Dalton Vigh já virou uma referência na TV e cinema por sua versatilidade e superação a cada novo personagem. O cara é excelente quando faz um bom moço, como o atual Renê Velmont, na reprise de “Fina Estampa”, e melhor ainda como vilão. Curiosamente Dalton está no ar em três trabalhos bem distintos e marcantes, além de “Fina Estampa”, ele também em “As Aventuras de Poliana” (SBT), direcionada para o público infanto-juvenil, e na reprise de “O Clone”, no canal Viva. Se você acha pouco pode ainda conferir a participação dele na série “A Divisão” (Globoplay). E em breve ele poderá ser visto nos cinema com “Sem Pai, nem Mãe”. Movido por novos desafios, Dalton, que completa 25 anos de carreira este ano e 56 anos de vida hoje, sempre disposto a sair de sua zona de conforto. “É essa busca pela realização que nos faz sempre mergulhar nos personagens para trazer à vida o que está no texto, esse é o desafio do ator”, conclui Dalton.

Dalton, com a volta de “Fina Estampa” nessa quarentena está sendo uma boa oportunidade para acompanha a trajetória de Renê Velmont? Mudou seu olhar sobre ele? A novela entra no ar quando estamos colocando os meninos para dormir. Às vezes consigo ver algumas cenas, mas não estou conseguindo acompanhar. Quanto ao olhar sobre o personagem, a própria passagem do tempo acarretou mudanças em mim, na forma que enxergo o mundo, no meu comportamento, então certamente interpretaria o Renê de outra forma, só não sei qual.

Você costuma se ver em cena? É muito crítico com o próprio trabalho? Acho fundamental acompanhar um trabalho que ainda está sendo gravado para poder fazer ajustes e correções. E exatamente por ser crítico e exigente comigo mesmo, acompanhar um trabalho feito há tempos pode ser um pouco angustiante porque não tenho como mudar que já fiz.

Quase 10 anos depois desse trabalho como está o Dalton ator hoje? Mais grisalho e mais ranzinza…(risos)

Pode-se dizer que um ator nunca se sente totalmente realizado, mas sim realizando sempre. Concorda com isso? Sim, concordo plenamente. E é essa busca pela realização que nos faz sempre mergulhar nos personagens para trazer à vida o que está no texto, esse é o desafio do ator.

Depois de alguns anos na Globo você se aventurou por outros canais e projetos. Acha isso saudável e necessário para rever alguns pontos na carreira? Acho saudável e necessário o trabalho, o exercício constante da profissão em diferentes personagens e estilos de linguagem, isso favorece e estimula o desenvolvimento do ator.

Hoje em dia sem os longos contratos e a exclusividade de canal A ou B que pontos negativos e positivos pode se ver nisso? Acha que para o grande público faz alguma diferença? Acho que para o para o público a diferença se dá ao se associar os atores e atrizes ao elenco de determinada emissora apenas. Já para os atores e para as emissoras existem tanto pontos positivos quanto negativos. Para os atores um contrato longo pode trazer estabilidade financeira e reconhecimento em larga escala, mas também a obrigação de recusar trabalhos interessantes em teatro e cinema ou até mesmo a possibilidade de passarem longos períodos sem participar de nenhum trabalho (ainda que disponíveis e com vontade de serem escalados). E para a emissora o contrato longo possibilita a associação de sua imagem com a qualidade do trabalho de seu elenco, o que traz credibilidade, mas pode ser economicamente inviável de acordo com a lei de mercado atual.

Há dois anos você participa de “As Aventuras de Poliana”, novela infantil no SBT. Como está sendo a experiência? Como é atuar para um público ainda inédito na sua carreira? Bom, depois de dois anos não considero mais como um público inédito (risos), mas a experiência tem sido muito recompensadora. O carinho e admiração das crianças é genuíno e de uma pureza única, elas são fãs dos personagens antes de tudo, com o público adulto a visão é outra. Às vezes a aparência física acaba atraindo mais interesse pelos atores e atrizes do que propriamente pelos personagens que interpretam.

Você vem marcando muita presença no cinema, com filmes como “Kardec”, “Nada a Perder” e em breve “Sem pai nem Mãe”. Era algo que você sentia falta mas por conta da correria de projetos na TV ficava difícil ou foi oportunidade mesmo? Foi meio que uma mistura das duas coisas, tive que recusar trabalhos por conta do contrato e com o fim desse, vieram mais convites.

Por sinal conta um pouco do que veremos nesse novo filme, “Sem Pai Nem Mãe”… Já tem previsão de estreia por conta da pandemia? É uma participação apenas, faço o ex da namorada do protagonista (Alexandre Nero), um secretário do meio ambiente muito ativo nas redes sociais e infelizmente não tenho a mínima ideia de quando vai ser lançado agora.

A série “A Divisão” debate muito a política e a polícia atual. Como foi participar desse trabalho e te trouxe de novo como ator e cidadão? Foi um trabalho intenso e meticuloso, do qual fico muito orgulhoso por poder ter participado, acho que o personagem me trouxe desafios que me tiraram da “zona de conforto”.

Falando nisso, como tem sido esse período de isolamento social? O que descobriu e o que te fez manter o foco? Isolamento social com dois moleques de três anos cheios de energia e um cachorro não deixa muito espaço para o tédio. Brinco muito com os meninos, faço brinquedos, tipo telefone com copo e barbante, conserto outros, assistimos desenhos, levamos o cachorro pra passear e nas horas que todos dormem, aproveito pra ler, ouvir música, assistir filmes e pôr as notícias em dia.

Do que mais sente falta e qual a primeira coisa a fazer quando puder sair? Sinto falta do trabalho, não vejo a hora de voltar a gravar, subir num palco, estar num Set de filmagem, essas coisas….

O que te distrai e te inspira? Música, Cinema, Teatro, Novelas, a Natureza, etc…

E o que tem lido, visto e ouvido ultimamente? Estou lendo uns livros do Theodore Dalrymple, tenho assistido filmes de espionagem da década de 60 e, até por influência desses filmes, música da década de 60, a maioria instrumental.

Quais os planos para esse resto de ano? O que vem por aí? Num momento como esse nem penso em traçar planos para não gerar ansiedade e consequentemente frustração, prefiro ir tocando o barco conforme a maré…