
OFICIAL DA RESERVA DO EXÉRCITO BRASILEIRO E SEGURANÇA PESSOAL, COLETTI HOJE LIDERA EMPRESAS E ENSINA EMPREENDEDORES A UNIREM PROPÓSITO E RESULTADO
Por Isabelle Barros / Fotos Ângelo Pastorello
Do sonho de criança de ser engenheiro até os dias de hoje, o empreendedor Roberto Coletti, de 49 anos, parece ter vivido várias vidas. Depois de ingressar no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) como aluno, aos 13 anos, foi militar, profissional de segurança privada e executivo antes de se tornar empresário. Segundo ele, a variedade de experiências que essa trajetória de vida ocasionou foi balizada por um propósito claro. “Amo trabalhar e meu objetivo é transformar positivamente o mundo e a vida das pessoas. Para isso, é preciso estudar incansavelmente, trabalhar arduamente e se conectar com as pessoas certas. Desta forma, cumprimos com os 4Ps: pessoas, processos, paixão e propósito”.


Nascido em São Paulo e filho de uma dona de casa e de um vendedor de carros, Coletti se sentia atraído pelo mundo automobilístico. Após sua formação como torneiro mecânico no SENAI e de ter feito escola técnica, prestou vestibular para engenharia, mas ao não ser aprovado, optou pelo curso de Matemática. Ao completar 18 anos, já como universitário, ingressou no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR-SP). Esta foi a primeira virada em sua vida. “Contra a minha vontade, entrei como aluno das Forças Armadas. Ao sair do CPOR aos 20 anos, comecei a atuar no setor onde trabalho hoje. Saí da segurança pública e parti para a segurança privada. Comecei de baixo, como agente de segurança do Hospital Albert Einstein, do qual sou cliente hoje em dia. Por isso, eu sempre falo que todo mundo pode realizar seus sonhos, mas precisa trabalhar para conseguir”.
No Einstein, Coletti foi aprovado em um processo seletivo para se tornar segurança, posteriormente, passou a atuar como Segurança Pessoal da família Safra, com quem ficou durante três anos. Para acompanhá-los, o hoje empreendedor chegou a fazer o curso de proteção VIP em Israel, “Treinamento de Segurança Pessoal”. No total, Roberto atuou por cerca de oito anos protegendo algumas das famílias mais ricas do Brasil. Nesse meio tempo, formou-se em Administração e passou a trabalhar, como executivo comercial, para a empresa de uma das famílias que ele anteriormente protegia. “Me tornei sócio desta empresa durante quase seis anos. Ela quebrou e quebrei junto. De pobre, fiquei rico e depois me tornei pobre novamente”, explica. Ao voltar a trabalhar como executivo, seu último cargo antes de empreender foi o de diretor comercial do Grupo Verzani & Sandrini, de prestação de serviços, segurança e facilities.
Toda a experiência acumulada de Coletti o levou a abrir duas empresas: uma empresa de segurança, que trabalha com terceirização de vigilantes patrimoniais e segurança pessoal voltados para um público de alto poder aquisitivo a KR4 e RedCore, uma empresa de facilities, que atua em setores como limpeza, portaria, jardinagem, recepção e manutenção. O empreendedor ainda é um dos sócios de uma empresa de tecnologia e monitoramento, que trabalha com venda de câmeras, de alarme, instalação de cercas e de sensores.


Além de todos esses negócios, Coletti tem participação em uma empresa chamada Aeroscan, na qual, além de acionista, também é membro do conselho e integrador. O fato de ser integrador é, por sinal, um dos motores da estratégia de seu crescimento. “Aos poucos, fui montando um ecossistema de empresas que se conectam e se permeiam entre elas. Quando vou a uma reunião, consigo vender quase todos os serviços que o cliente precisa”.
Atualmente, Coletti também comanda, junto com o cofounder Marcelo Bando, a Escola Bootcamp, uma escola de negócios dos ramos de facilities e segurança. A instituição foi fundada em 2022 e, até o momento, teve mais de 2.100 alunos inscritos e aproximadamente 130 empresas atendidas. A concepção da escola deriva diretamente das convicções de Coletti como ex-professor e enquanto empresário. “Sofri muito com a falta de qualificação das pessoas, isso em todas as áreas onde atuei. Queria montar algo prático, com mentorias, imersões e networking, que ensinasse para os alunos a vida como ela é, ou seja, uma capacitação para desafios reais do mercado. Por conta disso, eu criei um programa chamado Networking Infinito, no qual ensino as pessoas a se conectarem com pessoas em todos os níveis, seja acima do perfil dele, na mesma lateralidade e para baixo”.
Segundo o empresário, mais do que oferecer serviços de qualificação, a ideia é elevar o mercado. “No meu ponto de vista, a Escola Bootcamp é o G4 da terceirização. Fazemos algo que parece loucura para muita gente: acabamos treinando nossos próprios concorrentes, sejam eles B2B ou B2C. Quero que todos melhorem seus serviços, para aumentar a percepção de valor do meu cliente. Todos ganham, pois, com isso, eu tenho que me aperfeiçoar ainda mais. O lifestyle da escola me traz muita satisfação. Tem pessoas que choram, que já fizeram tatuagem no braço com o símbolo da escola, pois existe um propósito de transformação”.


É com alegria que Coletti conta sobre a presença dos quatro filhos nos negócios. “Todos trabalham comigo. Eu e minha esposa Karina Coletti tocamos o negócio, mas dois deles já constam em contratos sociais, como sócios, para sentirem o nível da responsabilidade. A mais nova, de 12 anos, já faz lançamentos no nosso sistema, embora não tenha carga horária fixa. Isso serve para mostrar que a vida não é fácil e entender o que está em jogo na hora de empreender, caso ela escolha este caminho no futuro. Embora trabalhem comigo, eu os ensino a se virar. O cliente reclamou? Ele é quem paga as contas, então você tem que encontrar uma solução. Resiliência, para mim, é algo do cotidiano. Todos deveriam nascer com isso. Se é preciso fazer algo, não dá pra ficar com desculpas. Precisamos fazer o melhor dentro do contexto e das limitações que temos”.
Outra ação que traz orgulho para Coletti é o Movimento CincoPrasCinco, iniciado durante a pandemia, em seu perfil do Instagram, e que já conta com cinco temporadas. Tudo começou com a ideia de realizar lives às 4h55 da manhã, inicialmente com a presença apenas de Roberto e, posteriormente, ampliada para a participação de convidados. “A ideia inicial era realizar 30 dias de live, com aproximadamente uma hora de duração cada uma. No quinto dia, tivemos a ideia de que, a cada pessoa presente na live, fosse doado um quilo de alimento não-perecível. Até agora, conseguimos dez toneladas. “A cada ano, escolhemos duas instituições para entregar os mantimentos. Dá trabalho, cansa, mas é muito satisfatório. Em 2025, foi feito do dia 28 a 30/11, 48 horas seguidas de live e, em 2026, planejamos 72 horas, para entrarmos no Guinness Book”.

Para Coletti, é difícil encontrar momentos de descanso, mas, quando isso acontece, ele pratica esportes, quando possível, e faz academia. Na maior parte dos finais de semana, ele já adianta que costuma participar de imersões, seja do seu Bootcamp, seja do G4Club, o clube de negócios do G4 Educação, do Igara House, um clube de experiências, e do Resenha Company, um ecossistema de empresários. “Já joguei bola, já corri, já fiz triátlon, jogo golfe quando sobra tempo. Mas, quando não estou trabalhando – o que é difícil, pois estou envolvido em imersões quase todo final de semana – vou à praia e me desligo de tudo. Tento me conectar com minha família, meus amigos, dar risada”. Coletti ainda empreendeu abrindo o espaço de eventos Alphamind. Um espaço locado a ele próprio e também aberto para locação do mercado. Mas, além do esporte e da ligação com a natureza por meio do amor ao litoral, o empreendedor se considera uma pessoa intelectualmente inquieta. O interesse pelo estudo, pela leitura e pela pesquisa o levou a tentar entender o comportamento humano por novos vieses. “Sou católico e estudei Teologia no Instituto Evangélico para ter um contraponto. Gostaria de continuar os estudos posteriormente nas áreas de antropologia e sociologia, mas não sei se terei tempo ou condições para isso. Todo dia posto algo sobre a Bíblia e tento fazer analogias entre o que está nas Escrituras e o mundo como ele é. Se nós seguíssemos o que está escrito lá, o mundo não seria tão ruim. As pessoas podem ser melhores, desde que trabalhem e tenham uma direção na vida. É isso que eu prego”.


