CAPA: JOSÉ LORETO, O HERÓI DE MIL FACES

ENTRE CINEMA, TELEVISÃO E TEATRO, O ATOR REVISITA PERSONAGENS QUE MARCARAM SUA TRAJETÓRIA E REVELA SUAS TRANSFORMAÇÕES EM CENA

Por Ivan Reis

Talento consolidado de sua geração, José Loreto tem alcançado novos patamares na carreira ao dar vida a personagens que povoam o imaginário do público brasileiro. Na televisão, ganhou destaque com o carismático Darkson, em Avenida Brasil, e também deu vida ao simples Tadeu, no remake de Pantanal, exibido em 2022, entre tantos personagens. Em março, encerrou com grande sucesso a temporada de Ópera do Malandro no Teatro Renault, onde deu vida ao protagonista Max Overseas em sessões que reuniram cerca de 1.600 espectadores, consolidando sua força nos palcos. Agora, ele se prepara para um novo e importante desafio na televisão: será um dos destaques da nova novela das 21h, Quem Ama Cuida, escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Amora Mautner. Na trama, José interpreta Yuri, personagem criado especialmente para ele — um convite irrecusável que marca também a realização de um desejo antigo de trabalhar com Walcyr e reencontrar Amora em um projeto desse porte.

O ano também reserva estreias importantes no cinema. José protagoniza Chorão: Só os Loucos Sabem, produção que promete ser um marco na cena audiovisual, além de Pecadora, romance inspirado no best-seller de Nana Pavoulih, que chega aos cinemas no dia 13 de agosto. Entre palco, televisão e cinema, José reafirma sua versatilidade e vive uma fase de plena ascensão, com projetos que ampliam sua presença e relevância no cenário artístico. Há mais de duas décadas na atuação, o niteroiense de 41 anos divide a agenda atribulada com a família — especialmente com a filha Bella, de sete anos. Transformado pela experiência da paternidade, o ator revela como é sua relação com a pequena e fala sobre seu estilo de vida marcado por música, esporte e movimento. Em um papo com a MENSCH, José Loreto revela alguns bastidores de momentos de seus trabalhos, os novos capítulos de sua carreira e como é ser um artista embalado pela musicalidade nos últimos tempos. “Ser ator é ser múltiplo”, declarou o ator em entrevista exclusiva.

Você construiu sua carreira no cinema, teatro e televisão vivendo personagens marcantes. Como é ser um ator que transita por diferentes universos artísticos? É o caminho natural das coisas. Enquanto ator, é muito difícil a gente ficar em uma só área. Acho que o ator tem fome e ser um só é como se não o saciasse. Quando comecei a fazer teatro, entendi que era a base de tudo e que dava muito prazer – era uma experiência muito enriquecedora. Quando eu fui ganhar as primeiras chances na televisão, vi que era outra coisa. O ator tem inquietude e que bom que temos diversas plataformas – são dedos de uma mesma mão que apontam e se mexem de maneiras diferentes. E uma coisa acrescenta a outra, sabe? Sou um ator muito mais completo quando faço um filme porque eu me formei em teatro e fiz muita televisão e vice-versa e em qualquer área. Até no teatro, que estou fazendo, sou mais competente porque faço televisão e cinema. Eu transito em intensidades, sei quando a câmera está perto, aberta, sei o quanto temos que nos expressar e nos emocionar de acordo com o ponto de vista de quem está nos assiste. É um caminho sem volta. Ser ator é ser múltiplo.

Você deu vida a um personagem marcante da história do teatro brasileiro, na pele do contrabandista Max Overseas Navalha, no espetáculo Ópera do Malandro – Musical, na nova leitura a partir da peça de Chico Buarque. Como foi sua preparação? Quais foram as referências artísticas que você buscou para o papel? Minha preparação foi uma delícia porque era uma coisa que eu nunca tinha feito. Musical, cantar em teatro e com músicas do Chico Buarque. Foi um trabalho em que me senti muito virgem. Queria aprender tudo e estou rodeado de gente de musicais. Suguei, no melhor dos sentidos, de cada companheiro de cena, produtor, direção, da galera que tem experiência em musicais. Eu assisti a muitas produções e outras [montagens da Ópera do Malandro. Busquei a minha identidade artística, fiz o meu ‘malandro’ e com as referências do diretor(Jorge Farjala), pegando muita experiência com os meus companheiros. Acredito que é igual a um time de futebol. Quando eu jogo bola com uma galera que joga muito bem, o meu jogo flui e fico um craque. Quando jogo com quem está aprendendo, que não tem muito jogo, a minha partida também atrofia. É natural. Eu joguei com uma galera muito braba do teatro musical, e eu me joguei na deles. O que eles faziam, eu fazia. Eu, na minha intensidade, fazia, ensaiava oito horas por dia, fazia aula de canto e de dança – queria ensaiar mais. Por mais cansativo que fosse o processo, foi um dos mais cansativos que já fiz. É  uma vida de atleta, fazer um musical desse porte. É maravilhoso o que eu aprendo todo dia no palco, mas, hoje, a galera vê a peça e já me vê entre um deles sem distinção, porque eu me joguei intensamente e fui muito bem acolhido. Minha maior preparação foi com as pessoas que estão ao meu lado.

Ainda sobre personagens, você viveu tipos que povoam o imaginário do público. José Aldo, do filme Mais Forte Que o Mundo, Darkson, de Avenida Brasil, Tadeu, de Pantanal, Lui Lorenzo, de Vai na Fé – incluindo a participação especial em Dona de Mim -, além de Marcelo Gouveia, em No Rancho Fundo, que são alguns dos mais conhecidos. Qual deles você considera um marco na sua trajetória? Acredito que tive muita sorte…e a gente não tem sorte à toa. Se eu não tivesse me preparado para as sortes que tive, elas passariam despercebidas. Tive muita sorte de fazer bons personagens de composição, que conseguem se distanciar de mim. São tipos que as pessoas olham e não me reconhecem. Às vezes, até eu não me reconheço dentro de alguns deles, mas…é difícil apontar um marco (risos). Eu posso dizer que, em Avenida Brasil, Darkson foi um marco porque foi um personagem da primeira novela que fiz de cabo a rabo. Antes, já tinha feito muitas participações, dois anos de Malhação. Já  tinha uma experiência, mas nunca tinha feito uma novela com um personagem – ainda mais em uma novela das nove daquela magnitude. A partir dali, as pessoas começaram a conhecer um pouco do trabalho do ator José Loreto.

Não posso deixar de incluir José Aldo, de Mais Forte que o Mundo, porque foi o meu primeiro protagonista. Fazer o papel principal em um filme, é bem diferente de televisão. Eu fiz o Darkson e falei: “Dou conta disso. Consigo trabalhar nesse lugar com saúde, sabedoria, delicadeza e com nuances que cada um dá”. Ninguém vai fazer um personagem igual ao meu e vai ter a minha digital. O José Aldo também. Fiz e falei: “Dei conta de fazer um protagonista de um filme de um cara real, amado, conhecido mundialmente”. O filme é bárbaro. Há também outros tantos personagens. Tadeu, de Pantanal, Luís Lorenzo, todos são diferentes um do outro. Eu tive a sorte de fazer uma novela, um trabalho, um filme, e, logo após, fazer um personagem diferente. Parece que eu vou e faço o extremo oposto. Tanto que, em Avenida Brasil, eu fiz o Darkson, um sedutor e locutor de loja. Na novela seguinte, já me chamaram para fazer o Candinho, um homem aluado, infantil. Então, isso permite mostrar um pouco o José (Loreto) e suas versatilidades.

Você protagonizou Chorão: só os loucos sabem, filme inspirado no livro Se não eu, quem vai fazer você feliz? Minha história de amor com Chorão. Como foi interpretar um cantor que marcou uma geração da juventude brasileira? Nem posso falar muito porque ainda não tenho a dimensão do que vai ser, esse filme. É como se a ficha ainda estivesse caindo. Fiz um cara de quem eu sou fã, que me fez andar de skate aos quinze anos, que eu vi há vinte anos quando estava fazendo Malhação. A música tema do meu primeiro trabalho era dele e fui fazer uma participação com a gente andando de skate. Eu o vi cantando moleque, e o vi sorrindo. É o cara que me inspirou muito. A sua rebeldia, a sua vontade de falar, sabe? Lembro que vi o Chorão falando para o público entre uma música e outra. Eu falei: “Cara é isso! Eu quero ter uma voz, poder gritar quando eu fizer uma peça, quero ter a vontade que ele tem de falar. Quero falar de um tema, levantar uma bandeira do jeito e na intensidade que esse cara faz”. Eu ter interpretado ele no cinema foi, talvez, a experiência mais espiritual – digamos assim -, porque acredito que foi uma escolha não só de produção, de direção – foi além. Como ainda não saiu o filme, estou esperando para absorver tudo o que vivi porque ainda estou nesse processo de desapego desse baita personagem – talvez o maior da minha carreira até então.

O longa-metragem retrata a vida amorosa, a superação e a luta contra a dependência química do vocalista da banda Charlie Brown Jr. Ainda é difícil abordar temas sensíveis no cinema? Ainda é difícil abordar temas sensíveis no cinema e sempre vai ser. Qualquer coisa mais delicada requer sutileza, né? Falar de um ídolo que inspirou muita gente e que teve uma luta contra a dependência química são dois vetores que apontam para lados opostos. É delicado. Como contar isso? Como pesar um lado sem abalar o outro? Como essas coisas se comunicam e independem uma da outra que, talvez, seja o sucesso, a dependência química…é muito delicado. Acredito que o roteiro, a direção e eu, na minha sensibilidade de ator ao fazer cenas mais delicadas, chegamos a um lugar muito lindo, enriquecedor e onde os fãs do Chorão vão ficar enlouquecidos. Quem não era fã – se é que tem – vai entender muito o Chorão por um outro olhar. Esse filme é muito lindo.

Com os anos de profissão, quais são as transformações e os desafios que você percebe? Como é ser artista no Brasil hoje? Acredito que o mundo é muito fluido. Este ano já não é como o ano passado. As coisas mudam muito rápido e ganham lentes de aumento para alguns aspectos e outros são deixados de lado. Como é ser artista no Brasil, hoje? É estar ligado com os olhos, o coração, o ouvido, o olfato – tudo. Porque, para você levantar uma bandeira importante, já que, como artista conhecido, você influencia e inspira pessoas. É ser mais sensível, humano, ser mais o que eu acho que o mundo precisa hoje. Há muitos temas banalizados e há uma preocupação com o entorno, com vários tipos em busca de igualdade. Ser artista no Brasil de hoje é ser sensível, entender as mudanças, adaptar-se a elas e querer jogar junto delas.

Nas filmagens, você conheceu Fernanda Marques, atriz que viveu Graziella Gonçalves, com quem Chorão foi casado de 2003 a 2011. Vocês contracenaram na produção e estão em um relacionamento. Como é viver uma história de amor dentro e fora das telas? Você se considera um cara romântico? Contracenei com a Fernanda Marques, uma atriz, uma potência, uma amiga e que, por um acaso do destino, estamos nos relacionando e nos dando bem lindamente, somando um com o outro na vida, na felicidade entre tantas outras qualidades de vida que a gente tem com quem queremos estar junto. Acredito que são encontros e momentos – o que é muito raro acontecer. Foi muito lindo a gente se encontrar e viver uma história. Acredito que esse filme foi um projeto com uma força espiritual, energética muito intensa e forte. A nossa relação é um pouco o efeito colateral disso tudo. E sobre ser romântico…eu me considero sim. Não sou o antigo romântico, mas gosto de dar flores, de surpreender, de ser carinhoso e fazer surpresas. Gosto de ver a felicidade e a surpresa dos outros. “Yo soy un romântico”(risos).

Na rotina atribulada de gravações e outros trabalhos, o que você prioriza? Seja qual for o trabalho, eu tenho que ter tempo para estar bem e ter contato com a minha filha (Bella Loreto, de 7 anos, fruto do relacionamento com a atriz Débora Nascimento). Estar com ela, conseguir levá-la na escola, participar do dia a dia dela, por mais intenso que seja o trabalho. Eu priorizo, além disso, que é fundamental para mim e para a minha filha, é não colocar o trabalho na frente da família. Por mais que eu ame e que o trabalho também seja uma das prioridades da minha vida, ele não passa por cima disso, em nenhum momento. Priorizo ter paz de espírito, estar em contato, trabalhar com pessoas de quem eu gosto de estar, com quem seja agradável trabalhar e que seja engrandecedor. Não quero trabalhar com gente chata. Quero estar com pessoas de caráter, que admiro…e eu sou um sortudo.

No histórico de seus últimos personagens no cinema e nos palcos, as habilidades que conjugam atuação e musicalidade foram necessárias. Como tem encarado isso? A música sempre fez parte de seu trabalho? A música sempre me chamou muita atenção. Roubei o violão da minha irmã quando ela pediu de aniversário e deixou de lado. Quando eu era adolescente, já pegava o violão dela e tinha esse encanto pela música. Sempre escutei e minha mãe sempre escutou muita música boa, indo e voltando da escola. Então, a música sempre esteve aqui e, quando me tornei ator – quando comecei a estudar teatro – a música veio muito forte. Os encontros com a galera de teatro foram sempre com música e violão. Eu sempre compus, gostei de escrever, toquei um violãozinho por conta própria e fui aprendendo sozinho. Aconteceu que a música começou a me chamar desde quando me convidaram para fazer o (cantor Sidney) Magal, que eu acabei não fazendo por causa de agenda, mas eu me preparei para interpretar o Lui Lorenzo (personagem da novela Vai na Fé) que foi um cantor pop maravilhoso. Eu tenho quinze músicas ou mais gravadas no Spotify que bombam até hoje – ainda ganho dinheiro com isso e as pessoas escutam. E depois veio o Chorão, né? Uma coisa puxando a outra e agora esse musical. Então, eu falei assim: “a música está me caçando, e eu aceito”. Eu amo e estou me desenvolvendo cada vez mais, fazendo aula de canto, desenvolvendo a musicalidade, querendo aprender e sendo sempre curioso. Até antes de fazer algum personagem, fico ligado à música. Ela sempre norteia a minha emoção. Quando preciso fazer uma cena de muita emoção, de choro, de alegria, sempre escuto uma música que mexe comigo. A música sempre me deu um tom e, agora, estou entrando no tom da música.

Falando em música, o que não para de tocar na sua playlist? A minha playlist é bem variada e depende da época. Sou bem geminiano e estou sempre trocando. Escuto de Almir Sater a Charlie Brown, Alabama Shakes, Maria Bethânia, Caetano (Veloso), Novos Baianos, Baiana System. Eu gosto de música boa. Como falei, ela me norteia. Se vou a um churrasco, escuto pagode. Se vou para o Carnaval, escuto muito samba. Se vou namorar, escuto uma musiquinha mais gostosinha, envolvente, como Rhythm and Blues e Jazz. Sou bem variado.

Explorando o seu lado pai, o que foi mais transformador com a chegada da pequena Bella Loreto? Como é a sua relação com ela? Ser pai foi a coisa mais transformadora na minha vida. É um anticristo depois de Cristo, sabe? É um rompante, um Big Bang na vida. Eu pensava que trabalhava por algum motivo, para adquirir algo que queria, um apartamento, uma casa, um conforto. Depois que eu tive a minha filha, trabalho para ter tempo bom com ela. Não é para ter a casa, é para ter um conforto com ela, um futuro em que ela tenha boas opções, ter um tempo de qualidade e de aprendizado. E tudo muda – minha emoção e meu sentimento. É um coração que bate fora de mim. É um medo, uma preocupação que tem que equilibrar. Eu crio filho para o mundo, mas quero isso o mais próximo de mim e vai ser assim para o resto da vida. A gente tem que se desapegar. É um aprendizado, uma explosão de felicidade, de preocupação e de amor. A gente nunca entendia como é amar uma pessoa nesse nível de acordar, sonhar, pensar e precisar ouvir a voz para ter um dia bom e transformador. Ser pai é a experiência mais linda que eu tive na vida. Tenho certeza que não vai ter nada igual. E minha relação com ela é de um pai amigo, babão que, às vezes, ela fica com vergonha porque eu grito que amo porque eu erro para mais mesmo, entendeu? Mas ela ama, é a minha parceirinha e meu grude. Ela é atenta, inteligente, é bem mais do que eu poderia esperar em relação a tudo – em sensibilidade, amor, carinho, atenção e generosidade com outras crianças. Minha filha é o máximo.

Em meio a tantas mudanças no mundo, quais são os principais desafios na educação de uma menina hoje? Quais lições a paternidade te ensinou? Educar uma menina, hoje, é estar 1000% atento o tempo inteiro. É você se colocar no lugar de muitas pessoas em volta e entender o quão desafiador é, e qual é a melhor forma de proteger aquele ser e para que ele também se proteja sem a sua presença. Minha filha está crescendo em uma casa sem distinção, sem preconceito e sem as deficiências do mundo em que fui criado e do mundo em que vivemos – cheio de erros que não tem mais razão  para ter. É também ler e trocar muito. É criar um filho melhor do que você foi criado porque é de outra geração, de outro tempo. Minha filha é uma criança que lê. Ela prefere ler a ver TV. Acredito que isso acontece porque ela suga de nós em casa. Minha filha me vê tendo prazer lendo, assim como a mãe. Ela é uma esponjinha e a gente tem que estar perto dela, querendo emanar o que há de melhor – sendo a melhor pessoa e a mais coerente do mundo. A paternidade me ensinou a ser atento. É para não ter nem pequenas falhas, muito menos aquelas grandiosas cometidas pela geração do meu avô com o meu pai. Então, não tem comportamento, nem falas machistas e preconceito. Tanto que se minha filha ver um casal de homens ou de mulheres se beijando, ela não vai ver com os olhos de achar que é errado porque não é errado. Normal é entender que o que é normal para ela pode não ser para o outro e está tudo certo. Isso é normal.

Você é assíduo nas redes sociais com registros de momentos de trabalho e com a família. Como você encara o universo digital? Eu tento ter leveza. Sou assíduo porque acredito que, como pessoa pública, acabo inspirando muita gente e sempre penso: “ah que legal! olha aqui, eu curti um dia lendo, indo à praia ou fazendo exercício, eu consumindo teatro, arte”. Eu falo: “poxa! vou jogar para o mundo porque eu adoro ver as minhas referências do mundo”. Sei lá…o atorTom Hanks que é diabético. Então, se ele pode ser diabético, eu fico “nossa! que legal! É um (artista) referência falando com o mundo”. Então, eu tento mostrar a minha vida diabética e que levo um estilo de vida saudável com muita naturalidade. Às vezes, cansa – dá vontade de sumir um pouco do mundo digital porque não é um mundo real. Há uma lente de aumento para o que você quer. É um universo pouco plástico e, dentro disso, tento ser o mais natural, sincero e cuidadoso com o que estou expondo e inspirando.

O esporte sempre fez parte do estilo de vida? O que mais gosta de fazer? O esporte é meu remédio. Eu necessito dele assim como da insulina. Minha mãe e meu pai sempre me influenciaram desde cedo. Faço judô desde os cinco anos de idade, além de futebol, natação, assim como atividades relacionadas às Artes. Já fiz teclado, pintura… Minha mãe, professora de Matemática de Niterói, sempre achou isso importante e eu agradeço muito a ela porque é muito mais fácil quando se aprende desde cedo, sabe? Ter prazer no esporte. Eu sou um múltiplo esportista especializado em nada (risos). Eu amo fazer tudo. Tenho momentos em que estou no skate, no snowboard – um dos meus esportes favoritos, mas eu não vou para a neve há oito anos, porque não tenho tempo de fazer. Gosto de surfar, correr, fazer escalada, jogar basquete, tênis, jogar bola e vôlei. Eu amo estar em movimento. Para mim, não há melhor forma de gastar energia do que cuidar do corpo, da saúde, da mente e de um jeito que a gente nem percebe. Para mim, não é esforço nenhum correr atrás de uma bola em um campo de futebol. É pura alegria, felicidade e é terapêutico. Eu não estou pensando em nada. Eu só quero pegar aquela bola, tocar para o meu colega e tentar fazer gol. Esporte é vida.

Em relação ao estilo pessoal, você é antenado nas tendências de moda ou prefere um visual básico? Tem alguma peça favorita no guarda-roupa? A moda também está sempre em transformação. Adoro pegar fotos de cinco, dez anos ou até bem mais antigas e ver como a moda e a forma como eu me visto mudaram. Como a nossa personalidade vai de acordo com o que vestimos, é o nosso cartão de visita, como a gente quer ser visto no mundo. Então, eu adoro moda e a minha peça favorita está sempre em transformação. Hoje, eu posso dizer que a peça favorita do meu guarda-roupa é um bom jeans – já foi um macacão -, que não vai sair de moda nunca e, para mim, é a coisa mais essencial.

Além de sua participação no elenco de Quem ama, cuida, nova novela que substituirá Três Graças na TV Globo, o que podemos esperar de José Loreto em 2026? Com certeza, com muitos trabalhos que eu amo e quero muito fazer. Graças a Deus, com a minha trajetória, hoje, posso escolher com o que eu quero trabalhar de alguma forma. Se chegar um convite que eu não queira muito, posso dizer não porque venho trabalhando há tanto tempo. Então, tenho esse conforto de poder chamar outra pessoa. Agora, quero mirar em outro lugar, fazer projetos que me alucinam, que me deem vontade de sair de casa cedo, voltar tarde e que oui estar bem com isso. Então, vou trabalhar muito e lançar muita coisa. Tenho dois filmes incríveis. O filme da minha vida foi esse do Chorão. Tem Pecadora que vou lançar neste ano que é incrível – muito sensível e delicadíssimo. É um ano de lançamento, de colher o que venho plantando há, quiçá, décadas e novas coisas também. Estou em movimento e quero estar trabalhando com o que gosto e quero. Em 2026, quero ter tempo para também curtir a minha família, minha casa, minha filhota. Quero viajar, visitar minha irmã que mora no Canadá, apresentar a neve para a minha filha. Eu quero estar com tudo o que eu amo em volta.

Texto Ivan Reis @reisivan2

Foto Maurício Nahas (@mauricionahas2)

Direção e styling Luis Fiod (@luisfiod)

Beleza Vlada Safronova (@ladaronova)

Produção de moda Zeca Ziembik (@zecaziembik) e Zene Sachs (@zenesachs)

Produção executiva André Bona (@andregbona) e Jean Sayeg (@j.gervas) 

Realização VEGA Studios (@vegastudios75)

Assista o making of: