pacientes, mas também as questões genéticas, hereditárias, ambientais, comportamentais, abordar exercícios, sono, alimentação, intestino, água, gerenciamento do estresse, saúde mental… ou seja, uma real visão integrada, integrativa do indivíduo.