Para quem quer começar, um catalisador. Para quem precisa retomar os trabalhos, uma oportunidade. Para quem está distante, uma nova conexão. Social media é o nome em inglês para redes sociais. Como muitos termos estrangeiros, essa palavra ganhou um sentido diferente quando foi aportuguesada. No Brasil, esse é o nome que se dá a quem trabalha criando conteúdo para as diversas plataformas online.

Seja contratando alguém ou até produzindo para si mesmo, a opinião é unânime sobre o assunto – qualquer um que tenha um negócio próprio sabe o valor de ter perfil em redes sociais, principalmente no Instagram.Cristina, Uiler e André são bons exemplos dessa mudança na rotina profissional. Todos enxergam as redes como uma ferramenta imprescindível para manter seus trabalhos vivos.

CRISTINA SE REINVENTOU NO INSTAGRAM

Cristina Dantas, 60, começou a postar sobre flore

s e histórias do que via nas ruas em suas redes sociais. Mas os 36 anos como jornalista falaram mais alto – ela percebeu que as pessoas escreviam mal, principalmente na internet, e resolveu compartilhar sua experiência profissional. “Para mim, tudo parecia muito vazio, e o Instagram é, hoje, um grande canal de comunicação”. Foi a partir dessa inquietação que surgiu a Oficina de Escrita de Não Ficção, em 2017. Em seu apartamento em São Paulo, rodeada de alunos-cobaias, Cristina foi aperfeiçoando seu curso.

Nesse caminho de intuição, escrita e aprendizado – uma pandemia! A crise sanitária do Coronavirus deixou os cômodos de sua casa mais espaçosos e, ao mesmo tempo, diminuiu distâncias para Cristina. O desafio do virtual para quem sempre foi analógica, ainda assim, não a impediu de continuar. Foi durante esse período que ela percebeu que o Instagram e o Facebook eram ferramentas importantes na troca de conhecimento. A rede de contatos foi aumentando, assim como o número de inscritos na oficina – hoje, são mais de 1.000 seguidores no perfil @cris_dantas.5. Agora, pessoas do Brasil inteiro discutem sobre oralidade, literatura e criatividade com a professora-jornalista que tem tanto para ensinar.

ASAS PARA UILER IR MAIS LONGE

Para quem fotografa, o desafio de ensinar na pandemia pode ser grande. Embora também seja fotógrafo aéreo – e terrestre – Uiler Costa-Santos, 37, teve suas aulas limitadas à plataforma Zoom por conta das medidas de segurança contra o Coronavirus. Se antes ele podia viajar com seus alunos para atividades práticas, com a crise sanitária Uiler só sobrevoa com o piloto do helicóptero para seu trabalho pessoal. Mas o elo com a arte deu o impulso para suas redes sociais. O fotógrafo baiano tem quatro perfis oficiais e diversifica seu conteúdo, para mostrar que vai muito além de Salvador.

No entanto, Uiler sabe que comandar essa quantidade de contas não é uma tarefa fácil. “Eu sou administrador, fotógrafo, contador e produtor de conteúdo. Sou uma banda de um homem só, mas faço porque sei que todo mundo está no Instagram. Lá, cada vez mais pessoas podem descobrir meu trabalho”, afirma. Mais uma vez, a arte serviu como ponte na vida do fotógrafo e, durante esse período adverso, ele fez parcerias com profissionais experientes e até com a Canson, marca de impressão de papéis. O trabalho em sua conta principal, @uilercosta, onde tem divulgado a série Sizígia, já tem mais de 13 mil seguidores.

A RENOVAÇÃO DIÁRIA DE ANDRÉ

Há mais de 20 anos atuando como arquiteto, André Carício, 52, sempre teve suas viagens como inspiração. Com o isolamento social, a criatividade teve que vir de dentro. Foi olhando para si que percebeu que esse também era um movimento que o mundo estava fazendo. “De dentro de suas casas, as pessoas começaram a notar a importância de um lar que transmita bem-estar e conforto”, explica. E também são esses sentimentos que o arquiteto demonstra através do seu perfil no Insta – @andrecaricioearquitetos. Lá, os mais de 20 mil seguidores acompanham suas ideias e seus projetos de arquitetura e design.

Nesse processo de criação, o arquiteto do Recife também deu continuidade ao seu projeto de luminárias. Suas duas primeiras criações surgiram antes da pandemia, mas foi durante esse período que ele retomou a produção de mais oito. “Senti minha criatividade aguçada”, reflete. E o Instagram também tem servido como propulsor do seu trabalho. Posta no feed com frequência e faz uso da ferramenta stories para mostrar o dia a dia das obras, por exemplo. No fim das contas, seu segredo é apostar em um conteúdo intuitivo que fuja de tendências passageiras e imemoráveis. “Alimento pessoalmente o meu perfil. Coloco lá somente aquilo em que acredito”, explica.