Quando se fala no nome de Giovanna Antonelli logo lembramos do seu sorriso cativante. E também ficamos lembrando das diversas personagens que a atriz já interpretou até hoje. Mais recentemente lembramos da Lívia, da série “Filhas de Eva”, que estreou início do ano no streaming Globoplay, e já estamos curiosos para conhecer a Sara, sua nova personagem que em breve chega à TV com a nova novela das 19h, “Quanto Mais Vida, Melhor”. E o título dessa novela tem tudo a ver com nossa estrela. Incansável, além do papel de mãe e atriz, Giovanna também escreve livro e coordena seus grupos de licenciamentos, grupos de negócios, e a Giolaser empresa de depilação a laser, estética e beleza. Mas sempre cordial e atenciosa, Giovanna sabe o real sentido das coisas que agrega para sua vida. Tudo isso sem abrir mão do humor. “Sem ele tudo fica sem graça. Sem astral. Admiro quem consegue cultivar humor pela estrada da vida”, conclui ela.

Você é daquelas atrizes que se dedicam de corpo e alma, dança, canta e encanta. Com que idade descobriu a arte de interpretar? Qual a influência de seus pais em sua formação artística? Quais lembranças primeiras você tem do universo artístico? Que papel seu pai, Hilton Prado Antonelli tem na construção da profissional que se tornou? Desde muito cedo eu descobri esse amor pelo mundo das artes. Eu nunca me imaginei fazendo outra coisa que não fosse atuar! Minhas primeiras lembranças vêm desde muito cedo, meu pai cantando grandes óperas no Teatro Municipal e minha mãe bailarina. Então, basicamente a minha infância foi nas coxias e bastidores. Meu pai sempre foi uma grande inspiração por sua garra, foco, talento e humor, o cara mais engraçado que conheci. Ele se apresentou em vários idiomas, sem falar outra língua, estudando, se dedicando. Acho que foi daí que veio a minha obstinação, minha disciplina, e todo foco que coloco na área profissional de minha vida, seguindo exemplos que aprendi dentro de casa.

Você tem uma capacidade camaleônica de se apropriar das personagens. Quais fontes de inspiração costuma usar para compor seus trabalhos, e quais recursos usa para internalizar a personalidade da personagem? Como funciona o seu processo de criação, prefere o dia ou a noite? Eu me inspiro muito na mulher brasileira, sou uma grande observadora, cada papel que faço carrega essas mulheres, sabe? São, sem dúvida alguma minha maior, fonte de inspiração pra cada nova história. O texto, a direção e caracterização juntos já trazem infinitas possibilidades. Quando junto minhas inspirações, vontade de realizar e garra para criar a esses elementos, viramos uma potência. Gosto mais da noite pra estudar, decorar, ler. 

Sua 1ª experiência profissional na TV foi como Angelicat? Para você o que era fama nessa época? Continua sendo o que pensava no início da carreira ou seu conceito sobre fama transformou-se junto com sua formação como artista? Sim, Angelicat foi minha primeira experiência profissional na TV, uma grande oportunidade. Conheci muita gente, fiz vários contatos, estava ali desde cedo correndo atrás de meus sonhos. Sempre sonhei em ser atriz. E fama, sucesso, dinheiro… são consequências e colheitas de tudo que você planta. Trinta anos depois, continuo tendo o mesmo conceito. Hoje, além de atriz, também empreendo e continuo correndo atrás de todos os meus sonhos.

Com 30 anos de carreira, quais os trabalhos você considera mais transformadores pessoalmente e profissionalmente? E como faz para se reinventar a cada novo projeto? Acabei colecionando muitos papéis populares ao longo desses anos, que me traz muito orgulho e vontade de fazer cada vez mais a diferença. Acho que mais do que um personagem é a vida que te transforma, e vai te levando a novos níveis a cada ano, principalmente quando você está aberto para transformações. Que é o meu caso. Com isso acabo sempre estando aberta para cada personagem que me é oferecido, sem julgamentos e isso me traz sempre um frescor com ar de novidade pra criar mais e cada vez mais. 

Sobre as mulheres que te inspiram, quais são as EVAS que fazem parte da construção da Giovanna que conhecemos? Ouvi uma frase outro dia, que dizia “metade do mundo são mulheres, a outra metade os filhos delas”. E todas essas Evas têm histórias tão particulares, tão intensas, com tantas lutas, realizações, dor e amor, que seria injusto escolher algumas (risos). A mulher é a minha grande inspiração e sou grata por todas as gerações que me deram a oportunidade de estar aqui hoje.

Em março em comemoração ao Dia Internacional da Mulher a Globoplay lançou a série Filhas de Eva, escrita pelo quarteto Adriana Falcão, Jô Abdu, Martha Mendonça e Nelito Fernandes, com direção de Leo Nogueira. Drama leve, bem humorado, todavia com reflexões profundas sobre o universo feminino e os padrões impostos pela sociedade, observado pela ótica de três gerações de mulheres fortes, protagonizadas por você, Renata Sorrah, e Vanessa Giácomo. Fale sobre a experiência de atuar na produção e a importância da obra em especial, nos tempos tão conturbados e reflexivos em que vivemos. Temos um projeto impecável, em todos os sentidos, do texto à concepção, passando pelo elenco que foi um privilégio fazer parte. Um trabalho que realizamos com muita dedicação e entrega. Uma linguagem simples que, sem dúvida, se aproxima do público. Histórias e reflexões recheadas do cotidiano da vida real. A série carrega essas mulheres fortes, cada uma com suas questões internas, e super contemporânea. Um resultado que nos deixou muito felizes. 

Bem aceita pelo público e pela crítica, Filhas de Eva vem arrancando elogios pela fotografia, trilha sonora e abordagem delicada dos temas. Quais destaques você acrescentaria à lista? Qual sua cena preferida? Acredito sempre no sucesso coletivo, um elemento agrega e dá suporte a outro. Desde o início, esse era o espírito desse trabalho. Paixão, vontade de fazer a diferença, e trazer uma grande história e boas reflexões para os expectadores. Minha cena preferida é a que a Lívia quebra o carro, foi muito divertida de fazer (risos). 

Segundo dados de 15 de março a início de abril, a série atingiu a marca de três milhões de horas consumidas. E já há pedidos de uma 2ª temporada. Acha que irá rolar? Em sua opinião a que se deve esse sucesso? Foi um número muito relevante que me encheu de orgulho. Se vai rolar a segunda temporada não sei, mas que estou na torcida, isso, com certeza. Acho que o público também!!!! 

E como foi a experiência de ser dirigida por seu marido? Como acontecem as trocas profissionais entre vocês. Há planos no futuro, de intensificar essa parceria profissional? Sempre uma delícia trabalhar com o Leo, eu admiro muito o grande profissional que ele é, um grande líder de equipe e cheio de talento e gentileza. Infelizmente nesses 13 anos só nos encontramos 3 vezes, porque sempre estamos em outros projetos! Mas sempre que tiver oportunidade, faço questão de estar em suas produções. 

Casada há 13 anos, nos conta um pouco sobre como funciona a relação de parceria entre vocês antes e depois da pandemia. Quais as principais mudanças aconteceram em sua rotina? Temos uma vida muito tranquila, cercada de amigos queridos, e nossa família, que é a nossa preciosidade. Com a pandemia, tivemos a oportunidade de intensificar nossas relações e caminharmos cada vez mais juntos. Está sendo um privilégio, muito amor.

Para você o que é felicidade e o que te faz feliz? Acordar com saúde. Ter meus filhos por perto. Assistir ao pôr do sol. Ajudar conhecidos e desconhecidos. Cultivar bons amigos. Me sentir amada. Contato com a natureza. Cuidar de casa. Tomar uma tacinha de vinho…tanta coisa…ficaria aqui pra sempre escrevendo! 

Como lida com o fato de ser considerada símbolo de sensualidade, de mulher poderosa e bem resolvida? Isso te incomoda de alguma forma ou é algo natural? O que é idealizado por tantos, geralmente não faz parte da realidade (risos). Entendo que tenho muitos personagens marcantes, sensuais e populares. Mas são personagens. Eu vivo a vida no mundo real! Mas sou bem resolvida. E poderosas são todas as mulheres desse mundão, que estão sempre na luta e dando conta de tudo no dia a dia. 

Falando sobre corpo, como é sua rotina de cuidados com a saúde física? O que faz para se manter bem e em forma? Eu me exercito diariamente e tento sempre manter o equilíbrio na dieta. 

Indo para o lado mais espiritual, como é sua espiritualidade, em que acredita? Como alimenta e fortalece o espirito e a mente? Deus é meu guia. E acredito e respeito toda e qualquer religião. O que me move é minha fé. 

Uma característica sua é o humor. De onde vem sua veia cômica? Qual o papel do humor na sua vida? Humor deixa tudo mais leve, ele nos salva… faço um exercício diário pra não perder o humor jamais. Sem ele tudo fica sem graça. Sem astral. Admiro quem consegue cultivar humor pela estrada da vida. 

As pessoas quando se reportam a você, caracterizam-na como atenciosa, competente, versátil e divertida dentre outras tantas qualidades. Que fofo. Emocionei. (coração)

Mas sempre ressaltando o amor que dedica ao trabalho e compartilha por onde passa, qual o papel da família na construção dessa personalidade? Trabalho desde pequena, e sempre pude observar a dedicação de meus pais em suas profissões, de meu irmão em seu trabalho e me tornei uma obstinada por tudo que me proponho a fazer – do trabalho à criação de meus filhos. Tenho orgulho disso e, principalmente, me sinto grata por ter descoberto cedo minha vocação.  

Você é uma forte influenciadora no mercado. Seus posicionamentos são observados por milhões de seguidores. Conhecida por lançar tendências, tudo que usa, consome ou faz torna-se referência para muitas pessoas. Como lida com questões de associação de imagem e representatividade nos segmentos que atua e causam tanta repercussão? Eu adoro dar ideias, tô sempre criando e amo mais ainda quando o público curte. Trabalho pro meu público e pra quem gosta de meu trabalho. Acredito que quando vendo o que sou, o que uso e consumo, consigo uma comunicação direta com quem tá do outro lado e passamos a nos conhecer melhor. Essa cumplicidade é um presente.

Como lida com as questões de produção de conteúdos digitais? Costuma ficar ligada no que rola em suas redes? Como é sua relação com o público nas redes sociais? As redes sociais chegaram com esse poder de nos aproximar do público. Procuro sempre ficar atualizada e cuidar delas com carinho.  

Quais as grandes mudanças que você destacaria na evolução das linguagens artísticas que estão acontecendo no Brasil e no mundo em relação aos novos formatos digitais que estão surgindo? Eu acho que tudo vem para agregar. Na minha concepção, tudo que democratiza o acesso de todos à arte, cultura, informação, é sempre bem-vindo. O mundo está sempre em movimento e não seria diferente no mercado digital. E as mudanças serão constantes. Sem padrões e com muita diversidade de comunicação.  

Você é uma empreendedora de natureza inquieta, disruptiva, sempre em busca de inovação, seja em sua arte ou como empresária. Como funciona o processo de curadoria para identificação e seleção dos projetos com os quais deseja trabalhar? Participo de todas as etapas de qualquer projeto que esteja envolvida e sempre busco me envolver com experts. Jamais ‘atravesso’ uma área que não seja a minha, acredito em somar forças e me comprometo com o que sei fazer melhor.

Se considera ou já se considerou workaholic? O que faz, como e onde busca equilíbrio para tantos papéis que atua na vida pessoal, seja pelo lado empresária, atriz, mãe de um trio, esposa, mulher? A mulher é multi. Isso é fato. Como não tenho escolha e amo trabalhar, me viro e me desdobro com alegria, garra e gratidão. E depois desses 30 ano quero, cada vez mais, poder escolher meus próximos passos. Busco sempre o equilíbrio, mas é um pouco mais difícil com a vida que levamos. Meditar, exercitar o corpo, respirar, fazer alguma coisa por mim todos os dias, já podem ser boas dicas para nossas buscas de equilíbrio! 

Qual a infraestrutura da marca Giovanna Antonelli? Quais os projetos atuais levam a sua assinatura e em quantas unidades de negócios está envolvida atualmente? Hoje somos divididos em vários grupos. Grupos de licenciamentos, grupos de negócios, e a Giolaser empresa de depilação a laser, estética e beleza junto com a Carla Sarni uma das maiores do franchising no Brasil e minha sócia, já somos quase 150 unidades no país e aprendo muito com ela.  

Seu anúncio de possível aposentadoria está sendo motivo de muita especulação nos últimos tempos – você fez 45 anos no último dia 18 de março, e declarou que pretende se aposentar aos 50 anos. Como pensa em fazer essa transição e processo de desaceleração nesses cinco anos que estão por vir? Essa diminuição de projetos será na área cênica ou no ritmo corporativo também? Como imagina o futuro? Não consigo imaginar o futuro porque hoje, foco no momento presente, mas no passado, trabalhei pensando somente nesse futuro que é hoje (risos!). Como disse acima, quero cada vez mais poder escolher, mas estarei presente de várias formas, sempre – desenvolvendo ideias e novos projetos. 

Em seu livro “Vai Dar Certo”, de 2019, você descreve sua trajetória como empresária, qual mensagem você destacaria para o momento socioeconômico que estamos enfrentando na atualidade? Afinal, para você, tudo dará certo? De forma alguma. Tudo não. Mas muita coisa dá certo pra quem não desiste! Se eu estou aqui hoje, foi porque não desisti, embora, já tenha passado por várias situações que pudessem tirar minha motivação. Mas não desisti! E mais do que isso, a maturidade, a experiência te fazem resolver situações com mais agilidade e razão. Menos emoção. Tem um conteúdo bem prático e como lido com tudo isso está lá no livro.

Texto Mychelle Jacob

Fotos Vinícius Mochizuki

Edição de moda Ale Duprat

Produção de moda Kadu Nunnes

Giovanna veste: Look 1: Trench coat Skazi / hot pants Adriana Degress / scarpin Vizzano; Look 2: body Vintage Frankie e Amaury para Pop up Brands / joias Rommanel / sandália YSL