Prestes a dar um grande passo na sua carreira de ator, Victor Sparapane é a nova aposta do streaming para sua nova série, “Cidade Invisível”, com direção do premiado Carlos Saldanha. Se você está ansioso imagine Victor!?! Até por que se depender de fã clube o cara já tem vários, e fora do Brasil. Conquista que veio com seu segundo trabalho na TV, a novela “Jesus”, da Record. Um trabalho que o levou para Marrocos e rendeu ótimos frutos. Aliás, nada é por acaso e tudo está conectado. E disso que Victor sabe bem como funciona e tem batalhado por seu lugar ao sol. Agora que venha muito mais. Enquanto a série não estreia, ainda neste semestre pela Netflix, conheça um pouco mais dessa cara que vai dar o que falar.

Victor você fez sua estreia na TV em 2012 em “Malhação” aos 20 anos. Hoje você está quase na casa dos 30 e prestes a estrear no streaming. Como tem sido o processo de amadurecimento até aqui? Acho que agora sou uma criança com mais experiência do que antes, talvez menos romântico, o que realmente ganhei de lá para cá tem sido repertório e estofo, ser ator não é fácil e ser um bom ator é ainda mais difícil. Para isso você precisa exigir de si a excelência como faria um atleta de alto rendimento, pelo menos na visão mais erudita e romântica da profissão ser ator. É uma escolha que vai além de apenas uma profissão é quase um kung fu uma maneira de enxergar e viver a vida.

Tudo aconteceu como esperado? Faria algo diferente? Por sorte não, se você tem tudo que deseja está perdido. Sou muito grato de trilhar os caminhos que trilhei com meus erros e acertos. O mais importante é o que você faz com o que a vida faz de você. Sigo buscando fazer boas escolhas mesmo errando de quando em quando, e segue o jogo.

Em 2018 você participou da novela “Jesus” na Record. Como foi a experiência? Gravei a novela quase inteira em Ouarzazate no Marrocos que é um Polo do cinema internacional. Um dos nossos produtores locais tinha acabado de gravar nada mais nada menos que “John Wick” e “Game of Thrones”, posso te dizer que só de estar em uma atmosfera cinematográfica desse quilate dá uma sensação única que você sente assim que pisa no set de gravação. Sei que isso tudo soa bem glamoroso afinal gravei em um lugar onde até o Marlon Brando já gravou, porém por conta da secura do ar muitos atores, inclusive eu, tivemos insônias consideráveis. Além da temperatura que às vezes passava os 50 graus celsius. Como experiência foi desafiador, mas com certeza foi essencial para compor a atmosfera que a história pedia. Pode soar estranho mas acredito que sair da zona de conforto pode ser mágico, e um certo grau de adversidade pode fazer bem (risos). Esse ano a novela “Jesus” estreou na Argentina e tem feito recordes de audiência fiquei muito feliz de ter sido convidado pela Record para fazer parte dessa superprodução que carrega a mensagem mais importante de todas pelo menos na minha visão que é a do Amor.

E agora está prestes a fazer sua estreia na Netflix com a série “Cidade Invisível” como grande aposta do canal. Como surgiu o convite e como foi participar desse trabalho? Tinha enviado um vídeo teste para Renata Kalman no final do meu contrato com a Record para uma outra série da Netflix e depois de alguns dias ela retornou querendo me testar para “Cidade Invisível”, disse que eu tinha a cara do projeto, então gravei mais um ou dois vídeos até ser aprovado. Bom e quanto a compor o elenco de um trabalho como esse naturalmente exige um alto nível de comprometimento e isso é muito bom porque me puxou para um nível mais alto e isso é demais. Amo poder trabalhar com profissionais de um quilate tão alto porque a troca é sempre uma aula onde o set é como um tatame sagrado.

Como foi ser dirigido por Carlos Saldanha? Ele acompanhava todas as gravações mesmos as que varavam a madrugada. Estava sempre atento a cada detalhe do processo, um super profissional que dispensa apresentações além de ser uma pessoa muito bacana de uma sensibilidade ímpar. Fiquei verdadeiramente feliz de poder conhece-lo.

Imaginava chega a isso em tão pouco tempo de carreira? Comecei a me dedicar e a estudar atuação em 2008, então na minha perspectiva um terço da minha vida foi dedicado a essa carreira mas é aquilo as vezes demora 11 anos pra que você faça algo notório, mas sei que isso tudo ainda é o começo e que tenho bastante lenha pra queimar.

Por conta de seus trabalhos anteriores você terminou ganhando muita visibilidade em países como Argentina, EUA, México e Chile. Com a estreia da série isso deve tomar outras proporções. Qual sua expectativa? Fico contente em poder fazer parte desse projeto da Netflix que vai levar nosso folclore brasileiro pro mundo todo. Quanto às expectativas prefiro deixar rolar.

Este ano você assinou com a ICM em Los Angeles, mesma agência do Samuel L Jackson. Como foi isso e o que vem por aí? Costumo dizer que me preocupo somente em ir plantando as sementes por onde passo e então deixo que o tempo e o cultivo falem por si só. Mas a ideia é explorar o mercado a nível internacional, ainda estou esperando uma ligação de boas-vindas do Samuel mas até agora nada.

Indo para o início, sempre soube que queria ser ator ou foi algo que foi surgindo? Tinha alguma outra profissão em mente caso não desse certo? O que eu sempre tive foi uma costela meio subversiva então foi basicamente a única profissão que eu encontrei que poderia explorar essa minha essência rebelde. Acredito que o grande barato da vida está na jornada em si, na vida muitas vezes as coisas não dão tão certo. Todo caminho que você trilha tem suas devidas porções de alegrias e tristezas, mas se não fossem os nãos que eu já tomei e ainda tomo não teria o mesmo estofo e maturidade para ser quem eu sou hoje e isso é mais que certo.

E como foi gravar com Anitta para o clip “Zen”, quem estava mais nervoso? (risos) Todos sabem que ela é fora da curva e trabalhar com uma profissional desse calibre é sempre uma experiência muito enriquecedora. Tenho ótimas memórias desse trabalho. Quanto ao nervosismo, bem a gente era novinho e solteiro depois do primeiro beijo técnico o nervosismo fica de lado. (risos) 

Soubemos que praia e surf é o que você curte para relaxar. Como surgiu essa paixão? Fora todo o condicionamento físico que o surf me dá ele também é terapêutico, a conexão com a natureza e o esporte sempre foram importantes pra mim. Eu fui criado no Guarujá, com 8 anos meu pai começou a me levar pra surfar e desde então eu nunca parei.

Recentemente você participou da campanha da Calvin Klein. Você é muito ligado em moda? Qual seu estilo? É importante você aprender a vestir a roupa e não deixar ela te vestir. Como conceito me considero um minimalista caviar, não preciso de muito mas gosto de qualidade.

Se considera um cara muito vaidoso? Até que ponto? Não sendo heterotop o resto tá valendo (risos). Dito isso sei que a vaidade faz parte do mercado no qual estou inserido e que a sabedoria de um homem está na justa medida e isso se vier só virá mesmo com o tempo e com a prática. Quanto ao conceito de minimalismo que citei na resposta anterior me serve como um alerta ao consumismo desenfreado, que é uma das grandes tendências da juventude líquida da qual eu me vejo inserido.

Como cuida do corpo? Faço academia desde os 14 anos, quase não como açúcar, tento bater minhas metas de proteína e carboidrato. E dependendo do papel eu vario as intensidades e frequências dos treinos, mas geralmente corro de manhã e faço academia à tarde, como carne vermelha no máximo uma vez por semana e tento não ingerir mais do que eu preciso o que é bem simples na lógica mas bem cruel na prática.

Como usou o tempo durante essa quarentena? O esporte e os livros me ajudaram bastante. Também fiquei bastante tempo com a minha família e voltei a fazer aulas de canto. Mas confesso que o emocional ficou em transição. Tenho a sensação de que todo mundo deu uma pirada. Meu foco tem sido cuidar bem do meu emocional e garantindo isso, consigo fazer boas escolhas no meu dia a dia e assim a vida segue, como diria Clarisse Noix, capota mas não breca.

Para encerrar… Fala um pouco desse novo personagem e o que podemos esperar de “Cidade Invisível”. O nome dele é Manaus mas infelizmente vou ter que deixar o que tenho pra dizer sobre a construção dele para uma próxima. O que posso dizer é que e “Cidade Invisível” é uma série única que incorpora elementos do folclore brasileiro com o toque especial do nosso diretor Carlos Saldanha, indicado duas vezes ao Oscar. Uma coisa é certa nunca estive tão ansioso pra escutar aquele Tudum.

Fotos Pedro Pedreira

Styling Luana Alves

Beleza Michelle Acquesta