Todo mundo entende bem a necessidade de ter um sono reparador, aqueles que recuperam bem as nossas energias. Esse tipo de sono tem mais a ver com qualidade do que quantidade de horas dormidas. A correria do dia a dia, o mundo moderno conectado e imediatista nos leva muitas vezes a um sono reduzido, atrapalhado. Levamos muito tempo até conseguir dormir pensando em problemas e trabalho. Quando conseguimos, o sono não tem qualidade.

Trocar o dia pela noite também tem trazido problemas para o sono e o momento de pandemia, com um homeoffice sem planejamento reforçou esse hábito nem um pouco saudável. Rotina é algo importante para boas noites de sono. Quando falamos de bom funcionamento do organismo é preciso ter em mente o ciclo circadiano, mais facilmente conhecido como relógio biológico.

É ele que mantém e controla, de certa forma, as atividades e os processos biológicos do nosso corpo, como metabolismo, sono e vigília, sendo influenciado pela exposição a diferentes tipos de luminosidade ao longo do dia. A situação ideal é estar bem alerta durante o dia e desacelerando à noite, preparando o nosso corpo para o descanso merecido e necessário. Isso chega a influenciar até mesmo na nossa produção hormonal.

Alguns fatores podem perturbar o ciclo circadiano, listamos alguns abaixo:

– Dormir tarde;

– Horário de trabalho e refeições desequilibrado ou sem constância;

–  Insônia;

– Viagens envolvendo mudanças de fuso horário;

– Início e término do horário de verão

Situações como essas levam a uma desregulação do relógio biológico e aparecimento de sintomas como cansaço excessivo, perda de concentração, dor de cabeça ou irritabilidade. Por outro lado, quem consegue respeitar bem esses horários, essa alternância dia/noite, também tende a colher bons frutos relacionados à saúde e ao equilíbrio do organismo. É o que mostra um estudo recentemente publicado pela revista JAMA de psiquiatria. O estudo envolveu 840 mil pessoas e sugere que os horários de sono do indivíduo podem influenciar no risco do desenvolvimento de depressão.

Já era sabida a relação entre o tempo e qualidade de sono e o humor. Estudos anteriores também já mostraram que as pessoas de hábitos noturnos têm duas vezes mais probabilidade de sofrer de depressão do que os que acordam cedo, independentemente de quanto tempo dormem. Esse estudo recente mostra que deitar uma hora mais cedo está associado a um risco significativamente menor de depressão.

Por exemplo, se alguém que normalmente vai para a cama à 1 da manhã, for para a cama à meia-noite e mantiver a mesma duração do sono, pode reduzir o risco em 23%; e se forem para a cama às 23h, ou seja, duas horas antes daquela que estavam acostumados, podem reduzir em cerca de 40%. Essas pessoas passariam também a acordar 1 ou 2 horas mais cedo.

Os estudos ainda não são definitivos e devem ser aprofundado, mas até lá precisamos considerar os resultados, não somente pelo tamanho da amostra, mas por estarem alinhados com os conhecimentos de fisiologia e da influência do ciclo circadiano no nosso equilíbrio. Ainda que algumas pessoas já tenham adquirido o hábito de dormir mais tarde e não sintam o impacto disso diretamente, foge do círculo natural do organismo e do que a ciência vem comprovando. Como se costuma falar, o correto mesmo é que a gente mantenha nossos dias mais claros e as nossas noites mais escuras.