Não é preciso muita conversa para entender como Igor Rickli (34) não combina com seus últimos personagens mais famosos da TV. Atualmente, colocado na pele de um supremo vilão, o Lúcifer da superprodução Gênesis da rede Record, o ator mostra a que veio, já que faz enorme sucesso nesse papel apesar de ser um cara super família, que carrega como militância o amor e está sempre conectado com a natureza. Caso de sucesso na vida pessoal e profissional, ele nos revela a fase de transição pela qual está passando, permeando passado, presente e futuro.

Olhando para trás, pode-se dizer que Igor iniciou o projeto de sua carreira ainda na infância e que ela seguiu um curso muito natural até agora. “Eu sempre fui muito ligado com as artes através de meus pais que gostavam de cantar, tocar instrumentos e recitar poemas. Na escola, era aficionado por teatro. Com seis (anos) já fazia pequenos números para a família e na igreja, mas também lembro de olhar para a TV, ver os atores ali trabalhando e achar o máximo aquela forma de conexão. Entrevi que queria aquilo para minha vida, ainda muito pequeno. Tracei esse objetivo e segui como uma reta, sem olhar para os lados”, relembra.  

O porte e a beleza de Rickli o conduziram naturalmente para uma empreitada inicial de modelo, mas, sem desviar de sua pretensão, logo aos 18 anos, inicia uma jornada em busca de aprimoramento e oportunidades. “Saí do Paraná e fui para São Paulo fazer curso de teatro, depois vim para o Rio para estudar por um tempão. Lembro que logo que cheguei fiz até figuração para desmistificar e entender como funcionava. Continuei estudando e estudando e com o tempo, e muita persistência, os trabalhos foram começando a aparecer. E, olhando de lá para cá, estou muito feliz de ter conquistado meu espaço, porque foi com muita ralação mesmo”, pontua.

Mais uma vez a vida profissional e pessoal do ator se misturam e o deslanche de sua carreira, como pretendia, coincide com o início de seu romance com Aline Wirley – atriz, cantora e compositora (ex-Rouge) com quem tem um filho e uma visível e comentada simbiose. “O primeiro trabalho que me deu destaque foi Hair, um musical onde interpretei Berg, personagem que me trouxe uma experiência incrível, e eu tive a sorte de encontrar a companheira de minha vida. Foi quando me conectei com a Aline e a gente nunca mais desgrudou e nem pretende desgrudar”.

UM HOMEM DE FAMÍLIA

Aliás, ao falar de sua esposa, Igor não economiza palavras. “A gente tem uma troca muito legal: ela me estabiliza e eu potencializo ela. A Aline bota meus pés no chão, já que sou muito aéreo e ela vem e me traz segurança. Por outro lado, estou sempre impulsionando ela para que vá adiante, acredite, faça o que quer fazer, seja potente, completa e esteja em poder da força dela. Aline era muito tímida e eu vejo que agora ela se transformou numa mulher cheia de força e eu tenho o maior orgulho. Sou muito fã”. Mas, ao perceber sua empolgação, logo acrescenta “nem tudo são flores, toda relação tem seus percalços (risos)”.

A casa do casal, aliás, é um capítulo à parte. Pensada e vivida como uma extensão de sua personalidade, o lugar está encravado na mata e, ao mesmo tempo que traduz o modus vivendi da família, traz um pouco do mundo de fora para dentro. “O lugar para nós é muito emblemático. Não pela estrutura, mas onde está e o que representa. A gente foi procurar uma casa no meio do mato, há quase 12 anos, e ela se apresentou como um local que nos abraçaria e proporcionaria muitas experiências incríveis – desde a chegada de nosso filho, rituais lindos de casamento, de celebrações de amizades, de vida e de projetos. Fizemos até um show da Aline lá. A gente já fez muita coisa ali e ela é um reflexo nosso”, confirma Rickli.

Transcorrendo sobre o lar, Igor segue filosofando e revela uma grande novidade. “Temos sentido tanto a frase ‘nossa casa é onde a gente estiver’ que faremos uma transição sobre a qual ainda não falamos em público. Começaremos a construir uma nova residência com a mesma pegada em natureza porque isso é sagrado pra a gente, estar em contato direto com a terra, com a mata. Eu aprendo muito me conectando com o verde. Preciso ouvir barulho de água para me retroalimentar. Lembro que da outra vez, a gente fez toda a reforma e agora também vou colocar a mão na massa e fazer muita coisa para levantar o nosso sonho. Uma casa do nosso jeito, do nosso tamanho, com as nossas escolhas. A partir de agora, é uma nova etapa da vida. Então, a gente tá nesse momento de transição, o que me deixa muito feliz porque eu gosto de um bom desafio”, suspira.

EM MEIO À PANDEMIA

O cenário atual abalou praticamente todos os setores profissionais do país, na TV não foi diferente. Permeando intervalos de quarentena, demissões e crises, apesar de não ter sido diretamente afetado, o momento atinge a todos de alguma forma. “Entre idas e vindas de gravação parece que tô há dois anos fazendo a mesma novela, estamos aprendendo um novo ritmo. Nesse processo, tenho analisado minhas respostas a esse impacto que todo mundo vem sofrendo. É muito triste ver tantas pessoas perdendo o emprego e o nível de miséria aumentando. Tenho me observado bastante para não ser leviano com a dor alheia, para que não seja prepotente e agradeça estar saudável e trabalhando”. Para o ator, o momento é a chance de pensar no coletivo e achar uma nova forma de se relacionar. “São tempos difíceis, mas é preciso entender que, como coletivo, estamos passando por uma transformação de consciência, de educação. Saber lidar com a terra em que pisa, com o lixo que larga na rua, com a maneira que falar com as pessoas que estão trabalhando o dia todo pra poder manter essa engrenagem funcionando. Estamos sendo convidados a olhar para dentro sim, para entender tudo o que nos toca, nos dói e nos motiva, mas ao mesmo tempo, olhar pro outro e estar presente para ele”, pondera.

Igor comenta que o impacto econômico na própria equipe foi grande e que agora, com a retomada gradativa e consciente da rotina, de certa forma, a situação vem sendo contornada. “Gravo a novela toda do início ao fim, então tive pouco contato com o elenco, nisso minha rotina não mudou tanto, mas tô sempre com a equipe e foi muito duro quando a gente parou da primeira vez. Vi muitas pessoas perder o emprego, gente amiga começou a ser despejada e passar necessidade – não poder comprar comida, e isso foi surreal. Tentei ajudar na medida do possível, mas isso passou por cima de muita gente. Quando voltamos a gravar fiquei muito aliviado pelos empregados ali. Sei que é delicado, mas apesar de um pouco reféns do medo, vem a gratidão por podermos exercer nosso ofício e pagar as contas no final do mês”.  

A polarização das opiniões em todo o Brasil, atualmente, é mais um tema que tem causado um certo receio quando se fala em causas defendidas e militância. Para quem está diante dos holofotes, isso pode parecer uma missão ainda mais difícil. “Me sinto muito cobrado por mim mesmo a entender a que causas eu poderia me associar e fortalecer, mas acho que o momento é tão delicado. Existe tanta ideologia, verdade absoluta e necessidade de bom senso. Senão, a gente perde completamente o olhar aberto e fica estagnado numa coisa só. Tudo tem dois lados. Entendo apenas que minha militância é sobre o amor sem romantismo, o que meu pai me passou desde pequeno como filosofia de vida e religião. Um amor que quer transformar e não deslumbrar. Eu sei que parece clichê, e talvez tenha que ser clichê mesmo, mas essa é a minha causa”, finaliza.  

Texto Patrícia Calife (@petty_calife)

Fotos Guilherme Lima (@guilhermelima)

Assist foto Letícia Lavatori (@leticia_lavatori)

Edição de Moda Ale Duprat (@aleduprat)

Produção de Moda Kadu Nunnes (@kadununnes)

Produção Executiva Márcia Dornelles (@marcia_dornelles)

Vídeo Cervo Filmes (@cervofilmes)

Beleza Victor Fattori @victorfattori

Agradecimentos especiais @windsorhoteis @zonazen @abracciorestaurante

Igor Rickli USOU: Look 1: Eduardo Guinle, bota Mr Cat; Look 2: Eduardo Guinle, relógio Boss para Vivara, sapato Mr Cat; Look 3: Boss, relógio Boss para Vivara, sapato Ricardo Almeida

FICOU UM GOSTINHO DE QUERO MAIS? IGOR É CAPA DA NOSSA EDIÇÃO IMPRESSA #29 (COM FOTOS INÉDITAS DO ENSAIO), PEDIDOS PELO E-MAIL: revistamensch@gmail.com