ESTRELA: SARAH ANDRADE MUITO ALÉM DO REALITY

Muito além da participante que conquistou o público no BBB 21, Sarah Andrade construiu uma trajetória marcada pela capacidade de se reinventar. Comunicadora, empresária, mentora e estudiosa do comportamento humano, ela transformou experiências pessoais, desafios profissionais e a exposição nacional em ferramentas para impactar a vida de milhares de pessoas. Entre passagens pelo universo corporativo, projetos voltados ao desenvolvimento humano e iniciativas no empreendedorismo, Sarah ampliou sua atuação para além do entretenimento, consolidando uma carreira baseada em comunicação, autoconhecimento e propósito. Nesta entrevista, ela fala sobre os aprendizados dentro e fora dos realities, os desafios da autenticidade, o papel da vulnerabilidade na construção da autoconfiança e os caminhos que vem trilhando para inspirar outras mulheres a ocuparem seu espaço com mais coragem e consciência.

Sua participação no Big Brother Brasil 21 ficou marcada pela inteligência emocional e leitura estratégica do jogo. O que aquela experiência revelou sobre você mesma? Acho que o BBB revelou muito da minha capacidade de observar as pessoas e os ambientes. Sempre fui muito analítica, muito ligada em entender pessoas, emoções e relações. Mas lá isso ficou muito escancarado. Ao mesmo tempo, também me mostrou minhas vulnerabilidades, minhas inseguranças e o quanto a forma que as pessoas te enxergam nem sempre condiz com quem você realmente é. Foi uma experiência que me obrigou a amadurecer emocionalmente muito rápido. Acho que ali eu aprendi que autenticidade tem um preço, mas também tem um poder enorme.

E como foi retornar ao universo do reality no Big Brother Brasil 26 já com uma visão mais madura e uma carreira consolidada fora da casa? Voltar para o universo do reality foi muito diferente. No BBB21 eu entrei muito mais inocente sobre a dimensão de tudo aquilo. Já no BBB26 eu voltei mais madura, mais consciente da minha comunicação, da minha imagem e, principalmente, de quem eu sou fora dali. Acho que a maior diferença é que hoje eu tenho muito mais clareza sobre a mulher que eu quero ser e sobre o que eu não estou mais disposta a abrir mão. Eu não mudaria quem eu sou pra caber em enredos, expectativas ou narrativas criadas. O reality virou só uma parte da minha história, não a minha história inteira. E isso muda tudo.

O que o grande público não sabe é que você construiu uma trajetória que une comunicação, neurociência e comportamento humano. Em que momento percebeu que queria transformar esse conhecimento em uma missão pública? Eu acho que isso nasceu muito da minha própria dor. Passei por bullying, distorção de imagem, problemas de autoestima… então comecei a estudar neurociência, comunicação, emoções, leitura de pessoas e PNL porque eu queria entender melhor a mim mesma e a mente humana. Mas o grande estalo veio depois de um podcast que eu participei. Quando as câmeras desligaram, uma pessoa da produção veio falar comigo com os olhos cheios de lágrima e me contou uma história da família dele. No final, ele disse que talvez, se eles tivessem tido acesso a conversas como aquela antes, muita coisa poderia ter sido diferente. E que a minha história poderia ajudar milhares de pessoas também. Aquilo me atravessou de um jeito muito forte. Porque parecia exatamente um sinal que eu já vinha pedindo pra Deus há muito tempo.

Antes da projeção nacional, você passou por empresas como Odebrecht, Souza Cruz e Heineken. O que o ambiente corporativo ensinou sobre liderança feminina e posicionamento? O corporativo me ensinou muito sobre postura, inteligência emocional e posicionamento. Trabalhar em empresas grandes me fez entender que muitas vezes a mulher precisa aprender a ocupar espaços sem pedir desculpas por isso. Eu era muito nova e já estava em ambientes extremamente competitivos. Então aprendi muito sobre comunicação estratégica, leitura de ambiente e sobre como firmeza e sensibilidade podem coexistir. Acho que isso moldou muito a comunicadora e empresária que eu sou hoje.

Você fala muito sobre autoconfiança e autenticidade. Na prática, quais são os principais bloqueios emocionais que percebe nas mulheres hoje? O maior bloqueio que eu vejo hoje é a vergonha. A mulher tem vergonha de falhar, vergonha de se expor, vergonha de não ser perfeita, vergonha de começar. A gente vive numa sociedade que cobra performance o tempo inteiro. E isso faz muitas mulheres viverem personagens ao invés de viverem a própria vida. Vejo muitas mulheres extremamente potentes, mas que passaram tantos anos tentando caber em expectativas, que perderam a conexão com quem realmente são.

E como foi confrontar essa autoconfiança e autenticidade com esse desafio de relacionamento que é o BBB? O BBB é quase um laboratório emocional. Porque você é confrontada o tempo inteiro. Com rejeição, julgamento, comparação, pressão… e não existe filtro. Então é impossível aquilo não mexer com sua autoconfiança. Só que ao mesmo tempo, foi uma das experiências que mais me obrigou a olhar pra dentro. Acho que foi ali que eu entendi que autoconfiança não é você nunca duvidar de si. É conseguir continuar sendo você mesma em ambientes que tentam te desconstruir.

Dentre os seus projetos temos o Clube Lupa que nasceu com a proposta de trabalhar expansão de mentalidade e desenvolvimento humano. Qual transformação mais te emociona ver nas pessoas que participam da plataforma? O que mais me emociona é quando alguém percebe que nunca foi “insuficiente”, só estava desconectada de si mesma. Eu recebo muitas mensagens de mulheres falando que voltaram a se posicionar, a empreender, a gravar vídeos, a terminar relacionamentos abusivos, a acreditar nelas de novo… e isso mexe muito comigo. Porque o Clube Lupa nunca foi sobre criar pessoas perfeitas. Sempre foi sobre ajudar pessoas a se reencontrarem.

O Método L.U.P.A. aborda vergonha, vulnerabilidade e autoimagem. Por que você acredita que ainda existe tanta dificuldade em falar sobre vulnerabilidade de forma saudável? Porque durante muito tempo vulnerabilidade foi associada à fraqueza. Principalmente para mulheres. Existe uma pressão muito grande para sermos fortes o tempo inteiro, como se sentir medo, insegurança ou tristeza diminuísse nossa potência. E eu acredito exatamente no contrário. A vulnerabilidade saudável aproxima, conecta e humaniza. Quando você para de tentar parecer invencível, você começa a criar conexões reais.

Além da comunicação e do desenvolvimento humano, você também entrou no empreendedorismo tecnológico com a SimulaPro X. O que despertou seu interesse pelo mercado financeiro e construção patrimonial? Meu interesse pelo mercado financeiro nasceu muito do desejo de construir liberdade. Eu sempre fui uma pessoa muito estratégica e sempre gostei de entender como as pessoas constroem patrimônio, multiplicam dinheiro e criam independência. E quando conheci o mercado de consórcio mais profundamente, percebi o quanto existia desinformação sobre esse universo. A SimulaPro X nasceu muito disso: da vontade de simplificar algo complexo e transformar a experiência tanto do corretor quanto do cliente.

No projeto Mulheres no Topo, você entrevistou nomes como Alexandra Loras, Isabela Matte e Thaila Ayala. Qual aprendizado dessas conversas mais marcou você? Acho que o que mais me marcou foi perceber que mulheres completamente diferentes compartilham dores muito parecidas. Insegurança, medo de não serem suficientes, síndrome da impostora, pressão estética, culpa… independentemente do sucesso que elas conquistaram. Isso me fez perceber o quanto o desenvolvimento emocional é importante em qualquer nível da vida. E também me inspirou muito ver mulheres ocupando espaços de liderança sem perder a essência delas.

Hoje você transita entre entretenimento, negócios e desenvolvimento humano. Qual legado gostaria de construir como comunicadora da sua geração? Eu quero construir um legado de coragem. Quero que as pessoas olhem pra minha trajetória e entendam que é possível se reinventar, recomeçar e ocupar espaços sendo autêntica. Quero ser lembrada como uma mulher que usou a comunicação para despertar pessoas. Principalmente mulheres. Fazer elas acreditarem mais nelas mesmas, se posicionarem mais e entenderem que não precisam esperar permissão pra existir de forma grandiosa.

Como se definiria hoje? Quem é Sarah Andrade e onde deseja chegar? Hoje eu me definiria como uma mulher em construção, mas muito consciente da própria essência. Sou comunicadora, empresária, mentora, mas acima de tudo sou alguém apaixonada por pessoas, comunicação e pela forma como as emoções moldam a nossa vida. Acho que minha missão é transformar dor em ponte, experiência em ensinamento e comunicação em impacto. E onde eu quero chegar? Quero continuar construindo projetos que tenham propósito, que conectem pessoas e que deixem um impacto positivo na vida delas. Acho que sucesso, pra mim, tem muito mais a ver com coerência, verdade e transformação do que só visibilidade.

Fotógrafo @trumpas / Stylist @romeritonpaulo / Beauty @_maiamakeup