Em meio à pandemia, empreendedores de Recife se destacam com pequenos negócios. Afinal, quem não ama cachorro-quente, café, doce e sorvete cremoso? Por que a Jazzlato, Frankhaus e o Coffee Cube vêm fazendo a diferença?

A sorveteria da bacharel em Língua e Literatura inglesa, Thaíse Assis, e de sua mãe, dona Maria José, é uma das melhores referências do conceito plant-based que conheço em Pernambuco. E melhor, transformado em sobremesas impecáveis. Mas você deve estar se perguntando: como foi que uma acadêmica migrou para as sobremesas? Em 2015, Thaise, que era vegetariana, visitou a Califórnia e descobriu um mundo de possibilidades de sobremesas adaptadas e deliciosas. Ela, que já amava doces de modo geral, voltou contaminada pela ideia de mudar de vida – para melhor.

A Jazzlato é, sem medo de pecar com essa afirmação, o melhor sorvete de Recife. Sobretudo se considerarmos todas as práticas, os ingredientes e a lógica nutricional que sustentam a gelateria. Praticamente todos os processos são feitos na casa, cuja estética remete e muito ao comércio do hipster distrito do Brooklyn, em Nova Iorque. Os sorvetes elaborados em pequena escala são absurdamente cremosos e em sabores nada usuais, como o Matchá – fornecido pela marca local O Chá da Casa – quebram nossa resistência ao exótico.

Todos os sorvetes são feitos com leite de coco fresco e leite de castanhas, que também são usados para rechear e cobrir os bolos, como o devil´s cake que, por falta de adjetivação adequada, eu diria que é a morte mais feliz de uma dieta. Não deixe de pedir e ainda turbine com um sorvete de macadâmia caramelizada. A morte da dieta pode ser lenta, mas será a forma mais feliz de adquirir uns quilinhos a mais.

A lista de sabores segue com coco com manga, peanut butter, cookies n’cream, floresta negra, morango e cacau com tâmara. Também apaixonadas por bolo, mãe e filha têm no cardápio fixo brownies, bolo branco com brigadeiro de canela e cheesecake sem açúcar. Os bolos e brownies são preparados com farinha de castanha de caju e de arroz integral. Ah! Que tal se jogar no cookie sandwich recheado com sorvete à escolha?

SERVIÇO
Onde: Galeria Joana D´arc – Pina / Recife
Funcionamento: quarta a domingo das 13h às 18h
Instagram: @jazzlato

Em Berlim, Manhattan ou nas carrocinhas do Centro do Recife. Cachorro-quente é o lanche de rua mais popular do mundo. Mas a combinação de pão longo, salsicha, catchup e mostarda é apenas o start para as inúmeras variações globo afora.

No Recife, cidade onde as hamburguerias se amontoam a cada esquina, o sanduba andava no ostracismo até a chegada da Frankhaus, dos sócios Eduardo Borba e André Jales, em setembro de 2019. Na contramão da ode ao velho hamburgão, a Frank, no complexo gastronômico Mercado da Torre, jogava de volta os holofotes para aquele que é o sanduíche básico e bom, sem firulas e, justo por isso, unânime, todo mundo ama – do adolescente ao senhorzinho de 80 anos. Hot dog é comida para se sentir feliz, oras!

A lista da Frank é enxuta, mas passa longe do lugar comum. À frente das criações, Borba investe em insumos de alto padrão, como as salsichas Frankfurt elaboradas por charcuteiros alemães radicados no Recife, e no pão macio e fofinho tipo brioche. Picles, chucrute, catchup de maçã e de curry (à moda alemã) são outros trunfos dos dogs da Frankhaus. Ah, não vale deixar passar a batatinha palha, que de complemento dos sanduíches virou um pequeno sonho de consumo dos frequentadores – tem gostinho caseiro e é muuuuuito crocante.

O dog Viena ganhou o coração dos #hotdoglovers com a combinação de brioche, salsicha Frankfurt, fondue de queijo e farofa de bacon. Como resistir ao casal “queijo e bacon”? O Chilli Cheddar não fica atrás e é o representante tex mex do menu. É recheado com carne moída levemente picante com pimenta chilli, cheddar cremoso e a batata palha famosinha. O dog Hamburgo é mais ortodoxo, digamos. Lembra os dogs alemães: salsicha Frankfurt, picles de pepino e de cebola roxa, mais catchup de maçã. Enquanto o dog do Chef é o item mais sofisticado, se é que o adjetivo cabe para classificar um sanduíche preparado em um quiosque. Mas atente para o ingrediente que eleva o cachorro-quente a outro patamar: maionese trufada. 

SERVIÇO
Onde: Mercado da Torre – Torre / Recife
Funcionamento: domingo, terça e quarta das 17h às 22h; quinta a sábado das 17h às 23h
Instagram: @frankhaus_br

Também operando no Mercado da Torre, na Zona Norte do Recife, o Coffee Cube vem se consolidando como um dos melhores serviços de café especial in town. Dos sócios Arthur Rieper e Guilherme Cerqueira – que respondem pela gestão da marca, o box vende cafés preparados em métodos filtrados e tirados em máquina (família dos espressos), utilizando grãos selecionados e torrados pelo Kaffe, prestigiado centro de torrefação e treinamento local.

O expertise de Rieper fecha a equação para o ótimo café que vai nas xícaras dos clientes do Coffee Cube. Gastrônomo de formação, Arthur se apaixonou pelo complexo universo do café e nunca mais fez outra coisa da vida. Sorte a nossa. Há 10 anos prepara, pesquisa e explora todas as xícaras possíveis. O resultado desse empenho se sente nos bons goles da sua cafeteria. Em tempo. O barista apresenta a certificação mais respeitada do mundo, a Specilaty Coffee Assossiation (SCA).

Como se não bastassem os ótimos cafés, o Coffee Cube tem outra característica que poucos concorrentes sustentam – absolutamente toda a comida vendida, e pensada para harmonizar com as bebidas de Rieper, é deliciosa. Os carros-chefes são as sobremesas fornecidas por pequenas marcas, como a banoffee impecável, as empanadas, a tortinha quente de maçã, ou preparadas na própria casa. A clássica torta de limão é receita própria de Arthur e é um atentado aos adeptos da mais restrita dieta. Esqueça a contagem de calorias. Peça um doce e a orientação de qual café cai como uma luva. Arthur não vai te deixar na mão.

SERVIÇO
Onde: Mercado da Torre – Torre / Recife
Funcionamento: domingo a quinta das 13h às 22h; sexta e sábado das 13h às 23h
Instagram: @coffeecubebr