
HÁ MAIS DE UMA DÉCADA NA INTERNET, CARLINHOS MAIA CONSTRUIU UMA DAS MAIORES COMUNIDADES DIGITAIS DO PAÍS, TRANSFORMOU SUA AUDIÊNCIA EM NEGÓCIOS E AGORA AMPLIA SEU TERRITÓRIO DE ATUAÇÃO COM A MODA, CHEGANDO ÀS PASSARELAS INTERNACIONAIS.
Carlinhos Maia aprendeu cedo que a própria vida poderia ser matéria-prima para contar histórias. Nascido em Penedo, no interior de Alagoas, começou a produzir vídeos sobre o cotidiano da Vila onde morava, dividindo com o público momentos ao lado da família, dos amigos e dos vizinhos. O que começou de maneira espontânea se transformou em uma das maiores plataformas de comunicação pessoal do país.
Ao longo de mais de uma década na internet, Carlinhos construiu uma relação particular com sua audiência. Sem depender de grandes estruturas de produção, transformou o celular em ferramenta de entretenimento, publicidade e conexão. São mais de 36 milhões de seguidores e mais de 27 bilhões de impressões registradas no Instagram, números que ajudam a dimensionar o alcance de sua comunicação.


Sua trajetória também ultrapassou o universo das redes sociais. Empresário e produtor de entretenimento, Carlinhos criou projetos como A Casa da Barra e o Rancho do Maia, transformando sua capacidade de reunir pessoas em grandes experiências de entretenimento digital. Em 2026, foram mais de 25 bilhões de pessoas alcançadas pelos stories e mais de 1 milhão de espectadores em uma live.
Agora, um novo capítulo ganha força: a moda. Depois de já ter passado pelas passarelas da São Paulo Fashion Week, Carlinhos viveu sua estreia internacional durante a Semana de Moda de Milão, convidado pela grife Philipp Plein para desfilar. O momento revelou ao público uma faceta que vai além do empresário e comunicador: a de alguém que encontra na moda uma forma de expressão.
Conversamos com Carlinhos Maia sobre seus mais de dez anos de carreira na internet, o poder de influência construído ao longo desse período, a transformação da audiência em negócios e sua nova relação com a moda.


Você está há mais de dez anos na internet e construiu uma audiência de milhões de pessoas. Quando olha para essa trajetória, o que acredita que fez sua história se conectar tanto com o público?
Essa conexão que já dura há quase 11 anos, eu acho que vem de ser autêntico mesmo, de se manter verdadeiro com defeitos, qualidades, como qualquer ser humano, sabe? Não existe um personagem. Então, a única coisa que faz durar uma relação é quando se tem verdade, e eu acho que existe essa verdade de mim para o público, e deles comigo. Eu acho que eles amam me odiar, eu sinto isso. Mas eles não conseguem me ignorar. Então eu acho que eu tô no caminho certo.
Você alcançou números gigantescos nas redes e também criou projetos como o Rancho do Maia. Em que momento percebeu que sua influência poderia se transformar em uma plataforma de entretenimento e negócios?
Eu confesso que até hoje é difícil lidar com esses números, com essa questão da influência, porque ao mesmo tempo que existe uma grande responsabilidade, existe uma grande liberdade também. Por maior que sejam os números, todo mundo tem rede social, sabe? Existe certa liberdade nisso. Então eu sempre me dediquei muito a fazer as pessoas sorrirem, sabe? Levar a vida com mais diversão e tentar não focar nos problemas.


Meu foco principal na rede social, e na influência com as pessoas, não é nem tanto com as marcas, mas é influenciar as pessoas a terem autoestima, a sorrir, a se reinventar, não baixar a cabeça, e que é normal cair, tropeçar, cometer atos falhos e se perdoar. Eu acho que é isso, eu acho que é influenciar as pessoas a se perdoarem porque a gente vai tropeçar muitas vezes. E a se gostarem principalmente.

A moda parece ser um novo território de expressão na sua trajetória. Você já havia desfilado na São Paulo Fashion Week e agora fez sua estreia internacional na passarela da Philipp Plein, em Milão. O que essa experiência representou para você e o que a moda significa hoje na sua vida?
Eu sempre gostei de moda, porque eu sempre entendi que eu precisava estar bem vestido pra ser mais respeitado ou pra passar uma mensagem de maior seriedade muitas das vezes. Mas eu não sou tão fashionista não, eu me arrisco pouco. Também não sou modelo, então com certeza as passarelas não vão ser algo que eu vou buscar. Eu tenho um senso em relação a isso.
Eu acho que foi válido fazer essa participação na Philipp Plein e repercutiu bastante, eu acho que deu uma humanizada, trouxe esse lado do amor pra passarela com os meus pais e eu acho que funcionou. Então a moda representa pra mim brincar com várias características que a gente sempre assistia nos filmes, então um dia você pode ser um mocinho, no outro tá todo de preto, ser o vilão sabe? Você pode se colorir. Então é uma tela em branco e a moda são as tintas e os pincéis, e eu me divirto com isso.

Fotos @marcosduarte____
Edição de moda @dudufarias


