Aqui na MENSCH nós gostamos de contar histórias de pessoas que superaram suas adversidades e atingiram o sonhado sucesso profissional. Sucesso esse que é relativo e que traz muito mais responsabilidades. O ônus e o bônus do sucesso. Saber lidar com esses dois lados é tão difícil quanto chegar lá. Ricardo Eloi é um belo exemplo disso. Ficamos impressionado com sua história de superação e os resultados atuais como sendo o maior em vendas de colchões tecnológicos no brasil. Quem vê Ricardo hoje em dia não imagina a bagagem que ele trás e como ele teve que driblar as adversidades da vida sem se deixar abater. Só para você ter uma noção geral, ele foi abandonado pelos pais, morou em orfanato, vendeu alface na feira com o tio… Trazendo as cicatrizes da vida, Ricardo deu a volta por cima e nos mostra que lamentar por não ter uma vida ideal ou justificar desvios de conduta por conta de uma infância difícil não leva a nada. Empresário, pai e acima de tudo um homem que saber o valor das boas e das pequenas coisas. Esse é Ricardo Eloi de hoje e do futuro.

Ricardo, hoje você é uma referência de empresário de sucesso que serve de exemplo para muita gente. Olhando para trás, em algum momento passou por sua cabeça que não “daria certo”? Não, em momento algum! Eu sempre tive convicção e certeza do que eu queria para mim, das minhas qualidades, dos meus pontos fortes e da minha competência. Eu costumo dizer que eu não defino metas para mim, eu tenho muita fome, por isso, não defino metas e não coloco pontos para ser alcançado. Eu me sinto como um alpinista, subindo o Everest, então não olhe para baixo para ver o tanto que subiu, só olhe para cima pra ver o tanto que ainda tem que subir.

De vendedor de frango no início da vida adulta até a descoberta de que colchões era sua grande sacada. Como foi essa trajetória. Onde acertou e onde faria diferente? Meu pai morreu dia 14/09/2014, e este foi uns dos grandes divisores de água da minha vida. Com a morte do meu pai, aconteceu uma revolução dentro de mim, que eu não consigo explicar a intensidade, mas o feito sim. Eu voltei a trabalhar no frango, eu já não era a mesma pessoa e foi quando eu pedi para sair de lá. Eu sempre recebi elogio das pessoas que me cercavam porque eu era muito carismático, falava muito bem, me articulava bem, mas eu nunca me vi no mundo das vendas. Então, do frango ao colchão foi um encontro do Ricardo carismático com o Ricardo vendedor, eu não sabia que eu tinha um talento para vendas, até eu entrar nesse mundo. Não, mudaria uma vírgula de tudo que aconteceu, pois aconteceram muitas coisas, errei muito, mas cada passo errado que eu dei, serviu para ser quem eu sou hoje.  Então, não mudaria nada, as dificuldades que eu passei, das limitações, dos obstáculos, tudo isso só foi me fortalecendo.

Para quem olha o faturamento da empresa e o cara de sucesso que você é hoje não imagina o quando de dificuldades você passou. Da infância, vendendo alface com o tio até os três anos no orfanato, ficou algum trauma ou ensinamento que você levou para avida?  Ficaram muitos ensinamentos. Eu não perdi a minha essência, aquele menino do interior. Falar de si mesmo é muito difícil, mas ficaram muitos ensinamentos de que temos que respeitar o próximo, aceitar a limitação de cada um, entender que cada um tem o seu momento, e é como eu costumo dizer para as pessoas que não é de onde você vem, mas sim, aonde você quer chegar. Eu sou exemplo vivo de alguém que nasceu em casa de chão vermelho, três cômodos, que dormia no chão da sala, alguém que passou muita necessidade e conseguiu conquistar tudo o que eu conquistei. O mundo está cheio de oportunidades, o mundo gera oportunidades diferentes para você, é sua percepção, é a sua vontade, é o que você quer da vida que faz a diferença.

Você foi abandonado pelos seus pais ainda criança. Como lidou com isso e como te fortaleceu como homem? O que ficou disso tudo? Eu faço terapia toda semana porque eu sou um ser humano, como outro qualquer, ainda sofro muito com isso. Eu amadureci muito cedo, eu costumo dizer que eu fui jogado para os leões com apenas 16 anos de idade, e já com essa idade morava sozinho, depois de ter passado três anos morando no orfanato. Amadureci muito, tinha tudo pra ser um drogado, um vagabundo, um ladrão só que eu já sabia que a vida já tinha me imposto dificuldades naturais, e eu não poderia criar outras para mim, por isso, não tenho nenhum vício – não fumo, não bebo, nunca usei droga, porque já era tudo difícil para mim. Deixa cicatrizes, mas mágoa, não. Sinto não ter uma família normal, uma família como outra qualquer, mas um dos fatores principais para eu ser quem eu sou hoje, foram as dificuldades que a vida me impôs.

Muitas vezes, as pessoas justificam desvios de caráter e condutas por histórias como a sua, de ter sido abandonado pelos pais ou ter morado em orfanato. Sua história de vida, mostrou que não é por ai. O que você diria para essas pessoas que pensam assim? Desculpa! Costumo dizer que isso é “muleta” achamos desculpas para tudo, para justificar nossos erros e nossas fraquezas e na verdade, todos nós temos. Durante um período da minha vida, eu usei minha historia de vida ao meu favor, para me beneficiar de certo modo. Para que as pessoas tivessem dó de mim, eu falava da minha historia para que as pessoas se comovessem comigo e me dessem mais oportunidade, mais carinho, mais atenção, depois de um tempo percebi que o talento natural que eu tinha, o esforço, a garra, a gana – eu não precisava usar minha historia ao meu favor. As pessoas ficam arrumando desculpa para as suas fraquezas, é sim uma fraqueza.

Qual a importância de biscoitos e iogurtes em sua vida? Explica para o leitor entender melhor (risos)… Quando eu era muito pobre, eu sonhava que no meu primeiro salario que eu ganhasse, eu iria comprar a bolacha “Bono de doce de leite” e iogurte. Quem ouve uma coisa dessas hoje em dia, talvez não entenda, mas a restrição na década de 90 era muito grande para mim, eu era muito pobre. Meu primeiro presente eu ganhei aos meus 11 anos de idade do meu pai, que era uma bola de futebol, para ter uma ideia de como era difícil. Minha mãe não costumava levar a gente para uma loja e nem para um supermercado porque não tinha condições de comprar e deixava a gente com vontade, mas mesmo assim eu amava a “bolacha Bono de doce de leite” e iogurte. Eu jurava para mim mesmo que no meu primeiro salario eu iria gastar todo em bolacha e iogurte.

Para você, o que foi determinante para o seu sucesso como empreendedor e empresário? Disciplina! Eu fui muito disciplinado. Como falei, as condições eram muito desfavoráveis, muito desfavoráveis. Então, eu tive que me dedicar muito, lutar muito para chegar aonde eu cheguei. Acredito que foco, disciplina e determinação, qualquer um pode ter, e eu já tinha um talento natural. Quando eu conciliei foco, disciplina e determinação com o talento natural que tenho, já estava tudo pronto para o sucesso. É claro que eu estava no horário certo e no lugar certo, tive muita gente que me ajudou, serei eternamente grato a elas.  Pessoas que estenderam a mão para mim em momentos de dificuldades, pessoas que não me negaram um prato de comida, uma cama, porque gestos mesmo pequenos como esses, me ajudaram a ser quem eu sou hoje.

Chegar lá é difícil, mas se manter é mais difícil ainda. Como se manter? Como se manter inovado e em alta independentemente de crise ou concorrência? Eu sou insaciável, eu amo o que eu faço. Costumo dizer que a Sono Quality é uma extensão minha, eu não consigo ver a Sono Quality como minha empresa ou como outra empresa. A Sono Quality faz parte de mim, é minha essência, é como se ela fosse extensões dos meus braços e das minhas pernas. Eu venho trabalhar todos os dias com um nível de exigência e perfeccionismo muito grande que fazem parte da minha natureza. Acordo de manhã para resolver problemas, porque se não tivesse problemas, não teria sentido eu vir para cá. Resiliência é uma palavra que eu uso muito no dia-a-dia para manter a empresa em alta, para entender a pessoas. Sou muito perfeccionista, o meu nível de exigência é muito alto, quando o nível de exigência é muito alto, o sarrafo se mantém alto.

Hoje seu vice-presidente é um amigo da época de ralação. Relações de amizade verdadeira como a de vocês, de certa forma, supriu a carência familiar? Qual o valor de família e amizade hoje em dia para você? Sim, o Luciano Moura é um irmão que a vida me deu, faz parte da minha vida, da minha história. Não tem como falar da minha história, da história da Sono Quality sem falar do Luciano Moura. Ele faz parte da minha vida, tenho um amor enorme por ele, sou um paizão, o tenho como um filho para mim. Família é muito importante. Às vezes, estou em um sala de reunião, e aí eu vejo uma foto da minha filha recém-nascida que a mãe dela tirou às 15:00 da tarde jogada no sofá, aquilo traz um sorriso por dentro que ninguém sabe. Quando meu filho Gabriel, de 11 anos me liga e estou no meio de uma reunião, eu paro a reunião para atender ele, porque eles são prioridades para mim, eles são minha vida, significam tudo o que eu sou – resumem tudo o que eu sou. E isso para mim, é família. Meus filhos que são expressão maior do amor e o Luciano Moura que é um irmão que a vida me deu e que a Sono Quality me deu.

E como surgiu essa ideia de investir em colchões terapêuticos e tecnológicos? Quais os grandes diferenciais hoje em dia? Eu comecei nos colchões terapêuticos em 2007- lá se vão 11 anos nesse ramo. E os colchões naquela época eram conhecidos com terapêuticos e a necessidade de qualidade de vida das pessoas só vinha aumentando. O mercado está muito exigente, as pessoas cada vez mais se preocupam com qualidade de vida. E eu fiquei muito antenado nessa questão de saúde, qualidade de vida e bem estar e vim transformando os colchões da Sono Quality nesses últimos anos, no melhor colchão que existe. Nos últimos três anos, o nosso colchão tem sido considerado o melhor colchão do Brasil. A fabricação da espuma é própria, a customização, a personalização do colchão ela é própria. Então, nós fazemos um colchão artesanal, tudo que existe de melhor em conforto e tecnologia está em nossos colchões, nos buscamos insistentemente em trazer novas tecnologias para o colchão. Por exemplo, este ano nós agregamos ao colchão a massagem sem ruído nenhum, nós estamos sempre na busca de evoluir em relação aos nossos produtos.

Hoje, a Sono Quality investe dois milhões de reais por mês em publicidade. Numa época em que tudo está muito digital e a publicidade procurando outras formas de se vender. A publicidade ainda é a alma do negócio. Como você enxerga isso? Sim, a publicidade ainda é a alma do negócio e provavelmente nos próximos 3 a 4 anos continuará. A mídia digital vem crescendo muito no mundo, e a Sono Quality vem investindo forte nas mídias digitais – é falar com o cliente de outra forma. Eu costumo dizer para as pessoas que dormir todo mundo vai continuar dormindo, e que quer qualidade de vida, um colchão de qualidade todo mundo vai querer. Não é se você vai vender esse colchão, é como você vai vender esse colchão no futuro. Minha preocupação é como vender esse produto no futuro. Então, eu estou muito antenado em tecnologia, tem muita novidade vindo ai. A Sono Quality vem se preparando para o novo mercado que vem ai, nos próximos anos.

Com 11 anos de mercado, que perfil você faz do público consumidor de colchões nos dias de hoje? O que falta para vocês? O perfil de quem compra o colchão da Sono Quality, ainda, infelizmente, é para remediar um problema que já existe. Nosso sonho aqui da Sono Quality é que as pessoas comprem nossos colchões pela prevenção. Nosso público hoje é 55+, pessoas que sofrem com problemas nas costas, circulação, dores. E o nosso sonho de consumo é que as pessoas comprem o colchão mais cedo, 30, 35 anos visando o bem-estar, qualidade de vida e o conforto que o nosso produto proporciona.

Quais os investimentos tecnológicos em colchões hoje em dia e para o futuro? O que podemos esperar dessa evolução? Em janeiro de 2020, nós lançaremos uma nova tecnologia com foco na densidade. Nós temos o Dr. André Rocha e o Doutor Jorge Junior que são dois fisioterapeutas que são especializados em sono. A Sono Quality está fazendo muitos exames e muitos estudos em seus produtos, mas em janeiro de 2020 vai ter uma novidade, mas não posso falar porque estragaria a surpresa.

Hoje em dia como pai, que ensinamentos você quer passar para seus filhos? O que quer deixar de ensinamentos? Eu os educo com exemplos, não basta falar, ensinar, você tem que dar o exemplo. Eu sempre dou exemplos de lealdade, honestidade, são coisas básicas. Acho que precisa ter gana, precisa ter raça, precisa ter sonho, sempre. E que eles não percam a simplicidade, porque difícil é ser simples. Então, por mais que hoje eles tenham uma vida confortável, que graças a Deus eu consigo propiciar para eles, que eles não percam a simplicidade, de alguém que vive com caviar, mas que pode comer arroz, feijão e ovo da mesma forma. A resiliência, a condição de se adaptar a qualquer cenário é a grande herança que eu quero deixar para meus filhos.

Você é um homem vaidoso? Do que não abre mão e qual seu fraco? Sou muito vaidoso, quase um metrossexual. Meu fraco é comprar camisa e relógio, tanto que, tenho uma coleção de relógios, gosto muito. Sapato eu gosto bastante também, mas meus pontos fracos são as camisas e os relógios.

Como equilibrar a rotina de trabalho com qualidade de vida? Difícil, porque eu falo de sono, eu vendo sono, eu vendo qualidade de vida, e eu sei a importância que o sono tem em nossa vida. Então, dormir bem para mim é essencial, não só dormir bem em tempo, mas sim em qualidade, que é o que o colchão da Sono Quality oferece. Com filhos pequenos, eu tenho uma filha recém-nascida, tenho que cuidar da saúde deles porque é um fator primordial para mim cuidar da saúde. Um dos grandes desafios do empresário e do homem moderno hoje é administrar o tempo, então esse é o grande desafio para mim. Tenho estudado muito sobre isso, mas eu tenho me cercado de muita competência, de muita tecnologia, de pessoas capacitadas para me suprir um pouco de meu tempo que é muito importante. Cada vez mais, meu tempo é mais importante.

Para relaxar o que faz? Qual a “válvula de escape” dessa vida corrida? Meu grande hobby é assistir filme. Frequento bons restaurantes, mas principalmente nas sextas, sábados e domingos assisto bons filmes e vou para o sitio que é meu refugio, um lugar lindo, no meio das montanhas. Minha casa está ficando pronta lá, com piscina, com tudo que eu tenho direito. Então, provavelmente, nos próximos meses e anos, será meu grande refúgio.

Quais os luxos que hoje em dia você se permite sem peso na consciência? Me vestir bem, com roupa de grifes e me alimentar bem. Essas são as duas coisas das quais eu não abro mão.

Aos 38 anos, como se vê daqui a 10 anos? O que falta conquistar? Eu me vejo um homem de negócios, diversificando meus negócios e investimentos, no ramo de construção civil, bolsa de valores, franquias. Eu pretendo diversificar muito meus investimentos, com a velha ideia de não ter todos os ovos em uma cesta só. Ter a Sono Quality ainda como matriz e principal fonte de renda, uma empresa líder nacional nos segmentos de colchões tecnológicos. Não ouso dizer que a Sono Quality daqui a 10 anos vai ser líder no segmento de colchões no Brasil, mas em colchões tecnológicos eu quero estar muito próximo de ser. Estamos passando por uma metamorfose nesse momento da historia da Sono Quality, no modelo de negócio, no modelo de gestão, trazendo tecnologias, agregando mão de obra qualificada. O desafio para o futuro, é América do Sul. Pensamos muito em Argentina, Bolívia e Chile. Portugal é outro sonho também, quando eu olho 10 anos pra frente, é isso. Tudo o que venho vivendo hoje para mim é um sonho, mas Jerusalém, pra mim é um sonho, conheço parte do mundo já, diversos países, mas estar em Jerusalém é meu próximo sonho.

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