André e Carlos Silberg são talento, diversão, dança e arte em dose dupla. Aos 22 anos, depois de um longo percurso estavam para finalmente fazerem sua estreia na TV quando veio a pandemia e as  gravações da novela “Quanto Mais Vida Melhor”, (assim como as demais produções) foram suspensas. “Vivíamos numa angústia de querer viver logo essa fase, mas fomos impedidos por um evento mundial, que fugia totalmente do nosso controle”, comentaram ao longo da entrevista para a MENSCH. Passado esse período, veio a esperada estreia de Leco e Neco na trama e a empatia com o público foi imediata. Tanto que a dança, hip hop, que eles já praticavam desde criança foi levada para a trama. Como se não bastasse serem gêmeos idênticos, eles tinham talento de sobra, e juntos ficaram ainda melhores. E isso você vai perceber melhor aqui na nossa entrevista de capa. Esses dois ainda vão dar muito o que falar!

Quando finalmente vocês iam estrear na TV veio a pandemia. Como foi esse período de espera e ansiedade para vocês? Foi muito complicado. Além do fato de voltarmos a morar com nossos pais, ficamos nessa ansiedade de não ter uma data específica para começar, e o medo de perder essa oportunidade, já que não tínhamos assinado contrato ainda, era grande demais. Vivíamos numa angústia de querer viver logo essa fase, mas fomos impedidos por um evento mundial, que fugia totalmente do nosso controle.

Do hip hop para a TV. Inclusive os personagens de vocês na novela dançam. Como uma coisa levou à outra? A princípio os personagens não dançavam, mas colocaram uma cena primeiramente e gostaram bastante, aí o autor escreveu mais cenas, e ajudou a crescer e desenvolver o papel dos personagens, que levou a um final perfeito!

Com oito anos no teatro e nove anos já na dança. Como e quando perceberam que era isso que vocês queriam para a vida? No fundo sempre soubemos disso, por sermos os únicos da família que estavam mais envolvidos com a arte da dança, Já éramos artistas antes mesmo de sabermos a proporção que isso tem na vida, e o tempo na atuação chegou naturalmente, de forma orgânica, e no momento perfeito também.

Em algum momento pensaram em seguir carreiras diferentes? Se sim, qual seria? Carlos: Sim, sempre tive o sonho de ser jogador de futebol, e investi nisso por uma fase na minha vida. Quem sabe um dia poderei viver na ficção! André: Eu quase fiz medicina, fiz cursinho, mas não era algo que eu amava, foi mais por influência dos pais e porque nossa irmã é médica. Me vi infeliz e fui fazer o que eu mais amo, arte!  

Em um momento da vida Carlos foi estudar Sports Management nos EUA e André ficou aqui estudando na Academia Internacional de Cinema. Esse período foi um momento de se separar um pouco e cada um seguir novos rumos? Se sentiam de certa forma indiretamente sugeridos a seguir a mesma carreira diante do costume de fazer tudo juntos? Carlos: De forma alguma. Cada um sempre correu atrás do seu, mas, assim como a dança, percebemos que a atuação é uma coisa que mudou nossas vidas, nossa percepção sobre o mundo, sobre as pessoas, relações, comportamentos e tudo mais. Nos encontramos no mundo da atuação! André: Esse período de separação foi fundamental para entendermos que cada um é cada um, e não “os gêmeos”. Foi a fase mais importante da minha vida, sobre autoconhecimento e descobrimento. Descobri o que eu queria fazer da minha vida, me encontrei. E fico muito feliz que meu irmão tenha vindo junto comigo, e mais feliz ainda por ele ter amado. Eu que o incentivei a voltar para o Brasil e estudar atuação também. 

Aliás, soubemos que nos gostos vocês são iguais também. Mas na personalidade bem diferente (como geralmente acontece com gêmeos). Onde vocês são diferentes? Carlos: Somos diferentes no gosto pelo futebol, já que o André não tem interesse nisso. E diferentes em algumas questões da vida, o jeito como lidamos com algumas situações. Mas temos gostos, crenças, e princípios bem similares.

E na infância, tempos de escola, como os colegas reagiram pelo fato de serem fisicamente iguais? Pra eles era normal (risos).

Estrear uma novela juntos, emoção em dose dupla, conquista em dose dupla. Como foi viver isso pra cada um? Carlos: Acho que aproveitamos todos os momentos do começo ao fim juntos, mas cada um com a sua visão e experiência do que viveu, com a sua gratidão e felicidade por ter vivido a melhor experiência possível! André: Foi perfeito começar juntos, ter o irmão (e não qualquer irmão, seu gêmeo) junto foi fundamental para passar por esse processo tranquilo. Eu me senti realizando um sonho, um dos maiores, de estar na TV. Senti que nada é impossível se você quiser muito e for atrás para fazer acontecer. Esse projeto me mudou completamente, e foi só o primeiro.

Em ‘Quanto mais Vida Melhor’ vocês interpretam os bandidinhos atrapalhados Leco e Neco. Como foi viver essas duas figuras? Frio na barriga na estreia e a saudades na reta final? O que marcou? Carlos: A construção dessas duas figuras com certeza ficou marcada para sempre. Leco e Neco têm um carisma inocente e inconsequente, devido a criação deles. Construir isso e humanizá-los foi um presente. Conseguimos o carinho do público mesmo sendo vilões, e cada vez mais eles vão conquistando o coração de cada um, até dos que não gostavam deles. O nervosismo da estreia era muito mais pela curiosidade de como o Brasil iria receber esses personagens que a gente construiu com tanto amor e dedicação! A reta final foi uma perda difícil de explicar em palavras, nunca fui bom com despedidas, mas essa deixou marcada uma nova versão de mim. Uma nova fase que, apesar de ter acabado, abriu portas para outras fases que estão vindo. Me marcou muito como eu me senti bem e realizado todos os dias no set, encontrando as pessoas desse projeto que foram tão maravilhosas. Elenco, direção, equipe… me emocionei só de lembrar de todos os momentos que vão ficar pra sempre guardados na minha memória e coração! André: Foram os melhores personagens possíveis, o difícil foi desapegar dessa dupla. Só não estamos tão tristes porque ainda conseguimos vê-los na TV, e ver o resultado do trabalho é muito gratificante. Vou lembrar dessa fase pra sempre.

Ainda na novela vocês terminam vivendo um trisal com a personagem Vanda. Na vida real já passaram por algo parecido? Ou já confundiram a cabeça das namoradinhas? (risos) Na vida real nunca passamos por nada parecido (risos), sempre respeitamos quando um está envolvido com alguém.

A união faz a força? (risos) Como é a relação entre vocês? Nossa relação é uma relação de casados (risos). Temos momentos de briga por convivência, morar junto e sermos irmãos. Mas, na maior parte do tempo, nos damos bem, fazemos a maioria das coisas juntos porque nos sentimos bem e confortáveis com a presença um do outro!

Na hora de relaxar, o que faz a cabeça de vocês? Carlos: meditar. André: Ouvir música, assistir filmes.

O que é legal em ser gêmeo e o que incomoda? A parte legal é que isso trás uma certa personalidade de reconhecimento, não só pelo trabalho, mas por tudo. A parte que incomoda é quando as pessoas ficam comparando a gente o tempo todo. Obviamente estamos acostumados, mas às vezes comparam tanto (sem maldade) que até a gente começa a questionar o próprio autoconhecimento.

Depois da estreia na novela a fama vindo por tabela. O que vem por aí? Quais os planos agora? Carlos: temos planos de continuar na área da atuação. Mais futuramente, investir em outras coisas também, seja marca de roupa, ou algo que nos interesse. E um plano mais para o futuro seria produzir coisas independentes. André: A ideia é trabalhar muito, ser feliz, colher os frutos plantados e crescer cada vez mais como profissional e como pessoa. Estar sempre em constante evolução, esse é meu lema. Evoluir e ser feliz.

André, o que mais admira em Carlos, e você Carlos o que mais admira em André? Carlos: o que eu mais admiro no André é o fato de ele ser cada vez mais ele mesmo, e não tentar ser outra pessoa para suprir as expectativas dos outros! Isso se chama personalidade, ele tem muita! André: Admiro muito a entrega e dedicação do Carlos em tudo que faz, ele é extremamente talentoso e parece que não tem nada que não consiga aprender.

Fotos Marcio Farias

Styling Samantha Szczerb

Agradecimentos Eduardo Guinle e Mr. Cat