O ExistenCidades propõe, por meio de 13 fotografias coloridas captadas pelas lentes do fotógrafo Beto Figueiroa e uma instalação num simulacro de um universo quase urbano, com recursos audiovisuais, o diálogo entre diferentes linguagens para pensar a nova lógica das cidades brasileiras nas primeiras décadas do século 21. A exposição acontecerá a partir do dia 2 de maio, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), no Recife. Em formato lambe-lambe, o projeto promove o encontro de Beto com o músico Jr. Black, responsável pela criação de textos, que une imagem, música e literatura. O ExistenCidades é realizado pela Jaraguá Produções com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – Funcultura.

A instalação, de conotação urbana, será feita entre andaimes de construções vazados, e uma sala com projeções, que dialogam com os textos falados e escritos. Uma mistura de realidade e fantasia que questionam a forma como o espaço urbano vem sendo construído. A ideia do projeto surgiu durante o Movimento Ocupe Estelita, em 2014, mas a relação do fotógrafo com o tema vem desde 2010. São imagens que sugerem a reflexão sobre as cidades. Resquícios de convivências, urbanização, concreto, placas, escadas e até mesmo a simples e reflexiva ideia de uma boleia de caminhão ambientada em um não-lugar. “O ExistenCidades sempre andou comigo mesmo antes da ocupação. Fotografei em Lajedo, Maceió, Mossoró, Goiana, Recife, Porto de Pedras, Serrita, Bonança e na Ilha de Marajó. São “fios da meada” que trazem referências de cidades”, explica Beto.

Ativação – Para ativar as fotografias como exposição, o fotógrafo convidou o músico e amigo Jr. Black, que escreve cinco textos sobre com inspirações próprias nas fotografias, anexados às suas obras. Em primeira pessoa, narra histórias que dão vida aos personagens, seja um cavalo em um ambiente não identificado ou uma escada dentro do mar. “Queria que, em algum momento, as fotos falassem e resolvi experimentar essa construção como uma espécie de ambientação que desse esse tipo de suporte. Isso surgiu da vontade e desejo de trabalhar com outras linguagens para construir um ambiente diferente”, justifica.

Durante a exposição, haverá, ainda, o lançamento do catálogo da mostra e um debate sobre da cidade e seus não-lugares, com a presença, além de Figueiroa e Jr. Black, da fotógrafa Ana Lira e do professor doutor em Comunicação Social José Afonso Júnior, da Universidade Federal de Pernambuco. No mesmo dia, será realizada uma visita guiada para surdos com objetivo é utilizar a fotografia como meio de expressão e comunicação, aumentando a visibilidade e a inclusão da comunidade surda na sociedade.

Beto Figueiroa – Fotografia além da visão

Beto Figueiroa passou parte da infância na histórica cidade de Goiana, Mata Norte de Pernambuco. Foi criado por uma mulher cega. Mãe Ná, sua avó, morreu em 2009, aos 106 anos e sempre foi uma referência não só na conduta de vida como na arte de enxergar. Para o menino Beto, o sentido da visão jamais foi parte essencial para a alegria. O jeito de ver as coisas se construiu de maneira diferenciada – bem provavelmente pela força dos ensinamentos de Mãe Ná, que jamais o viu, mas o acompanhou de perto, desde o início de sua carreira como fotógrafo.

A afetiva história sobre o olhar especial de Beto Figueiroa, evidente em suas fotos, talvez seja a primeira explicação para o reconhecimento do seu trabalho. Lançou em 2014 a exposição “Morro de Fé”, com curadoria de Mateus Sá e 25 fotografias coloridas e em preto e branco, impressas em grandes formatos, ocupando paredes, telhados com até 14 metros de largura. As imagens a céu aberto e em grandes proporções, foram fixadas nas fachadas e muros das casas no surpreendente suporte de pôster-bombs (lambe-lambe). Um ano após a intervenção no morro, o projeto ganhou o formato de livro, como um registro perene de uma intervenção efêmera, de 114 páginas.

Com trabalho reconhecido pelas principais premiações do fotojornalismo nacional, como Vladimir Herzog, Beto participou de exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, além de inúmeras publicações em livros e revistas. Em 2007, esteve entre os dez brasileiros escolhidos pela Fototeca de Cuba e pelo Instituto de Mídia e Arte – Imea (SP) para representar a fotografia brasileira, sendo o mais jovem da seleção na mostra “Mirame – uma ventana da fotografia brasileña”, em Havana.
Em 2016 lançou o livro “Banzo” pela editora Olhavê e o segundo da sua carreira.

SERVIÇO:

Exposição ExisteCidades do fotógrafo Beto Figueiroa

Quando: 2 de maio (abertura) a 27 de junho | 19h
Onde: R. da Aurora, 265 – Boa Vista, Recife
Quanto: Gratuita
Informações: (81) 3355-6871