Com 34 anos de vida, 28 deles dedicados a carreira, o ator Hugo Bonemer é um dos nomes mais conhecidos, e respeitados, de sua geração. O artista se mostrou bastante versátil não somente na telinha, ao dar vida a galãs, para além disso, nos palcos ele tem mostrado dramaticidade para viver de ídolos nacionais com garra e determinação até o mais doce rapaz em uma história que mostra o horror, e preconceito, em campos de batalha.

Desde 2018, o ator assumiu o posto como um dos apresentadores do canal Like, ao lado de Mayte Piragibe. Desde início já mostrou que tem talento e simpatia para o cargo, fazendo várias entrevistas dentro e fora do país. Além de ator, o paranaense de Maringá também é bastante atuante em suas redes sociais. Todos os dias assuntos como veganismo, causa LGBTQIA+, preservação do meio ambiente, são vistos em posts, compartilhamentos e reflexões, tendo sempre em vista o papel de informar aos seus seguidores.  

Refletindo todo o seu talento, e versatilidade, ele esteve nos estúdios do fotógrafo Marcelo Auge, em São Paulo, para um ensaio especial para a MENSCH e entre um clique e outro falou com a gente sobre os mais diferentes temas, de projetos futuros a representatividade, Bonemer não deixou de responder nada.

Você possui uma longa experiência em teatro. Com a pandemia o setor sofreu bastante. O que você tem a dizer sobre esse período? A pandemia obrigou artistas a aceitarem de uma vez por todas as plataformas digitais, assimilando o teatro transmitido ao vivo como parte do novo normal. Acho improvável que isso não continue no pós-pandemia.

Após a pandemia, quais são os projetos que você gostaria de realizar? Gostaria de realizar mais trabalho no cinema, além disso, gostaria de finalmente me arriscar a escrever.

Você estará na série ‘O anjo de Hamburgo’ (Globo). O que você pode falar sobre? Vi em uma entrevista que você tem uma história bem interessante que liga você ao local onde acontece parte da história. Pode falar mais sobre? Eu vivi na cidade de Bremen por um ano e trabalhei como professor de alemão dez anos atrás. Quando recebi o texto do Günter Schmidt me emocionei quando vi que o personagem morava justamente em Bremen. Na história ele tentar fugir para ao Brasil e escapar do nazismo.

Você apresenta há alguns anos o Canal Like, onde fala, entre outros assuntos, sobre cinema. Nesses anos você entrevistou várias estrelas internacionais e nacionais. Me diz algumas que você guarda com carinho e porquê? Entrevistei estrelas internacionais como Justin Timberlake, Angela Basset e Vittorio Storaro, mas a minha maior gratidão é poder intermediar o contato entre artistas brasileiros com o público daqui. Minha função nas entrevistas é aproximar o entrevistado do espectador, incentivar o consumo de produção nacional, e nesses três anos entrevistei gente que faz cinema brasileiro com paixão, como Susanna Lira, Jose Alvarenga Jr e Lima Duarte.

Você é um artista que se coloca bastante nas suas mídias sociais em questões que vão de encontro com o que defende. Como você vê a reação dos seus seguidores e dos haters? Eu sei que um artista que se posiciona afasta uns e acolhe outros, e eu agradeço de coração aos que permaneceram. Hater de quem não gosta do meu trabalho dói, mas passa. Pior seria receber hate de quem defende uma causa. Eu sentiria que falhei de verdade.

Você há alguns anos tem um estilo de vida vegano. Quais foram os desafios e quais os prazeres, ou benefícios, dessa nova forma de viver? O maior desafio em ser vegano é ter que dar explicações sobre isso no dia-a-dia; porque de resto é mais barato, mais nutritivo e muito fácil de encontrar. Para qualquer pessoa que não goste de cozinhar e precise comer na rua, de forma muito prática e apenas com industrializados, vegano ou não, a alimentação será mais cara e de baixo valor nutricional.

Você há alguns anos falou abertamente sobre sua sexualidade. Acha que existe ainda muito tabu em falar sobre o assunto? Sinto que uma parte do mundo mudou para melhor, e existe o risco de a gente se acomodar e ser engolido por uma parte que deseja voltar ao antigamente, quando se podia diminuir, segregar, humilhar e inviabilizar pessoas pela sua natureza afetiva.

Muitos fãs te agradeceram e até falaram que você os encorajou em poder falar sobre ser gay. Como você vê essa influência? Fui o primeiro ator jovem com uma carreira em construção a falar abertamente sobre minha natureza afetiva, e isso me assusta. Queria muito ter tido essa referência vinda de alguém. Quem não precisou enfrentar um armário pode não enxergar o valor da coragem de quem precisa sair dele, e me emociono o tempo todo com o depoimento dos que passam por isso, por representar uma inspiração para elas, e principalmente porque acabei me tornando a representatividade que desejava ter tido.

Além de atuar e cantar você também dubla muitas animações, fez sucesso com o personagem Tronco de ‘Trolls’. Há algum novo projeto na área? Estive nos cinemas com “007 Sem Tempo pra Morrer” dublando o vilão interpretado por Rami Malek, e em 2022 estarei nos cinemas com ‘Além da Lenda’, animação brasileira em que interpreto o Curupira: aqui todo feito de plantas, protetor das matas e lutando pela redução do uso de plásticos.

Se arrepende de alguma escolha na vida/carreira? Sou muito novo para falar em arrependimentos. Só consigo pensar em gratidão por todos que me ofereceram trabalho.

Alguma realização na vida que ainda quer realizar? Ainda quero sentir como é contracenar com os grandes atores e atrizes que me inspiraram a vida toda. Imagina só fazer um filme com a Marieta Severo? Com Lima Duarte? Com Marco Nanini? Eu queria servir café para eles, passar andando no fundo da cena, ficar mudo, mas ali do lado. Acho que sentiria uma vitória interna que desejo sentir.

Destaca um momento do teatro, da TV e da sua vida que você emolduraria e colocaria como um feito a ser lembrado? Cantar em Nova York na apresentação de dez anos do musical Yank, com os elencos do mundo todo, foi emocionante demais!

O que o Hugo de hoje falaria para o Hugo de 10 anos atrás? Eu falaria pra mim mesmo que a timidez é um defeito, percebida pelos outros como arrogância e tentaria me convencer a ser vegano mais cedo… isso mudou a minha relação com o sentimento de inferioridade que me fazia tímido em muitas circunstâncias. Quando você escolhe não se sentir superior a um animal com o poder de criar, matar e comer; também leva isso pra outras esferas, e não se permite sentir nem superior, e nem inferior. O veganismo mais cedo teria me resumido anos de terapia.

Fotos Marcelo Auge

Styling Celso Ieiri

Beleza Lelooeta

Hugo veste Atelier Freiheit, tênis Fila

Agradecimento especiais Eduardo Dugois e Márcia Mota