“Hoje, a inteligência do grupo é mais inteligente que o mais inteligente do grupo. E isso passa pela colaboração”.

O SXSW é um dos maiores festivais do mundo. Acontece há mais de 30 anos em Austin, Texas, e é dividido em três partes: Interactive (comunicação, comportamento, publicidade, tecnologia e inovação), Music & Film – em que tudo o que é produzido na cena independente nasce, e Colaboração humana, que é palavra chave. O SXSW é o epicentro mundial da economia criativa. É onde vemos o que há de mais avançado em tecnologias e conexões. Um gostinho do futuro em 10 dias. De discussões filosóficas até conteúdos em espectros muito amplos. Uma pluralidade de assuntos que chega a ser assustador.

A urgência predominante é o fluxo exponencial das mudanças. Tudo o que era analógico passa a ser digital e o constante desafio é entender o limite do que é humano e o que é máquina. Como nos futuros distópicos que crescemos lendo sobre. As nossas decisões de agora, realmente, moldam os futuros possíveis.

Em 2018, muito falou-se sobre como uma mudança pequena e diária pode mudar muito as nossas relações. Em pauta, também, a realidade aumentada, o timing da realidade virtual, a ética na tecnologia (e o learning machine), como evitar as Fake News, como a tecnologia pode servir para o bem da humanidade e não simplesmente para gerar mais lucro e como nasce uma tendência (como ela amadurece e sobrevive). Aprendemos, também, a importância de entender a diferença entre estabelecer relações autênticas ao gerar amizades criando comunidades ao invés de só fazer networking.

Parte importante da lição, que pode ser usada por nós, é saber que autenticidade pode trazer resultados incríveis e que a boa tecnologia continua sendo o caminho mais claro para conectar marcas às novas gerações, entendendo que transformar rotina em algo divertido é o melhor método para abordar novos consumidores. De uma forma ou de outra, o SXSW cria oportunidades para exercer o mais básico dos nossos instintos: o de se relacionar.

Outro exemplo sempre inspirador e que merece destaque é ouvir da boca do evangelizador Casey Neistat a “Teoria do Tarzan”. Aquela que diz que cada cipó (oportunidade) que você pega pode te levar a algum lugar diferente, talvez não exatamente ao lugar que você quer ir, mas definitivamente vai te levar mais próximo do seu destino (objetivo) final. Cada corredor do Centro de Convenções e cada rua de Austin é isso.

Um outro bom exemplo, é a computação cognitiva, considerada o próximo grande avanço da humanidade no campo tecnológico. A computação cognitiva nada mais é que uma tecnologia capaz de processar informações e de aprender com elas de forma muito semelhante ao cérebro humano, sem que precise ser programada. Esse sistema de inteligência artificial é capaz de compreender e aprender com a linguagem natural e com textos, imagens e outros dados não estruturados, aqueles que ainda não foram convertidos para a linguagem tradicional das máquinas. Algoritmos sofisticados permitem ainda a análise de uma quantidade massiva de dados, para gerar insights e novas soluções para a humanidade.

Sobre empreendedorismo, um ponto interessante que esteve presente em diversas conversas é o do papel do mercado independente. Vale frisar o quanto essa palavra deixou de ser sinônimo de algo que não vai dar certo e passou a ser uma escolha bem valorizada. É uma mudança profunda no conceito de sucesso. Ser independente significa ser dono das suas próprias escolhas. Algo imensurável.

Tive a oportunidade, também, de comemorar com quatro dos meus autores/quadrinistas preferidas os 80 anos do Superman. Um papo ótimo com Jim Lee, Dan Jurgens, Frank Miller e Brian Michael Bendis. O grupo de escritores aproveitou os momentos sob o holofote para compartilhar com a plateia seus aspectos favoritos do Superman, bem como suas principais histórias ao longo dos anos. “Sinceramente, a julgar pelo o que pensamos sobre ‘esperança’ nesse ambiente em que estamos crescendo parece que, mais do que nunca, precisamos do Superman”, disse Bendis.

Mesmo com tudo isso na mesa, aprendi (ou lembrei) o quanto a paixão, os erros, e a nossa capacidade de mudar (principalmente quando somos submetidos à narrativas potentes), continuam sendo o nosso principal combustível. O SXSW é para ser digerido durante todo o ano.

Te faz repensar praticamente tudo.

Fui lá para um update e saí com um reboot.

Para mais conteúdo sobre o SXSW: http://www.updateordie.com/category/criatividade/sxsw-criatividade/ tem missão ao Sol, música, o Exterminador do Futuro, Luke Skywalker, o café do Wolverine, muitos documentários, cogumelos, Darren Aronofsky, Bozoma Saint John, Westworld e Kondzilla.

Vídeo do SXSW:  https://www.youtube.com/watch?v=2OQZfjHn6m8

E um pouco da Flatstock: https://www.youtube.com/watch?v=h-L283iV4Oc

 

Gustavo Giglio – Publicitário, sócio-diretor de marketing e novos negócios do Update or Die, curador do CCXP UNLOCK (Comic Con Experience). Formado em Propaganda e Marketing (Mackenzie), tem pós-graduação em Design e Comunicação (SENAC) e MBA Executivo em marketing (MMMarketing). Esteve por várias vezes em eventos internacionais, gerenciando projetos de cobertura e produção de conteúdo como: SXSW, Festival de Criatividade em Cannes e San Diego Comic Con.