Alto astral, simpatia, belos olhos azuis e muito amor pra dar. Praticamente isso resume os encantos que fazem de Laryssa Ayres uma atriz arrebatadora. Em sua segunda capa aqui na MENSCH, a primeira foi em 2018 por conta da sua personagem Diana em “O Sétimo Guardião”, Laryssa volta mais solta, visual e personagem novo. Destemida e mais segura de si e do seu papel na sociedade, Laryssa encarou um novo desafio na TV, a personagem Sarai na novela “Gênesis” e bateu um papo conosco sobre relacionamento, responsabilidade social e sobre prazeres na vida, afinal não se vive só de trabalho.

Laryssa, soubemos recentemente que sua estreia na TV foi na novela “Flor do Caribe”, em 2013. Como foi esse primeiro contato com a TV e o ritmo de novelas? O que representou para você? Lembro que foi meu primeiro contato em um set de gravação, eu tinha 16 anos e estava indo fazer minha primeira diária. Foi importante para entender o ritmo de um dia de externa, e ao final do dia meu peito se encheu de certeza, segui estudando e lutando por uma personagem fixa. Representou início de uma trajetória na tv.

Na sequência veio “Malhação”, que é sempre uma grande escola e uma bela troca entre novatos e veteranos. Como isso aconteceu com você? “Malhação” é uma delícia por você trabalhar com atrizes e atores que você cresceu acompanhando e poder estar contracenando e aprendendo com eles. E não só isso, como em sua maioria todos os jovens que ali participam estão realizando seu primeiro trabalho. O jogo acontece de uma forma muita bonita, pelo menos foi assim nas minhas duas temporadas de “Malhação”. Todos estavam disponíveis, atentos, se ajudando, estudando juntos. Criou-se uma família que até hoje convive comigo com muito carinho. Amo!

Esses trabalhos iniciais só reforçaram o desejo de ser atriz ou em algum momento bateu a insegurança se isso era realmente para você? Eu acho que a insegurança acompanha essa profissão de várias formas. Mas quando a vontade, o sonho, o propósito ultrapassam qualquer sentimento preocupante que possa surgir, vale a pena enfrentar e assim reforça a atriz que sou.

Em 2018 um papel meio que polêmico, a lutadora Diana em “O Sétimo Guardião”. Bateu mais do que apanhou? (risos) Como foi suar a camisa para defender essa lutadora que tinha que inclusive enfrentar o pai machista? Olha, acho que foi bem equilibrada essa luta (risos). Diana bateu, mas também enfrentou preconceitos, principalmente dentro de casa com os posicionamentos e atitudes machistas de seu Nicolau, interpretado pelo Marcelo Serrado, que amo e sinto muita saudade. Foi uma personagem muito importante que tive que levar com muita responsabilidade essa história justamente por ainda, mesmo que minimamente, existir tabus sobre o que é de menino e o que é de menina, assim como o karatê era visto pelo pai de Diana como esporte masculino.

E atualmente está como a Sarai na novela “Gênesis”. Como está sendo essa experiência? Por ser uma história que contamos há muitos anos, é de extrema importância entender o povo, sua cultura e a visão de mundo que está tão longe do nosso cotidiano atual. Ingressar no universo bíblico me expande para novas possibilidades e oportunidades profissionais.

Ainda sobre preconceito, sentiu algum ao assumir sua relação com Maria Maya? O que foi mais difícil e surpreendente ao assumir na época? Foi muito simbólico para ambas a decisão de não precisar mais esconder relações, por sermos de diferentes gerações tivemos uma troca de visões importantíssima para que hoje sejamos livres para vivermos como bem entendermos. Maria costuma dizer que eu fui importante para que essa normalização acontecesse na vida dela. Não chegamos a fazer uma grande mobilização ou um circo em cima da nossa relação para dizer que estávamos juntas. Muito diferente disso, da forma que a gente acredita, estávamos curtindo o carnaval juntas e me lembro de um jornalista me cutucar e perguntar: “Vocês estão namorando?’’, “estamos!” respondi, normal e aliviador. Depois me lembro que a noite festiva ficou ainda melhor (risos)! Nós nos surpreendemos com o carinho e aceitação do público, foi muito bonito, inspirador e nos fortaleceu. Se formos trabalhar em cima de porcentagens, podemos dizer que 95% de amor para 5% de falta de amor alheio.

Acredita ser mais fácil para jovens e mulheres assumir uma relação homoafetiva hoje em dia? Após profunda evolução sociológica, econômica e cultural, o conceito de família se tornou amplo na sociedade pós-moderna, surgindo novos padrões a serem considerados. Mas foi preciso muita luta de gerações passadas para que hoje possamos enfrentar de uma forma menos caótica a liberdade de amar. É muito importante lembrarmos sempre que foi uma luta árdua, em sua maioria agressiva levando à mortes. Fácil nunca foi e ainda está longe de ser, mas acredito estarmos conseguindo um lugar de fala mais amplo que nos leva a vitórias que vem sendo conquistadas com o passar dos anos.

Hoje em dia parece que assuntos como machismo, racismo e preconceitos de forma geral estão em todas as pautas. Como lidar com essas diferenças? Na verdade esses assuntos estão em pauta há anos, mas por estarmos em um mundo mais globalizado, com mais acessibilidade a internet, mais informações, essas questões alcançam mais gente. Temos que procurar nos informar cada vez mais sobre esses assuntos e principalmente escutar quem sofre na pele esses preconceitos, pois a voz dessas pessoas são a potência que precisamos para a transformação. É extremamente urgente o respeito e empatia pelo próximo, precisamos ser fortes para continuar seguindo em busca de uma sociedade melhor. E a luta é para todos, não só para quem sofre, mas para quem se solidariza com a dor do próximo e sente vontade de viver em um mundo mais justo.

Onde homens e mulheres precisam aprender mais sobre evolução? Com a natureza, sem dúvidas! Estamos muito afastados do verdadeiro sentido da nossa existência. Saber que o meio ambiente é parte integrante do ser humano é vital para entender que a natureza e humanidade devem caminhar harmonicamente. Com a revolução industrial e o avanço tecnológico essa troca caiu em desequilíbrio. O homem passou a competir contra a natureza retirando todos os recursos possíveis, prejudicando não somente o reino animal e a fauna, mas também a nós mesmos. Doenças graves começaram a surgir devido a esse desequilíbrio que surgiu entre humanidade e natureza. O homem tem agido com egoísmo destruindo o meio ambiente causando danos irreversíveis à natureza e à saúde humana. Nos dias atuais, a humanidade não vive, apenas sobrevive. É importante haver um processo participativo e sustentável, cada um fazendo a sua parte e respeitando o ciclo de cada ser. As técnicas adquiridas pelo homem devem servir para proteger o planeta, cuidar dos resíduos gerados e não para destruir a vida. Deve existir respeito à grandeza da natureza, reverência à Terra, caso contrário não será possível evitar a sua e a nossa destruição.

O que coloca um sorriso no rosto e o que te tira do sério? Meus amigos perto de mim sempre me tiram os melhores sorrisos. Me tira do sério desrespeito e injustiça.

Falando em prazeres, qual seu maior pecado? A que não resiste? Não resisto à viagens e comida.

Como foi enfrentar essa quarentena? Como ocupou o tempo e o que aprendeu? Não está sendo fácil emocionalmente falando, mas procuro cuidar do meu mundo interior para não adoecer com a série de notícias ruins que nós brasileiros viemos recebendo todos os dias. Comecei a pratica de meditação, por saúde faço alguns exercícios em casa, tem que ter música todos os dias, um momento pra dançar que eu amo. Leitura, e não deixar de ter contato com família e amigos mesmo que online, de alguma forma conversar com eles e saber que estão ali traz alívio. Aprendi que devo cuidar melhor do mundo, pois ele está indo muito mal, comecei a adotar hábitos mais sustentáveis e diminui significativamente o consumo de carne. Venho buscando alternativas rotineiras que dê para adotar e transformar aos pouquinhos pra melhor minha qualidade de vida e a qualidade do mundo que quero habitar.

Para conquistar Laryssa basta… Bom humor, leveza no coração, verdade nos sentimentos, afinidade para conversas intermináveis, parceria e respeito.

Para finalizar, um final de semana perfeito precisa ter… Natureza, meus cães, música boa e cerveja gelada (risos).

Fotos Robert Schwenck

Styling Samantha Szczerb

Beleza Titto Vidal

Agradecimentos Lybethras, Schhutz, 613 e By Segheto