CAPA: RODRIGO FAGUNDES – 25 ANOS ENTRE HUMOR, TEATRO E TELEVISÃO

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Celebrando 25 anos de carreira, Rodrigo Fagundes vive uma fase especialmente movimentada entre televisão e teatro. Aos 54 anos, o ator integra o elenco de “Quem Ama Cuida”, na pele de Nicolau, enquanto comemora o reconhecimento de “O Formigueiro”, espetáculo que lhe rendeu o prêmio de Melhor Performance no Prêmio de Humor 2026 e segue em nova temporada no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, de 17 de agosto a 26 de outubro.

Mineiro de Juiz de Fora, Rodrigo ganhou projeção nacional com o espetáculo “Surto”, fenômeno de público que permaneceu 12 anos em cartaz pelo país. O sucesso abriu caminho para a televisão e, em 2005, ele passou a integrar o elenco do “Zorra Total”, onde permaneceu por quase uma década. Foi ali que conquistou definitivamente o público com o irreverente Patrick, personagem que também lhe garantiu o prêmio de Melhor Comediante no Melhores do Ano, do “Domingão do Faustão”.

Formado em Publicidade pela PUC-Rio e em Teatro pela CAL, estreou nas novelas em 2015, em “Babilônia”, possui uma carreira marcada especialmente pelo humor, mas aberta a diferentes linguagens e personagens, Fagundes também acumula experiências no teatro em montagens como “O Susto”, “Sylvia”, “Gargalhada Selvagem” e “Os Figurantes”. No cinema, participou dos longas “Me Tira da Mira” e “Desapega”, além do curta “Dá um Banho, Zé Perri”, no qual interpreta o escritor Antoine de Saint-Exupéry. Entre palcos, novelas, cinema e streaming, Rodrigo chega aos 25 anos de profissão reafirmando a versatilidade que acompanha sua trajetória.

Rodrigo Fagundes está festejado 25 anos de carreira. Qual avaliação faz dessa trajetória? Se arrepende de algo? Celebro com muito amor e teimosia essa estrada que venho trilhando com dedicação, disciplina, alegria e profissionalismo. Buscando sempre diversificar meus personagens na tv e no teatro, colecionando momentos e fazendo memórias mais positivas do que negativas nesse ofício tão grandioso e difícil que é ser ator no Brasil. Quanto a arrependimentos, tenho alguns, mas cito aqui ter começado “tarde” a investir nesse sonho de ser ator. Comecei a estudar teatro na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras, no RJ) aos 25 anos. Poderia ter peitado a família e começado mais cedo. Mas tudo no seu tempo, né!?  Que bom que está dando muito certo! 

O que espera e planeja para os próximos 25 anos? Aprendi que na vida é melhor fazer planos a curto prazo. Meu lema é devagar e sempre! Pretendo seguir nessa profissão, tirar do papel alguns projetos e sonho um dia fazer cinema. 

Depois de três trabalhos às 19h, você está fazendo Quem Ama cuida, uma novela de muito sucesso às 21h. Você percebe na sua vida, de alguma forma, o impacto de atuar numa novela de horário nobre? Fui imensamente feliz nas três novelas que fiz das 19h, de muito sucesso, da Claudia Souto! Fiz amizades pra vida! E é a segunda vez que faço uma novela das 21h. A primeira foi Babilônia, a última de Gilberto Braga, 2015, mas houve muitos ajustes, críticas severas e mudanças nos rumos da novela. Daí meu personagem lá acabou sendo bastante periférico. Mas em “Quem ama cuida”, entrei no capítulo 11 e fui tendo cenas pontuais com a Brigitte (Tata Werneck, paixão minha e do Brasil) e em uma semana senti uma onde grande de carinho e atenção tanto da crítica quanto do público. As pessoas na rua me chamam de Nicolau, perguntam sobre a novela. É tão bom!  Dia desses, a caixa do supermercado começou a me interrogar sobre a novela e a fila só ia aumentando. O povo começou a reclamar da demora e quando viram que era eu começaram a tirar foto e elogiar a novela. Eu ria de nervoso. E ainda ganhei uma garrafa de vinho de uma senhora de presente! Sucesso (risos)! 

Nicolau, seu personagem, tem se mostrado um grande amigo de Brigitte, vivida por Tata Werneck E você na vida tem muitos amigos? Qual a importância de uma amizade verdadeira? Acho linda e admirável a relação de Nicolau e Brigitte. Tem base no afeto, na escuta, no amor e humor deles juntos. Está sendo tão bem construída que muitos pedem até romance. Eu topo tudo com a Tata, ela é realmente Genial com G maiúsculo e nosso jogo está cada vez mais gostoso de fazer. O dia com ela é tão delicioso e isso transborda na tela. Tenho poucos, mas grandes amigos. Com o amadurecimento, fui separando colega de amigo. Já misturei muito isso na minha cabeça, porque minha natureza é agregadora, leve, amo conhecer pessoas que somam na minha vida. Mas estou aprendendo também a sumir com as que não valem a pena. E são algumas sim, confesso. Sofri decepções e fui percebendo que se eu não os procurava, eles também não se importavam. Daí vou cortando da vida. E olha, faz um bem!! Amizade verdadeira é o tempo que mostra. E as atitudes. Em teoria, todo mundo é ótimo, mas é na prática, no bom dia que você dá nem que seja pelo telefone, um “como você está!?”, “vamos encontrar”, que você vai vendo quem merece nossa companhia. Fazer tempo para o outro hoje em dia é o maior dos luxos!  

E como tem sido fazer essa dobradinha com Tata Werneck? Tem muitos improvisos entre vocês? Ela é um bálsamo! Uma alegria de viver que contagia. Um furacão que não para de raciocinar o tempo todo e instaura um clima excelente no set! Já nos conhecíamos, mas não éramos próximos, sempre fui fã e ela diz o mesmo de mim, o que me deixa tão feliz! Trocamos muito nas cenas, nos ensaios e ela é muito respeitosa com o texto a ponto de qualquer detalhe que acrescente, verbalizar no set seu alinhamento com os autores. 

O personagem, aliás, não é de humor. Como tem sido trabalhar fora do perfil do qual estamos acostumados a te ver? E como é poder sair desse padrão de trabalhos de humor? Aí é que tá; eles têm humor. Mas está nas situações. No inesperado das coisas que acontecem naquele Bistrô, no jeito fofo que Brigitte “irrita” Nicolau, nas conversas sobre a vida deles e nas horas serias também, quando meu personagem percebe a fragilidade de Brigitte e é onde nos deleitando com as cenas dramáticas que sempre sonhei fazer e tento aproveitar todas. Realmente lutei pra ter essas oportunidades de experimentar cenas mais dramáticas e fico radiante com a aceitação, carinho e afeto do público e da crítica. 

Você também está em cartaz no Rio com a peça O Formigueiro, onde faz um filho que cuida da mãe com Alzheimer. É mais fácil ou difícil fazer drama? E como é levar esse tipo de assunto para o público? Essa peça “O Formigueiro” tem nos rendido ótimas oportunidades de experimentar todos os tipos de sentimentos. Tem comédia, tem drama, tem melodrama, revelações, a plateia reage em voz alta no teatro. É tãooo gratificante ver essa comunicação acontecendo. Meu personagem, Luiz, tão bem escrito pelo Thiago Marinho, autor e diretor do espetáculo, passeia por muitos sentimentos, pois abriu mão da sua vida pra cuidar da mãe, enquanto seus irmãos seguiram a vida e amaram essa mãe de longe. E quando eles se encontram, para o aniversário dela, começa aquela lavação de roupa suja de família que não tem uma pessoa na cadeira que não se identifique! Garanto! Discutimos um tema sério como o Alzheimer que trata a finitude, a dor, as alegrias e agruras dessa família de uma forma tão afetuosa e conflitante que o boca a boca tem sido nossa melhor divulgação. 

Você, inclusive, ganhou notoriedade nacional e projeção para a Tv ao fazer a peça “Surto”. Qual a importância na sua carreira de estar de volta aos palcos nesse momento da sua carreira? Teatro sempre foi, é e será a minha base. Foram 12 anos de  SURTO no teatro e éramos felizes e sabíamos! Dali fui parar na tv e ganhei uma popularidade e muito sucesso que até hoje me acompanham!  Celebro sempre essa sorte de ter coxias sagradas em todas as peças que fiz. E é a primeira vez que faço novela e teatro ao mesmo tempo. É desafiador, mas não me sinto cansado. Ao contrário! Eu amo tanto o que faço que não parece trabalho. É uma realização de um sonho que alimento desde que me entendo por gente! Viver da minha arte! Levar alegria e informação pra tanta gente diferente!  

Você está casado há 23 anos com Wendell Bendelack, que é ator e um dos colaboradores de Quem Ama cuida. Qual o segredo dessa longevidade? E como é trabalhar com o marido? Wendell é o amor da minha vida. O cara que mais amo e admiro! O talento e comprometimento dele com tudo que faz me deixa cada dia mais apaixonado. E termos essa sorte de nos darmos tão bem no trabalho é um grande motivo pra festejar também! E é impressionante como a arte nos entrelaça. Nosso primeiro contrato na Globo, juntos, foi em 2004, já colhendo frutos do SURTO, quando fizemos a 2ª  temporada de “Sexo Frágil”, do João Falcão. E de lá pra cá fizemos várias peças juntos, fizemos participação na série “Impuros” e nas novelas da Claudia Souto, amiga e parceira que a arte me deu desde 2007 quando ela era redatora do “Zorra Total”. Portanto, tanto eu quanto Wendell não sabemos explicar porque damos tão certo até no trabalho. Tento botar na conta do amor, do humor, da seriedade e do respeito que temos um pelo outro e por quem nos cerca. Tudo flui de maneira positiva. Nos protegemos muito também. A maturidade ajuda a sabermos nos resguardar de gente ou situações nefastas. E poder dividir a vista com alguém, na vida e na arte, é muito gratificante! 

Você está com 54 anos. Como lida com o envelhecimento? E como se cuida? Acha que isso influi na carreira? Como artista eu miro nos grandes! Na Betty Faria, no Marcos Caruso, no TonyRamos, no Ary Fontoura, no Othon Bastos…artistas da carpintaria do ofício que são extremamente disciplinados e amam o que fazem! Na vida, procuro me cuidar com exercícios, controlar a boca, muito difícil porque amo comer. Me cuido, mas nunca fiz um botox, por exemplo. Morro de medo. Só fico nos creminhos que meu dermatologista mago Dr.Guilherme Cappato me passa e bebo muita água. Já até aceito que em algum momento terei que considerar algum procedimento estético, mas nada que seja agressivo e que me deforme. Vejo cada coisa pavorosa por aí!  Mas acho que estar com minha família, beijar muito nossas gatinhas Agatha e Emily em casa, estar com meus sobrinhos ( são 6 amores) me ajuda muito a manter esse espírito espoleta que tenho. 

Quando não está trabalhando, onde podemos te encontrar? No cinema uma vez por semana ou em casa cantando no karaoke com marido e amigos, planejando viagens, vendo muita novela antiga, filmes e tentando viver um dia de cada vez ! Aprendi isso com minha mãe, Maria de Lourdes, que não está mais nesse mundo mas deixou sua marca no meu coração e nos rumos da minha vida para sempre! 

E quais seus próximos planos? Wendell e eu temos um projeto de teatro para 2027. Nós dois no palco numa peça sobre relações entre mães e filhos. E também levar a peça “O formigueiro” para São Paulo e rodar esse Brasil com ela também!! Até Portugal está nos planos! Aguardem!

Fotos @sergiobaia
Assessoria @natashasteincomunicação