Miguel Dias de Souza Filho, 43 anos, formado em Direito e Jornalismo, hoje presidente do grupo Cidade de Comunicação em Fortaleza, responsável pelas rádios do Grupo Cidade e pelo portal GCMAIS. Um legado deixado pelo seu pai que sempre trouxe muita responsabilidade envolvida nisso, mas que Miguel tem tirado de letra com dedicação e profissionalismo. “A própria palavra legado já carrega um peso positivo por si só”, conclui ele. Em uma época onde a comunicação atua de forma muito mais abrangente e sem fronteiras, Miguel segue sua trajetória encarando desafios diários sem perder o foco de sua missão que é comunicar.

Miguel Filho você assumiu a presidência do Grupo Cidade de Comunicação aos 40 anos com o falecimento de seu pai, se sente cobrado? De forma alguma. Sinto, naturalmente, uma grande responsabilidade para manter a empresa funcionando, os empregos de nossos colaboradores, a satisfação dos clientes e, principalmente, nosso público consumindo entretenimento e informação com clareza e objetividade, pela TV, pelas rádios do Grupo Cidade ou pelo portal GCMAIS. 

O grupo hoje conta com afiliada da TV Record, rádios e o portal GCMais? Quando assumimos o posto de maior Hub de Comunicação do Ceará, foi porque realmente somos o maior produtor de conteúdo informativo do Estado. Contamos com uma televisão, um portal de notícias e sete rádios, cada uma com seu estilo e público próprios, que demandam 24 horas de produção exclusiva e interativa. Nossa parceria de 25 anos com a marca Jovem Pan em três rádios, é um sucesso. A mais nova, a Jovem Pan Jericoacoara, superou todas as expectativas. A Jovem Pan News Fortaleza, se destaca pelo conteúdo jornalístico local e nacional e está no topo das emissoras all-news da capital cearense. Com a Record, completaremos 24 anos de uma exitosa parceria.  

Falando do portal, antes era o CNews, como foi a mudança para GCMais? A decisão de descontinuar o antigo portal, foi baseada em uma estratégia traçada por toda a diretoria. Precisávamos de algo mais moderno, atrativo e que fosse a cara da ousadia do Grupo Cidade. Um novo portal, planejado e concebido desde o início, facilita a mudança de mindset de todos os envolvidos. Paralelamente, contratações também tiveram que ser feitas. Os ajustes são diários. Sempre digo que nem o Steve Jobs acertou de primeira no iPhone, atualizações são feitas diariamente. Hoje, estamos satisfeitos com a repercussão e assiduidade dos leitores. Nosso diferencial, é publicar a informação correta, precisa e contextualizada com agilidade e isenção. 

Você fica ligado na audiência? O IBOPE é diferente da rádio para a TV? A gente tem que ficar ligado, pois é o meio mais acatado pelo mercado para precificação, apesar de termos nossas ressalvas em relação a qualquer meio de aferição. Com o surgimento de novos devices, considero que a audiência vem passando por um processo de democratização, sendo isso extremamente favorável para os ouvintes e telespectadores, pois aquela ideia de um meio ou plataforma concentrando toda a audiência tem mudado bastante nos últimos anos, sendo que a audiência é distribuída de maneira não-linear e em vários pontos de contato com os usuários. Em relação ao modelo de pesquisa, são semelhantes, pois se utilizam de amostragem, assim como softwares embarcados que auxiliam no entendimento do ouvinte e do telespectador. Creio que, brevemente, teremos uma audiência que venha a ser aferida de maneira instantânea e quase que universal, pois a tecnologia nos proporcionará isso. Entretanto, o público está interagindo mais com o veículo, seja TV, seja rádio. Hoje, o meu usuário está com um celular na mão, comentando através de algum canal tudo que está vendo na TV ou ouvindo no rádio. E essa comunicação do apresentador para com seu público, é crucial para uma boa audiência. 

Vale tudo pela audiência? De jeito nenhum. Sou muito vigilante em relação às formas que utilizamos para atingir a liderança. A empresa tem princípios, e seus subordinados têm que se submeter a essas regras. Não estou dizendo que sempre foi assim ou que, às vezes, não ocorram falhas ou “discordâncias”. Entretanto, para essas soluções, submeto tudo ao corpo gestor para que todos exponham suas considerações e, a partir daí, tomo decisões. 

O jornal da TV até há pouco tempo atrás era muito formal, hoje já vemos jornalistas digamos mais ” humanos ‘ não tão engessados. O que você acha dessa mudança, acha que a internet é um dos fatores? Digamos que o jornalismo televisivo de qualidade, era mais engessado. Os hábitos mudam, as pessoas mudam, e, assim, também temos que acompanhar. Não considero de jeito algum um retrocesso a linguagem e a forma são instrumentos da comunicação para se fazer entender, e o usuário vai migrar para onde ela for mais compreensível. Então, faz parte da evolução da comunicação noticiosos mais diretos e com sensibilidade. A internet é rapidez e interatividade, e atribuo a essa interlocução com o usuário a forma humana que se vê hoje nos noticiosos, sem se perder o respeito pela variedade de espectadores.

O Miguel Dias Filho é o mesmo na empresa e na rua? Você gosta de sair, viajar? É mais do dia ou da noite? Os princípios, sim, são os mesmos, o caráter é o mesmo, mas posso admitir que tenho atitudes que são diferentes, e isso é natural. A pessoa não pode ser rígida o tempo todo. Eu amo sair, mas a pandemia me ensinou bastante a curtir meu lar, apesar de eu não ter podido ficar em casa durante as medidas restritivas, pois o meu trabalho não permite. Cozinhava, consertava coisas e cuidava das plantas e das cinco cachorras. Interessante que, durante esse momento, passei a colecionar uma planta chamada Rosas do Deserto, e, hoje, é um vício. Todo dia, toda noite, tenho algo a fazer com elas. E a variedade das flores compensam todo o trabalho. 

Você é caseiro? Gosta de ficar em casa? Gosto de ficar em casa, sim, só não sei ficar em casa só. E, por isso, também gosto de estar na rua encontrando os amigos e ouvindo uma boa música. Gosto muito de samba. 

Demos uma stalkeada no seu Instagram e vi algumas fotos de viagem, qual local que mais te surpreendeu e de qual você tem saudade? Depois de nove meses sem voar a trabalho ou lazer, estou, neste momento, escrevendo estas respostas de dentro de um avião. E será uma “miniférias” de uma semana – repetir um sonho que realizei há exatos 25 anos. Estou muito ansioso para rever tudo, até porque foi tudo muito em cima da hora e não pesquisei como normalmente gosto de fazer. Uma das perguntas mais difíceis de se responder é sobre de qual local tenho mais saudade. São muitos lugares incríveis visitados em 78 países. Era para ser mais, porém a pandemia prorrogou isso. Amo locais exóticos, não populares, autênticos, “raízes”, porém sempre com segurança e um mínimo de conforto para dormir. Recentemente, mergulhei com arraias-jamantas nas Maldivas e, em outra oportunidade, com tubarões-baleia nas Filipinas. Impossível descrever tamanha emoção, aumentei o volume do oceano com minhas lágrimas subaquáticas.  

Visitei o Vietnã em 2009 e me marcou bastante pela quase nula influência ocidental, me senti em um local do passado ou mesmo fora da Terra. O trânsito é um caos indescritível que só eles entendem. Comidas de rua deliciosas como Patrimônio Imaterial da Humanidade e as grutas de Tam Coc e formações rochosas da Baía de Halong são pontos turísticos naturais de encher os olhos. 

Mas saudade mesmo, tenho de locais que visitei e que a modernidade não está respeitando. E, para exemplificar, fico com a nossa Jericoacoara, até uma rede nacional de supermercado já tem por lá. Preocupa-me a situação do Seu Zé da bodega, que tem aquele negócio há 30 anos, do mesmo jeitinho e chega um, com bem maior poder de competição e acaba com o local. Há locais em que, sim, isso é necessário, mas outros, não. Sou bairrista. A propósito, minha viagem neste momento é para o continente africano, Tanzânia, onde realizei o sonho de infância de fazer um autêntico safari. Vou mostrar uma foto de lá para esta matéria. 

Percebi também que você sempre está com sua mãe. Miguel, ela é muito bonita, parabéns, me parece ser uma pessoa que não tem tempo ruim é só chamar, que ela topa. É isso mesmo? (risos) Obrigado pelos elogios a ela. O melhor da vida é estar com quem amamos e fazendo o que gostamos. Ela e eu somos muito parecidos em gostos. Então, é só chamar e sei que ela vai gostar. Mas, às vezes, dou uma forçada de barra, pois acho que ela tem que conhecer as coisas. 

A pandemia te ensinou algo? Como foi pra você? A pandemia foi o maior curso intensivo que fiz na vida, englobando graduação e doutorado. Até equipamentos que não sabia manusear, eu aprendi a lidar com eles. Vi-me, um dia, bem no início das medidas restritivas, quase tendo que apresentar (risos) um de nossos jornais, pois a maioria dos funcionários estava aflorando algum tipo de sintoma da Covid-19 e não podia ir trabalhar. Nós do Grupo Cidade, fomos muito assertivos no tempo das decisões e medidas tomadas, até porque somos serviço essencial e não podíamos parar. Meu maior orgulho foi conseguir manter os funcionários em seus empregos, enxugamos os custos e aplicamos medidas que a lei brasileira nos permitiu. Em um momento de tantas dúvidas, isso deu conforto e segurança a todos eles. E, hoje, noto a gratidão deles. Enquanto muitas empresas demitiam (e não as crítico), aumentamos nossa grade jornalística em 2 horas semanais, fizemos projetos inovadores como o case da SuperLive e o Chega Junto Solidário, além de continuar trabalhando no novo portal. Realmente tenho muito a agradecer a Deus pela condução de tudo, apoio da minha família, especialmente minhas irmãs, Mayara e Gaída, e aos irmãos mais novos, Maria e Michael, sem citar minha mãe, que está sempre dando apoio e preocupada para que tudo dê certo. 

Agradeço a Deus pela compreensão e comprometimento de todos, mesmo nessa situação atípica de pandemia. 

E, pra finalizar, quero que você deixe uma mensagem, uma frase marcante para os leitores da MENSCH. Não se sinta derrotado ou culpado pelo seu sonho não realizado ou objetivo não alcançado. Continue trabalhando e lutando dignamente, para a realização. No momento oportuno, Ele abrirá a porta com o teu presente.