Estamos acostumados a ver Juliana Knust na TV faz muito tempo, desde sua primeira aparição em “Malhação”, “Sandy & Junior” até “Celebridades” e as mais recentes “Apocalipse” e “Jezabel” (ambas na Record). Ao todo mais de 20 anos que amamos Ju Knust. “O que posso dizer é que amadureci muito como pessoa e como profissional ao longo desses anos”, comentou nossa estrela. Depois de trabalho, Juliana se viu no papel mais importante da sua vida quando teve que dar uma parada para ser mãe. Vamos lá conhecer um pouco dessa trajetória de sucesso e dessa mulher que é nossa eterna musa da TV.

Juliana, desde sua estreia na TV em 1997, em “Malhação”, já se vão mais de 20 anos de carreira. Muita coisa aconteceu, muitos personagens… que momentos você destaca ao longo desse tempo? Sou grata por conseguir viver e me sustentar através da minha arte por esses longos anos! Me sinto privilegiada. São 23 anos de carreira. Muitos personagens marcantes. É difícil citar alguns por que cada um deles tem um lugar especial no meu coração. Eles sempre chegam e me transformam de alguma maneira. Me fazem pensar e, muitas vezes, repensar certos valores. Evoluir. O que posso dizer é que amadureci muito como pessoa e como profissional ao longo desses anos. E essa maturidade naturalmente me trouxe mais ferramentas pra trabalhar melhor, entender os personagens com mais profundidade.

Seu personagem Sandra em “Celebridade” acredita ter sido um divisor de águas na sua carreira lá no início? Não tenho dúvidas com relação à isso. Foi a minha primeira novela das 21h, escrita pelo Gilberto Braga e dirigida pelo Dennis. Era uma personagem muito carismática e passou a ser adorada pelo público. Eu sinto muita saudade dessa novela. O clima nos bastidores era o melhor que se possa imaginar.

Qual seu maior desafio como atriz? O que busca em cada novo personagem? Acho que o maior desafio do ator é conseguir se manter fazendo bons personagens. É uma profissão extremamente instável. A gente nunca sabe o que está por vir. Mas acho que quando você aprende a lidar com as expectativas e as frustrações, fica tudo mais fácil. Eu quero muita coisa, tenho muitos planos, mas tento ter serenidade e equilíbrio pra entender que tudo tem a sua hora.  Sonho em interpretar papéis que me tirem do obvio, da minha zona de conforto, que sejam realmente desafiadores.

Aprende muito com elas? E como é o processo de desapego ao fim da jornada? Sempre aprendo. Os personagens chegam pra nos modificar de alguma maneira. Hoje eu consigo mergulhar mais profundo nos meus trabalhos de composição. Na psicologia dos personagens. Na complexidade deles. Me sinto mais segura do que há alguns anos atrás. Confio em mim, no meu estudo, no meu trabalho. Sobre o processo de construção e desapego…Acho que todo ator é um exímio sofredor. O processo de criação e “desapego” é, na maioria das vezes, dolorido. Mas com o tempo aprendemos que o prazer de fazer o trabalho deve ser sempre maior do que as doses de sofrimento e angústia que ele gera. Se não for assim, algo está errado.

O que faz um ator ter química com outro para ser um casal de sucesso numa novela? Generosidade, respeito, troca e muito estudo devem andar juntos durante todo o processo.

Essa vida de “faz de conta” na TV e a vida “real” quando chega em casa. Como equilibrar tudo isso ainda mais sendo mãe de duas crianças? O “faz de conta” fica para o espectador. Porque o trabalho é muito real… a rotina é intensa, a dedicação é extrema! Mas é possível equilibrar tudo! Sou atriz, mãe, esposa, filha, madrinha, amiga, dona de casa…e acho que desempenho muito bem todos os meus papéis nessa vida. Na realidade, acho que sou generosa comigo! Não me cobro tanto! Não sofro por algo que não consegui fazer. Apenas dou o melhor de mim em todos os momentos, tento ser feliz e fazer feliz todos à minha volta.

Com as redes sociais ligadas a todo instante como manter a privacidade? Como dosa o que pode ir pra web e o que é pessoal? Ainda estou tentando me adaptar à esse novo conceito de redes sociais. Sei que virou uma ferramenta de trabalho mas, pra mim, ainda é um pouco difícil encarar dessa forma. Vejo muitos amigos fazendo planejamento de feed, dedicando um tempo da vida pra conseguir mais seguidores. Cada hora surge um novo aplicativo de edições… Não consigo acompanhar essa rapidez. Eu não consigo! (risos). Juro que tento! Mas não é uma coisa natural pra mim. O que acho legal é essa troca com as pessoas que te admiram, esse “reencontro” com amigos da infância, poder divulgar alguns dos meus trabalhos… enfim… Sigo na tentativa de encarar isso como um trabalho.

Você vem de uma geração de “Sandy & Junior”, cresceu aos olhos do público como mulher e atriz. Isso em algum momento te fez repensar alguns valores? Como foi administrar a carreira desde muito jovem? Venho da geração da “Malhação” na academia! (risos). Comecei muito jovem, aos 15 anos e ainda muito imatura. Errei muitas vezes. E ainda erro. Mas quando se é apenas uma menina aprendendo a viver a vida, e sendo acompanhada por muitos olhares curiosos de pessoas que esperam que seja perfeita… o tombo é muito grande. Fui mal interpretada muitas vezes. E dói o julgamento. Dói a mentira. Dói não ter a “liberdade” em alguns momentos. Já passei por uma depressão e por princípio de síndrome do pânico… Eram muitos questionamentos que me fizeram, em um determinado momento, me perder de mim mesma. Não entender até aonde ia a Juliana, pessoa física, e aonde começava a Juliana atriz. Até aonde eu fazia as coisas pra agradar aos outros ou não. Enfim… muita terapia e muita meditação. Pra me perdoar e me aceitar.

Em 2007 por conta da popularidade da personagem Débora em “Duas Caras” você terminou estampando a capa da Playboy. Como foi a experiência? O que marcou? Foi uma experiência maluca. Tinha muita convicção de que não faria aquele ensaio. E mudei de ideia aos 45 do segundo tempo. Da noite pro dia, resolvi aceitar e levei de forma muito tranquila, supreendentemente. 2007 foi justamente o ano em que tive depressão. Estava desequilibrada emocionalmente. Fragilizada. E resolvi virar o jogo. Acho que ali foi um resgate de auto estima, um momento de fazer as pazes comigo, me aceitar, me sentir poderosa! Tive uma equipe muito incrível… me senti extremamente cuidada e protegida por todos. Aquilo me passou uma segurança muito grande. E o resultado me deixou bem feliz.

Quando se acha sexy? E como usa isso a seu favor? Qual o seu conceito de sexy? Se for a naturalidade, posso até dizer que sim, me acho sexy! (risos). Por que No meu dia a dia sou a pessoa mais natural do mundo. Ando de cara lavada, jeans e chinelo nos pés. Posso dizer que uso minha sensualidade como ferramenta no meu ofício de atriz. Quando o trabalho pede, me jogo sem medo. Óbvio que preciso me sentir segura no ambiente de trabalho e certa de que a trama precisa dessas doses a mais de pimenta pra ser contada. Se existir essa confiança, seguimos em frente.

É muito vaidosa? Como lida com o espelho e como mantém a boa forma? No meu primeiro trabalho na TV, aos 15 anos, precisei engordar 10 kg pra fazer a personagem. A partir desse momento, virei uma sanfona ambulante. Precisava emagrecer a cada novo trabalho e isso exigia de mim muito esforço e dedicação. Já fiz todas as dietas existentes no planeta. Já tomei remédio pra emagrecer, inibidor de apetite… já fiquei bem louca por causa disso! (risos). Aos poucos fui aprendendo a importância do equilíbrio em tudo. Corpo, mente e alma. Acho que essa consciência veio junto com a maturidade. Quando eu entendi que precisava ter equilíbrio, parei de sofrer e fiz as pazes com meu corpo. Me cuido hoje muito mais pela minha saúde física e mental do que por estética. Apesar do meu corpo também ser instrumento do meu trabalho. Acho que a frase do momento é: seja a melhor versão de você mesma. E seja feliz.

Homem vaidoso, pode até que ponto? Como enxerga isso? Homem vaidoso pode sim! A gente precisar quebrar esses paradigmas, criados por uma sociedade machista, de que apenas as mulheres devem se cuidar. Já passou da hora de nos livrarmos desses preconceitos bobos. Estamos no século XXI. Cada um vive a sua vida da maneira que achar melhor e ponto! Ninguém tem nada com isso. A felicidade pessoal deve estar acima de tudo.

O que faz sua cabeça na hora de relaxar? Fazer yoga, ver um bom filme, ler um bom livro…

Para te conquistar basta… Ser uma pessoa do bem.

Fotos Nilo Lima

Realização Márcia Dornelles

Beleza Jefferson Marco

Looks Espaço Edu Santos e Zany Assessoria

Locação Barber Beer