Conversar com Vanessa Giácomo é sempre um prazer. Quem já esteve em contato com ela sabe do que estamos falando. Para esta sessão de fotos, por exemplo, foi daqueles trabalhos que não parecem trabalho. Algo parecido como é atuar para Vanessa. Ela se sente tão entregue e realizada que aquilo vira um prazer de estar fazendo. Ativa, dinâmica, comprometida e principalmente positiva, Vanessa é mãezona, agora “professora” (é ela que tem auxiliado os três filhos nos estudos em casa), empreendedora, dona de casa, atriz e, principalmente, dona do seu destino. Nesta segunda matéria de capa, Vanessa se mostra ainda mais encantadora. E cheia de planos para este ano. Enquanto isso, vamos nos deleitar com essa bela matéria com essa mulher que é puro encanto.

Desde sua estreia na TV já se vão quase 20 anos. Como você se avalia até aqui. Foi como planejava ou melhor do que pensava? Eu gosto muito de viver o presente. É claro que eu desejava construir uma carreira sólida, mas acredito que isso só foi possível justamente por estar vivendo o presente, viver cada trabalho, cada história. Gosto muito de minha trajetória, dos personagens que fiz, do carinho e respeito que conquistei de meus colegas e do público. Mas toda carreira é feita de pequenos passos. E você precisa se dedicar. 

Sua estreia nas novelas veio com Cabocla, que voltou recentemente ao Globoplay. Época marcante. Que lembranças guarda desse trabalho e dessa época? Foi um trabalho muito bonito e especial. Cabocla era um remake de uma novela de sucesso, com muita expectativa e eu assumi o papel que tinha sido da Gloria Pires no passado. Além de uma responsabilidade, uma honra enorme. Gloria é uma atriz maravilhosa. E comecei ali também uma parceria com o Benedito Ruy Barbosa, um autor que eu admiro demais. Como foi gostoso trabalhar com ele. Repetimos depois essa parceria em mais trabalhos, o que me deixa muito orgulhosa de ter obras dele em meu currículo. 

Por vezes, a vida nos coloca em situações que nos dividem em “antes e depois”. Algo até aqui que possa ser considerado um divisor de águas, seja na carreira ou na vida pessoal? Acho que a estreia na TV foi um divisor de águas. Eu ganhei uma notoriedade e pude, por causa dela, viver da minha arte, viver daquilo o que eu gosto de fazer. Na vida pessoal, com certeza, o fato de ter me tornado mãe. E destaco o nascimento de cada um dos meus três filhos, porque eu aprendi e aprendo com cada um deles. Ser mãe é algo que me transformou. 

Pulando de Cabocla para seu mais recente trabalho, Filhas de Eva, com uma personagem bem intensa, ousada e carga total, o que mostra sua versatilidade em diversos tipos de personagens. Que análise faz disso? Como ser várias sendo só uma? Acho que esse é o grande barato de ser atriz –  você poder ser várias em uma. E eu amo esse jogo cênico. Amo composição de personagem. Eu escolhi a profissão certa, porque, de fato, é o que me motiva, é o que me dá alegria. Adoro conhecer e descobrir quem é essa nova personagem que aparece pelo meu caminho. 

Falando nisso… Bem aceita pelo público e pela crítica, Filhas de Eva vem arrancando elogios pela fotografia, trilha sonora e abordagem delicada dos temas. Quais destaques você acrescentaria à lista? Foi um trabalho tão gostoso, com uma equipe que eu gosto tanto. Sem falar das amigas que tinha em cena, como a Giovanna Antonelli e a Renata Sorrah. É um daqueles trabalhos que, quando a gente finaliza, dá até uma peninha de tão bom que foi. Existia uma afinação grande entre elenco e equipe. E acho que isso se traduziu na tela. 

Alguma cena preferida? Algum desafio extra? Eu gosto de várias cenas. Mas amo a história do bolo, que ela resolve fazer porque não tem dinheiro. Acho muito sensacional essa iniciativa dela e cara de pau também (gargalhadas). 

Vale tudo pela personagem? Alguma barreira ou incômodo em fazer algo por uma personagem? Vale tudo se você acredita e está entregue à personagem. Se tem algo que é importante e crível para a narrativa, eu embarco. Pensando rapidamente, não tem nada que seja uma barreira. 

Algo que, com a maturidade de hoje, faria diferente nos primeiros passos de atriz? Eu não posso desvalorizar as decisões que eu tomei lá atrás. Graças a elas, eu estou aqui hoje. Sou muito grata por ter tido sabedoria nos momentos certos, por ter feito boas escolhas nessa minha caminhada. 

Onde e como se sente mais desafiada como atriz? Eu me sinto desafiada em cada projeto que aceito. Eu preciso me sentir desafiada para estar em um trabalho. É quase uma premissa. Não gosto de fazer nada por fazer, porque preciso cumprir uma cota, entende? Eu gosto de me entregar, eu preciso comprar aquela história para poder embarcar. 

E como mulher, cidadã… Onde se sente mais desafiada a mostrar algo? Acho que é, no fato, em mostrar que a mulher pode ser tudo o que ela quiser. Ela pode ser mãe ou não. Ela pode ser dona de casa. Ela pode ser profissional. Ela pode ser tudo isso junto se quiser. E eu sempre sinto que subestimam a nossa capacidade intelectual, como se a gente fosse apenas o corpo e a maquiagem que usamos. Somos muito mais do que isso. 

Nesses tempos de pandemia o que mudou em sua vida e como tem contornado isso? A dinâmica em minha casa mudou muito porque as crianças passaram a estudar em casa. E não foi nada fácil me adaptar ao home school. Foi bem complicado, para dizer a verdade. Temos que valorizar muitos os professores, porque essa classe merece todo o nosso respeito e aplauso. E merecia ser muito bem remunerada. Ensinar é um dom. Tivemos que nos organizar para ajudar no desenvolvimento e aprendizado das crianças. 

E como anda a Vanessa mãe no meio disso tudo? Até porque sabemos que você é muito presente. Eu sigo presente. Virei professora deles nesse período de pandemia, além de mãe (risos). Mas eu amo estar presente na vida deles, amo presenciar as descobertas, educar… Gosto muito de ser mãe. 

O quanto é cuidadosa da beleza e o quanto é entregue às ações naturais do tempo sem qualquer nóia? Eu gosto de me cuidar. Acho que é um tempo que eu tiro para mim e é necessário, porque você precisa se desdobrar e se doar para tantas coisas. Gosto de cuidar de minha pele, de meu cabelo. Vou à dermatologista. Acredito muito nos cuidados preventivos. Mas eu não tenho uma nóia com o passar do tempo, não. É natural, todos nós vamos encarar os efeitos dele. E o que eu acho importante, é passar por isso da melhor forma.

Onde está a real beleza? E como você a vê em você? Beleza está em seu estado de espírito. Mesmo. Acho que beleza está muito associada a você estar em paz consigo, sabe?! É nesses momentos que eu me sinto mais bonita que eu consigo ver a beleza das coisas também. 

Deixando a beleza de lado, onde e como exercita a mente e a alma? De que você se “alimenta” neste sentido? Adoro o contato com a natureza. Amo cuidar de meu jardim, de minhas plantas. É algo que me acalma e me equilibra. Adoro esse contato da mão com a terra. 

Qual é seu maior pecado? A que não resiste? Acho que é a gula (risos). Adoro uma boa comida. Aliás amo reunir a família em torno da mesa. É uma de minhas alegrias. 

Planos pra 2021? Consegue traçar algo ou “deixa a vida me levar”? Já tenho alguns projetos para atuar, mas ainda não posso adiantar. Eu acabei de lançar uma linha de pijamas, que é algo que me deixou muito feliz. Gosto desse lado empreendedora também. Vou, também, abrir um restaurante. Eu gosto muito de estar envolvida com projetos. Além disso, estou amando cada vez mais escrever. E estou produzindo algumas dessas coisas que eu escrevo. Tem bastante novidade.

Foto Marcio Farias (@marciofariasfoto)

Beleza Elcides Freitas (@elcidesfreitas)

Styling Paulo Zelenka (@paulozelenka)

Direção Rafaella Freitas (@rafaella_freitasgyn)

Asst de Produção Anamélia Caserta (@anameliacaserta_)

Asst de conteúdo Thamyris Mendes (@thamymendes)

Asst de fotografia Milena Leão (@mileao)

Retoque Digital Henrique A Retouch (@henriquebmx2)

Agradecimento ao Le Chateaux Joa Hotel (@lechateauxjoa)