Nossa paixão por Carol Nakamura vem de muito tempo. Ela foi nossa musa na 2ª edição impressa, isso em 2011, depois voltou em uma capa p&b em outubro de 2015, e depois novamente em dezembro de 2018. A cada nova matéria fomos acompanhando a evolução de Carol como artista e como pessoa. A beleza e simpatia continuam as de sempre, mas cá entre nós, a Carol de 2020 é ainda melhor! Uma versão mais madura e apurada de uma mulher que sabe se reinventar e se desafiar a todo momento. Cada vez mais dedicada à função de atriz, Carol nessa quarentena tem estudado cada vez mais, testado novos formatos de se expressar e sua mais ousada atitude é exercer o papel de mãe do jovem Wallace que ela trouxe para a família. Ao lado do noivo Guilherme, tem construído não só uma nova casa, mas uma nova Carol dentro dos seus limites e desafios. E além de tudo descobrindo que ela tem garra pra muito mais.

E ai Carol, como foi a experiência de fotografar via facetime? Já tinha feito fotos assim? Foi uma experiência diferente. Nunca tinha fotografado via facetime. Acho que a gente tem que se acostumar conforme a mudança né? Por conta dessa pandemia, essa quarentena. Dentro de casa estamos nos reinventando então a foto mais bela pra mim vai ser sempre a foto mais segura. E eu gostei bastante, me surpreendi com o resultado.

Como tem sido esses dias de confinamento? Como tem ocupado o tempo? Ah eu tenho me ocupado muito, tenho colocado todos os meus projeto que eu não tinha tempo em dia. Atualizado e arrumado armário. Ficado mais com minha família, meu noivo, filho, meus cachorros…cuidando de planta, de obra à distância, eu estou construindo uma casa agora. Estudando, fiz um curso de oratória online, fazendo curto de atuação online… Enfim, a vida não parou não. E a rotina ficou intensa.

Quais as partes boas e as partes ruins desse isolamento? A parte boa é que eu acho que a gente precisava desse tempo pra seu auto analisar, se auto avaliar. Ver se o caminho que a gente está querendo seguir é o correto. O que realmente importa, acho que depois de tudo isso que está acontecendo no mundo estamos todos reavaliando os valores. Então antes não daria pra fazer isso, seria aquela agitação. Então eu acho que esse momento de estar avaliando valores, se reposicionando, pensando sobre a vida, se conectando foi muito importante. E a parte ruim é o distanciamento das pessoas que você ama, que você curte. As lojas fechadas, os comerciantes, as pequenas empresas… A parte ruim é tudo que está acontecendo ai fora né? As pessoas internadas, com problema de saúde. Essa infelizmente é a pior parte.

Como está sendo para manter o corpo em dia? A tentação para sair da dieta tem sido grande? Manter o corpo em dia tem sido como dá agora né? No início eu comecei muito bem, por que eu tenho os elásticos, tatame e usei bastante minha criatividade, usei uns treinos online. Só que depois, a repetição me incomodou um pouco por conta da repetição. Não ter todos os aparelhos que um academia te fornece, e acabei dando uma acomodada nesse período. Mas já já vou voltar. E também por que acabei mudando um pouco o foco também, resolvi ler mais, resolvi zerar meu Netflix, enfim… Ficar mais com a família como falei anterior mente.

Você e seu noivo parece que estão curtindo bem esse momento. Qual o segredo para uma quarentena de casal harmônica? Eu acho que o segredo pra um casal conviver bem é se respeitar. Respeitar o limite do outro. Ter admiração. Procurar sempre as qualidades, por que se você for contaminado pelos defeitos, por que os defeitos todos nós temos né? Por que se ficarmos olhando muito pra eles isso nos contamina de uma maneira que a relação não fica mais saudável. É estar sempre trazendo aquela lembrança de por que a pessoa está comigo, por que estou com ela, o que nos atraiu, o que faz essa relação dar certo. E fortificar o bem. Acho que a gente faz esse exercício diário sabe? Usamos muito a gratidão de estar juntos. A convivência é difícil para o ser humano né?!

Onde vocês se completam e onde são opostos? A gente se completa nos sonhos. Na mesma direção com nossos objetivos. Na parte familiar. E os opostos, são as formas né? Como se faz até chegar nesses lugares. As vontades são as mesmas só as escolhas de qual rua que a gente vai percorrer que é um pouco diferente. O Guilherme é um pouco mais impulsivo, tenso. Mas que ao mesmo tempo me encanta, por que exatamente o que me falta é o que ele tem. E vice-versa. Acho que a gente vai se complementando sabe?

Como começou essa relação e o que ele fez que chamou sua atenção? A gente começou sendo amigos. A gente trabalhou juntos numa encenação. E ai ele morava em São Paulo e eu no Rio. Ficávamos nos falando e depois a gente se reencontrou. E o que me chamou mais atenção nele é que ele é um cara de fato com o coração muito bom. Só deseja o bem para as pessoas. Acho isso tão difícil hoje em dia. É uma pessoa que me inspira, que me apoia, que me põe pra frente, então é um motivador na minha vida.

E os projetos, o que vem por ai? Vimos pelo seu perfil que você anda gravando umas coisas por ai… Muito. Eu ando fazendo experiências. Acho que essa pandemia toda veio par aprovar que tudo parou menos a internet. Então quero colocar todas as minhas ideias em prática de alguma forma. Experimentar novos lugares, me tornar mais independente sabe? Experimentar coisas que eu ficava muito travada. Simplesmente eu quero fazer, quero tentar. Eu não quero que nada mais me prenda. Acho que esse período foi muito bom pra isso. Então eu comecei a tentar escreve algumas coisas, não como profissional. Mas como curiosa. Colocar algumas ideias em prática. Eu acho que o mundo está evoluindo cada vez mais pra isso, pra gente ficar com mais funções né?! Hoje não basta só ser atriz né? Você tem que ser diretora, tem que ser editora, ser um pouquinho de tudo. Ser mil e uma utilidades ao mesmo tempo. O mundo está muito rápido e você não pode ficar pra trás.

Desde quando você saiu do Faustão, começou a trabalhar como atriz e alçar novos voos dentro da TV você percebeu que existem mais obstáculos do que imaginava? O que é mais difícil para se manter nesse universo TV? Como tirar de letra? Na realidade quando eu saí do Domingão do Faustão eu já sabia que esse universo era um universo muito difícil né? Que a procura é muito maior do que o espaço que se tinha. Existem muitos atores e atrizes, pessoas que estudam pra caramba, na luta de encontrar seu lugar. Não é nada fácil pra ninguém. Mas a mesmo tempo num foi uma escolha minha? Era pulsante. Não escolhi ser atriz, eu simplesmente não consigo fazer outra coisa com tanto prazer quanto ser atriz. Eu sinto uma necessidade real em ser atriz. Então eu quero explorar isso. É claro que fui muito feliz como apresentadora, eu curto todas as áreas, todas as coisas das quais eu fiz eu fui muito feliz. E agradeço. Mas eu sou atriz por que eu amo ser atriz. Não tem uma explicação. E eu já sabia que eu ia enfrentar muitas coisas. Até por que meu perfil é um perfil muito diferente, eu sou oriental, e oriental não é um perfil que aqui no Brasil se encaixa tão facilmente nos núcleos de novelas. Lá fora isso já mudou bastante. Eu estava assistindo “Vikins” e até lá tem uma oriental. Então eu acredito que isso vai vir para o Brasil. Já mudou muito, mas tem muito o que melhorar. Então eu já sabia que não seria fácil, asm a gente tem que fazer o que a gente ama né? Se não a gente não é feliz.

O que mais te move em ser atriz? Eu acho que tudo. Foi difícil perceber isso. Por que eu confundi com a dança, eu achava que era a dança, o palco, a expressão corporal que fosse me levar pra um lugar. Eu confundi com várias profissões das quais eu tive. Mas eu entendi que ser atriz pelo menos pra mim, não era um escolha é simplesmente ser. São os assuntos que me encantam, os lugares que me encantam, eu adoro estudar teatro. Eu sou desse lugar, eu quero esse lugar sabe? O que me move é simplesmente ser e o amor que eu tenho por isso.

Recentemente você e Guilherme adotaram o Wallace. Como veio essa decisão e como isso mexeu com você? O Wallace foi algo muito especial. E não foi nenhum pouco…, como eu faço na minha vida, eu me programo, até por que a maturidade traz isso. Mas o Wallace não foi uma programação, algo que eu escolhi. Foi um acontecimento. E um acontecimento necessário. Eu ajudo algumas crianças lá no lixão de Gramacho há algum tempo, fui dar uma festa de final de ano. Ele estava lá. Eu levei ele e mais duas crianças pra eles conhecerem uma ceia de Natal, quando eu perguntei a ele em que ano ele estava na escola, e ele me falou que nunca tinha ido na escola, aos 9 anos de idade. Quando fui leva-lo de volta eu fiquei muito impactada com isso sabe? Por que eu pensei, como esperar alguma coisa dessa criança se ele não tem o básico se ele não tem alfabetização? Como ele vai dar certo, como ele vai conseguir ser alguém. E isso pesou nas minhas costas. E eu tinha que fazer alguma coisa. Guilherme teve esta mesma sensação então a gente não pensou muito sobre. Fomos lá e conversamos com a família. Eles sabem da real necessidade da educação. A falou que a gente consegue colocá-lo numa escola, dá toda essa parte de educação, mas que para isso ele precisaria estar com a gente. Então eles super concordaram. E a gente vem desempenhando um papel super importante na vida do Wallace e ele mais importante ainda na nossa vida. Por que a transformação foi geral tanto na vida do Guilherme, quanto na minha, na do Wallace, quanto nos pais do Wallace. Acho que foi uma explosão de sentimentos e coisas boas sabe? A gente está super feliz, e ele está indo muito bem na escola. Graças à Deus.

Você foi mãe aos 16 anos, e como é ser mãe agora aos 37? Pois é, eu fui mãe com 16 e foi bem difícil. Mas ao mesmo tempo foi muito importante ser mãe aos 16 anos. Por que quando você é mãe jovem, nada te para. Parece que você tem combustível pra ir até om fim do mundo. Teu filho sempre será teu combustível. Nada te desanima. Você vira uma leoa. E quando você é uma mãe mais velha, no meu caso com 37, é diferente. Você tem uma calmaria. Você não precisa estar naquela batalha. Parece que quando você é mãe mais jovem você parece aquela leoa pra caçar. O tempo todo pra caçar, e numa luta constante. Lutando por você, pela sua família… Enfim, é muito intenso. E quando você é uma mãe, mais madura, você já passou por essa fase. Então é uma fase mais observadora, uma fase que você consegue curtir mais os detalhes, é uma fase que você tem mais um pouco de sabedoria pra indicar. É diferente. São duas Carolinas, duas mães completamente diferentes. Eu não teria como escolher uma só. Eu gosto das duas (risos)

Como lida com críticas e cobranças de público e da mídia? O que tira de letra? Olha, vou te falar uma coisa… Eu já me importei muito, chorei muito, tentei explicar muitas coisas. Que vinham da parte ruim da mídia, daquela parte da fofoca, da invasão de privacidade, daquela coisa de você ser uma pessoa pública e ter que se expor até onde você não gostaria… Por que a mídia em si é boa. Isso foi muito doloroso no início, muito por que eu não sabia lidar com isso. Me afetava. Eu queria que as pessoas entendessem um outro ponto de vista, enfim, de qualquer assunto que tivesse sido abordado na época e ficava me esforçando para que isso acontecesse. Hoje eu entendi que não adianta, seja mídia ou qualquer coisa, você não tem que provar o que você é. As pessoas que te conhecem elas sabem, quem você é. Quais são seus princípios, quais são seus valores. Então o que as pessoas pensam com relação ao que a mídia fala, é momentâneo. Pode ser até real em algum momento, mas é um pedaço da sua vida. Não sua vida inteira. Então quando eu tomei consciência disso, isso me machucou muito menos. Mas vou te falar que graças à Deus hoje, eu tiro de letra. Eu ainda sofro um pouco, mas muito menos do que antes.

Qual seu pecado favorito? Eu gosto muito de comer né? Sou uma pessoa que gosta de comer bem (risos).

O que mais deseja fazer depois que passar essa quarentena? A coisa que eu mais desejo… ah eu quero fazer muito teste, quero me experimentar demais, quero me jogar dentro da minha profissão. Eu quero cavar minhas oportunidades, quero trabalhar pra caramba, ver minha casa pronta. Que já tá quase pronta, graças à Deus. Depois de todo esse trabalho, voltar pra casa e ter um lugar pra descanso, com uma vista tranquila, meus cachorros, meu filho, meu marido. Eu quero viver todos os momentos que eu perdi, no decorrer da minha vida. Tentar coisas das quais eu não tentei, me arriscar mais. E voltar pra casa e saber que estou sendo acolhida pelas pessoas que mais amo. Acho que isso que eu quero fazer.

Fotos Nilo Lima / Produção executiva Márcia Dornelles

Assist. de Fotografia e edição de vídeo Paula Dias

Assista o making of do ensaio: