
Em menos de um ano e meio, Fernanda Arraes saiu de uma vida dividida entre os negócios, a maternidade e a rotina nos Estados Unidos para viver uma ascensão improvável e acelerada no audiovisual. Após receber o primeiro convite para atuar no cinema da produtora Carolina Brasil, a atriz iniciou sua trajetória no longa Senhoras, que ainda não possui data prevista para estreia, e desde então engatou uma sequência intensa de trabalhos nacionais e internacionais, passando pela série americana The Bay, pelos longas Deixa-me Viver e Eu Sou a Lei, além da produção Tramas Digitais.
Agora, Fernanda vive um dos capítulos mais simbólicos dessa trajetória: sua estreia no Festival de Cannes. Entre tapetes vermelhos, encontros internacionais e a exibição de Deixa-me Viver no Marché du Film, a atriz brasileira chamou atenção não apenas pela rápida projeção artística, mas também pela elegância e representatividade da moda nacional ao surgir deslumbrante com criações assinadas pelos estilistas Charles Hermann e Rafael Carneiro. O longa Deixa-me Viver, protagonizado e escrito por Mônica Carvalho, reúne nomes como Humberto Martins, Daniela Albuquerque e Oscar Magrini, e marcou presença em um dos espaços mais importantes do cinema internacional durante o Festival de Cannes.
Em um dos eventos, Fernanda usou um vestido exclusivo de Charles Hermann, confeccionado artesanalmente com mais de 98 horas de bordados manuais e pedrarias aplicadas à mão, peça que transformou sua passagem pelo red carpet em um encontro entre cinema, moda e identidade brasileira. Durante o festival, a atriz também posou ao lado do astro de The Bay, Kristos Andrews, além das atrizes Cat Dantas e Laura Proença. Em entrevista exclusiva para a MENSCH, Fernanda fala sobre medo, coragem, disciplina, sacrifícios e a emoção de se ver pela primeira vez nas telas de Cannes.

Você imaginava que, em menos de dois anos, sairia da vida empresarial para viver tudo isso em Cannes? Nunca. Se alguém tivesse me falado isso há dois anos, eu provavelmente não acreditaria. Minha vida era totalmente voltada para os negócios e para minha família nos Estados Unidos. A atuação surgiu de maneira inesperada, mas quando entrou na minha vida eu mergulhei completamente. Hoje olho para tudo isso com muita gratidão.
Sua entrada na atuação aconteceu de forma improvável. Como tudo começou? Foi muito inesperado mesmo. Eu levei meu filho para um teste de teatro e a produção perguntou se eu também queria testar. Resolvi fazer sem pretensão nenhuma e acabei sendo aprovada. Foi ali que tudo começou. Depois disso veio o convite da Carolina Brasil para meu primeiro filme, Senhoras, e minha vida começou a mudar completamente.
Você costuma dizer que sua carreira foi construída com muita dedicação. O que existiu por trás dessa ascensão tão rápida? Muita renúncia. As pessoas enxergam o glamour, mas existiram muitos sacrifícios, estudos, preparação emocional e disciplina. Eu dediquei esses últimos 16 meses exclusivamente para isso. Então, apesar de parecer meteórico, existiu muito comprometimento por trás.



Como foi sua estreia no cinema em “Senhoras”? Foi especial porque foi meu primeiro contato real com o audiovisual. Eu ainda estava descobrindo aquele universo, aprendendo sobre câmera, cena, marcação… Tudo era muito novo para mim. Mas foi ali que comecei a entender que realmente queria viver essa profissão.
Depois vieram “The Bay”, “Deixa-me Viver”, “Eu Sou a Lei” e “Tramas Digitais”. Você consegue parar para processar tudo isso?Às vezes não (risos). Foi tudo acontecendo muito rápido. Cada trabalho trouxe um aprendizado diferente. The Bay abriu portas internacionais muito importantes para mim. Deixa-me Viver tem uma carga emocional enorme e foi um projeto muito especial porque pude acompanhar de perto a força da Mônica Carvalho como atriz, roteirista e produtora. Ela é uma mulher que realmente está fazendo diferença no audiovisual brasileiro e agora também no mercado internacional, levando um filme brasileiro para um dos maiores festivais do mundo. Isso é muito inspirador. Eu Sou a Lei também foi uma experiência intensa no cinema brasileiro.
O que sentiu ao se ver na tela durante a exibição de “Deixa-me Viver” em Cannes? Foi uma das emoções mais fortes da minha vida. Estar naquele cinema, naquele ambiente onde tantos artistas que eu admiro já passaram… Foi surreal. E subir aquele tapete vermelho também teve um peso muito simbólico para mim. Naquele momento eu senti que minha carreira como atriz estava realmente se concretizando.



Cannes correspondeu ao que você imaginava? Superou. Cannes não é só sobre cinema. É sobre encontros, conexões e trocas culturais. Você encontra pessoas do mundo inteiro o tempo todo. Existe uma energia muito forte ali. E também é engraçado porque tudo acontece muito rápido. Você realmente precisa estar pronta em dois minutos porque oportunidades aparecem o tempo inteiro.
Sua presença no festival também chamou atenção pela moda. Como foi representar estilistas brasileiros em Cannes? Foi uma honra enorme. Poder vestir peças de alta-costura assinadas pelo Charles Hermann e pelo Rafael Carneiro em um evento desse tamanho foi muito especial. O vestido do Charles tinha mais de 98 horas de bordado manual. Existe muita arte, talento e dedicação na moda brasileira e foi lindo poder levar isso comigo para Cannes.
Você se sente vivendo um sonho? Sim, mas um sonho construído com muito trabalho. Acho que o mais bonito de tudo é entender que não existe um tempo certo para recomeçar. Minha história mostra isso. Eu comecei uma nova carreira já adulta, com outra vida construída, e mesmo assim tudo aconteceu.
Depois de Cannes, qual é o próximo passo de Fernanda Arraes? Continuar trabalhando e me preparando cada vez mais. Quero continuar transitando entre projetos brasileiros e internacionais, estudar mais, crescer como atriz e contar histórias que realmente toquem as pessoas. Acho que estou só começando.

Fotos Cássia Santos, Looks Charles Hermann e Rafael Carneiro, Beauty Director & Hair @bymarcellocosta, Makeup @makeupstudio_almalficoast, Assessoria de imprensa @MarciaDornellescomunicacao


