O tempo não para um minuto para a nossa estrela de capa, a atriz Rosanne Mulholland. Da professorinha de “Carrossel” até sua atual personagem Lara em “Malhação”, Rosanne não teve trégua. E se for contar o número de trabalhos no cinema então… “Mergulhar em uma nova história é sempre uma aventura. Além do prazer que sinto quando estou em cena, acredito que, como atriz, sou a janela e sou o espelho”, comentou ela durante entrevista para a MENSCH. Com uma personagem desafiadora na TV, que foge completamente do perfil de seus personagens mais recentes, Rosanne vai de revelando uma atriz cada vez mais versátil e encantadora.

Rosanne todo ator geralmente defende seu personagem. No caso da Lara tem como defender? Sempre tem uma história que explica o porquê do personagem ser como é, mas isso não significa que essa história justifique as suas escolhas. A Lara usa o poder que tem pra atender os seus interesses. E isso não é nada bom. Posso até compreender as suas motivações, mas não dá pra defendê-la.

Depois de alguns personagens mais leves encarar uma personagem como a Lara termina sendo um desafio dos bons? Com certeza. A Lara tem sido um delicioso desafio. O vilão costuma ser mais rico em possibilidades e nuances, o que nos permite explorar diversas facetas do ser humano. O vilão, normalmente, é quem movimenta a história.

Esse ano pelo jeito tem sido de grandes conquistas, como a premiação por conta do longa “BIO” premiado em Gramado. Esperava por isso? Como foi pra você? Quando filmamos BIO não tínhamos uma ideia clara do que o filme se tornaria, visto que eram muitos atores filmando separadamente. Acredito que todo o elenco apostou na ideia original do diretor Carlos Gerbase e confiou na direção dele. O resultado me emocionou. É um filme diferente, sensível e tocante. O reconhecimento é merecido.

Cinema aliás, tem sido sua grande casa ao longo da sua carreira. Foi algo que foi surgindo ou planejado? O cinema era um sonho da minha adolescência, mas a minha impressão era a de uma realidade distante. Pra minha surpresa, poucos anos depois, tudo começou a se realizar de forma natural, como consequência dos testes e trabalhos que fazia em Brasília.

Como funciona a composição de um personagem para você? Cada personagem é uma experiência diferente. A composição pode partir de exercícios físicos ou de alguma sensação que surge a partir de uma leitura. Depois estudo o texto com cuidado pra entender a função do meu papel na trama, o que ele deseja e suas motivações. Em seguida, volto pro trabalho físico pra encontrar no meu corpo a energia do personagem. Gosto de criar as relações com os outros personagens junto com os outros atores também, se possível, antes das filmagens. Nem sempre há tempo. Depois vou aprender as falas, pensando no que o personagem diz e no que ele não diz.

O que te desafia em um novo trabalho? O que te provoca mais em fazer cada vez melhor? Mergulhar em uma nova história é sempre uma aventura. Além do prazer que sinto quando estou em cena, acredito que, como atriz, sou a janela e sou o espelho. Janela quando meu personagem convida o público a conhecer uma realidade diferente da dele e espelho quando convida o público a olhar pra si. De uma maneira ou de outra, meu compromisso é com quem assiste e meu objetivo é trazer o público pra dentro da história comigo.

Até o final do ano, você estreia em mais dois longas: “À Espera de Liz”, de Bruno Torres, e “Mudança”, de Fabiano Souza. O que podemos esperar desses novos filmes? São dois filmes de autor. “A Espera de Liz” é um filme que retrata mais o universo feminino explorando a reaproximação de duas irmãs. Já “Mudança”, retrata mais o universo masculino explorando o relacionamento entre pai e filho.

Como você avalia o cinema nacional? Estamos produzindo melhores longas? O que ainda falta? Como passamos a produzir mais filmes, por consequência também temos mais variedade de gêneros e linguagens, além de mais filmes de qualidade. Falta o brasileiro acreditar mais em si, valorizar o que é seu, investir em sua cultura e sua identidade. Infelizmente, no momento, estamos dando alguns passos para trás e o prejuízo acaba sendo de todos.

TV, cinema ou plataformas digitais? Como cada um te toca? Cada um tem seu encanto. A TV pela sua popularidade e alcance. O cinema por ser uma experiência coletiva especial em um local onde todos estão imersos no que acontece na tela grande. As plataformas digitais nos dão liberdade de assistir o que quisermos no momento em que é mais conveniente para nós e no conforto do nosso lar.

Dentro do universo de canais pagos, como você enxerga essas possibilidades de juntar TV com internet com os canais de streaming? Acho incrível poder acessar o conteúdo que me interessa quando e onde eu quiser. Com a rotina corrida que temos, essa possibilidade se adequa perfeitamente à vida das pessoas. Eu, pessoalmente, gosto de ter escolha. Quando posso, vou ao cinema, quando quero, vejo TV, e, quando tenho tempo, acompanho algo no streaming. Uma coisa não exclui a outra, são experiências diferentes. É bom ter opção.

Com tanto trabalho em andamento, quando e como você recarrega suas baterias? Quando quer relaxar o que curte? Amo estar com a família, com os amigos e com meu namorado. Amo ir ao cinema, ao teatro ou ver séries no sofá de casa. Amo ler e viajar.

O que te traz um sorriso no rosto? Gentileza, humor e leveza.

O que te conquista? Inteligência, humor, integridade e sensibilidade.

Depois de “Malhação” tem algum projeto em vista na TV? “Malhação” continua no primeiro semestre do ano que vem. Adoro escrever e pretendo também me dedicar a contar minhas próprias histórias.