Ela é conhecida como Dani Moreno, paulistana, escorpiana, nascida em 4 de novembro. Desde pequena ela foi cercada por arte a quem atribui ao pai. Cantava com ele e com meu padrinho todos os fins de semana, em casa, nos bares, nas quermesses de bairro. Casada com o também ator José Trassi. Vegana, apaixonada e defensora dos animais. Ela tem um currículo vasto em 11 peças teatrais e 6 novelas distribuídas dentre as três principais emissoras de televisão do Brasil. Dani Moreno é conhecida pela sua arte e pelo seu coração. Dani e eu nos conhecemos relativamente há pouco tempo, estávamos numa festa e papo vai e vem, até que eu perguntei: porque você é vegana Dani? E ela me disse com largo sorriso — A minha causa é totalmente animal, você ama os animais, ou você come os animais, as duas coisas não andam juntas. Essa simples e forte frase foi muito impactante para mim, desde então ela passou ser referência, e potencializou meu vegetarianismo. Me ampara, me ajuda, me ensina, me guia. Batemos um papo sobre tudo isso e outras coisinhas mais. Sem mais delongas, quero que vocês conheçam esse furacão de pessoa. Com vocês a minha flor vegana Dani Moreno.

Como arte entrou na sua vida? Nasci de um pai artista. Cantava, desenhava e pintava. Desde meus primeiros minutos de vida, fui cercada de arte. Cantava com ele e com meu padrinho todos os fins de semana. Em casa, nos bares, nas quermesses de bairro… cresci amando o palco. Meu pai me deu esse presente.

Para você, qual é a importância de trazer para o contexto das novelas o tema da prostituição? Quebrar tabus. Levar ao público a vida real de mulheres que batalham por seu sustento e sua família. Aproximar o público da realidade de cada mulher que se sujeita a prostituição como forma de levar o pão de cada dia a mesa.

Como foi para você dar a vida a personagem Furacão (em “Amor Sem Igual”, na Record) tão complexa? Intenso, divertido, instigante. Furacão é batalhadora, divertida, alto astral e supera as adversidades sempre sorrindo e fazendo piada de tudo. Mãe do caio e da poderosa, também. Furacão sempre despertou em mim muita vida e paixão. Nos dias em que chegava pra gravar com pouca energia, logo eu era tomada pela vitalidade de furacão assim que entrava em cena. Furacão é extremamente valiosa pra mim. Entrou pra minha história, sem dúvidas.

Você atualmente mora em SP e está no Rio para a gravação da novela. Como é essa rotina para você? Foi desafiador me acostumar com a distância do marido e dos bichos. No começo eu sofria muito, mas consegui me adaptar com a rotina da saudade. Sem contar que o reencontro e a volta pra casa sempre tem um gostinho mais doce e especial depois de um longo período longe. 

Além da novela, você tem outros projetos em vista? Tem vontade, por exemplo, de voltar aos palcos ou fazer algo online? Trabalho em pról do veganismo na Sociedade Vegetariana Brasileira. Quando não estou nos palcos nem nas telas, me dedico totalmente a causa. Tenho muita saudade dos palcos, mas precisamos esperar pra ver como tudo vai ficar com essa pandemia. Tinha alguns projetos já em andamento, inclusive, mas foram interrompidos. Tenho também alguns projetos inscritos para realização online que ainda dependem de aprovação.

Como está sendo sua vivência nessa pandemia e como foi com o isolamento social? Transitei por vários sentimentos nesse período. Lembro que na primeira semana de isolamento, não tinha ideia do que estava por vir. Achava que seria algo bem passageiro, e que não duraria mais que 15 dias. Aproveitei pra descansar das gravações e colocar a casa em ordem. Na segunda semana fui tomando conhecimento da dimensão da pandemia e lembro de chorar muito. Sentia dores físicas, mesmo, sabe? sentia pelo planeta, pela estupidez humana de onde o vírus teoricamente partiu… decidi então reunir minhas poucas forças para trabalhar em prol do veganismo de maneira vertical. Me tornei membro da sociedade vegetariana brasileira, fiz muitas lives sobre conscientização e diminuição do consumo de alimentos de origem animal. Percebi que se eu não usasse minha voz e minha exposição pra falar sobre o que acredito, a tristeza seria somente um sentimento nocivo. Ela me moveu. Desde então, continuo tocando meu ativismo nas redes e trabalhando para levar consciência ao maior número de pessoas que eu puder. Essa pandemia me fez ter certeza que não temos tempo a perder.  

Você acha que após isso tudo passar, o mundo será o mesmo que estávamos? Será diferente, mas não consigo ser muito otimista diante das atuais notícias sobre as queimadas no Pantanal. Eu gostaria muito que tivesse sido um sinal claro da natureza para todos, como foi pra mim. Eu espero de todo o coração que em algum momento toda a humanidade possa entender que o planeta Terra não é o escritório dos seres humanos onde partimos do pressuposto que somos o topo de uma hierarquia que nem sequer existe. Precisamos lembrar que dividimos essa esfera com irmãos de outras espécies e que, por sermos conscientes, temos o dever de protegê-los.   

Você já era vegetariana há muito tempo, como foi essa transição para o veganismo? Fui vegetariana por 9 anos e me tornei vegana há 1 ano e meio, aproximadamente. Posso afirmar que foi muito mais fácil do que eu achava. Eu ainda me sentia dependente dos derivados do leite, mas era ilusão. O veganismo me fez ter consciência de que somos escravos daquilo que queremos ser.

Você é vegana e também está ligada a projetos relacionados ao meio ambiente e causa animal. Como isso começou a fazer parte da sua vida? Uma coisa puxou a outra. Desde muito nova convivia com meu pai e meu avô resgatando cães e dando abrigo. Me tornei também uma protetora, resgatei diversos animais ao lado da minha parceira de resgates Júlia Bobrow, e o vegetarismo foi inevitável. Ou você ama os animais, ou você come os animais. As duas coisas não andam juntas. 

Quem é Dani nessa NOVA ERA? Um indivíduo muito mais consciente da responsabilidade com o planeta. Posso ser uma só, apenas uma partícula da humanidade, mas com a consciência de que cada passo meu, reverbera e se multiplica.