Mesmo com apenas 21 anos o ator Daniel Rangel já traz no currículo uma seleção de trabalhos importantes no teatros, cinema e TV. Depois de algumas participações em novelas e um papel importante na novela “Novo Mundo”, Daniel atualmente está como protagonista na atual temporada de “Malhação”. Sempre com os pés no chão e a cabeça no seu trabalho, Daniel segue como uma grande promessa da sua geração de jovens atores. “Não somos mais especiais, nem mais importantes, muito menos mais interessantes que ninguém, apenas fazemos um trabalho todos os dias, na casa de milhões de pessoas. Eu gosto de pensar racionalmente sobre essas coisas, não tem porque se deslumbrar, não faz o menor sentido”, comentou Daniel. E assim segue esse novo garoto prodígio da TV.

Daniel, conta pra gente como está essa fase de protagonista na atual temporada de “Malhação”… Esperava por esse sucesso? Tá sendo uma fase incrível, estou aprendendo muito. Desde o ano passado quando soube que iam começar os testes pra essa temporada de “Malhação”, joguei pro universo que eu estaria nela, comecei a primeira etapa de testes em agosto e fui passando por todas as fases até o comecinho de novembro, quando saiu o resultado final. O Alex está sendo um presente na minha carreira e na minha vida, aprendo diariamente com ele. É um personagem humano, ele erra muitas vezes, mas corre atrás pra consertar o erro e ser uma pessoa melhor, é totalmente impulsivo quando se trata de amor, vai até o fim pra conquistar quem ama de verdade, já passou por várias e várias coisas na novela, e acabamos de chegar na metade, então ele ainda vai passar por muita coisa. Fico tão ansioso quanto vocês para receber os próximos blocos de capítulos.

Antes desse trabalho você fez o príncipe Dom Miguel (irmão de D. Pedro I) em “Novo Mundo”. Como foi esse início mais intenso na TV? Quais as dificuldades e inseguranças do início? Dom Miguel foi outro presente que recebi logo de cara, tive o privilégio de contracenar com uma galera que eu já era fã, Letícia Colin, Debóra Olivieri, Caco Ciocler… Eu lembro que ficava observando muito tudo e todos, os atores, os diretores, a produção, os câmeras, os operadores de áudio, a figuração, porque era tudo novo pra mim, e logo percebi que fazer TV é um trabalho em equipe, somos um time, tem que ser tudo muito sincronizado, se uma partezinha erra, voltamos tudo do começo, são muitas pessoas envolvidas em prol de uma cena, uma não né, já cheguei a gravar 30 em um dia. Mas antes da gente começar a gravar, tivemos meses de preparação, aulas de história, etiqueta, prosódia, fizemos leituras e ensaios com a direção, então não cheguei inseguro no set, mas cheguei muito observador.

Entre você e Alex, de Malhação, algo em comum? Enxerga algo seu nele ou tem pego algo dele para você? Enxergo muitas coisas minhas no Alex, e muitas coisas dele em mim. A gente empresta muitas coisas um pro outro. Viramos melhores amigos, (risos), eu entendo ele, mesmo não concordando com algumas atitudes, mas quando paro e penso que ele tem 15 anos… Eu entendo mais ainda, eu nessa idade também era completamente impulsivo e tinha atitudes que hoje não teria. É bonito demais ver alguém crescendo, aprendendo, se tornando alguém melhor. Eu vejo a trajetória do Alex e sinto orgulho, como sentiria se fosse um amigo meu muito próximo. Eu amo esse cara, e acho que ele também gosta de mim. (risos)

Com essa exposição toda da TV o assédio aumenta. Como lida com isso e como não deixar se deslumbrar? A gente entra de segunda a sexta na casa das pessoas, sem pedir licença. Estamos fazendo isso há 7 meses, e ainda vamos continuar fazendo por mais 7 meses… Então é normal que as pessoas sintam curiosidade de saber sobre as nossas vidas. Acho que quando a gente pensa racionalmente no porque as pessoas estão nos seguindo nas redes sociais, parando a gente na rua pra falar sobre o personagem, pedindo pra tirar foto, fica tudo mais simples. Não somos mais especiais, nem mais importantes, muito menos mais interessantes que ninguém, apenas fazemos um trabalho todos os dias, na casa de milhões de pessoas. Eu gosto de pensar racionalmente sobre essas coisas, não tem porque se deslumbrar, não faz o menor sentido.

Qual o maior pecado de um jovem ator em fazer muito sucesso cedo? Quais as ciladas? Cada caso é um caso. Tem gente que nunca fez nada como ator, chega de paraquedas, e dá um show de talento, humildade e profissionalismo. Tem outros que chegam nas mesmas circunstâncias e acham que são predestinados a tudo, que merecem ser tratados como estrelas, porque receberam um chamado do “além”, e por isso estão ali. Eu agradeço muito por tudo estar acontecendo aos poucos pra mim, comecei a fazer teatro tarde, aos 17 anos, aí fiz umas peças, depois passei no teste para um filme, depois fiz mais umas peças, só depois disso me chamaram pra uma participação na Globo, em “Totalmente Demais”, meu personagem tinha uma fala, dava uma cantada na personagem da Marina Ruy Barbosa e só. Depois outra participação, que já era maiorzinha, em “Êta, Mundo Bom”. Fiz mais peças, outro filme, e aí veio “Novo Mundo”, e agora “Malhação”. Aprendi muito com cada um desses trabalhos, desde o que parecia ser pequeno até o que parecia ser o maior, pra mim o atual é sempre o mais importante da minha vida, foi assim desde o primeiro e vai ser assim até o último.

Para você, além de entreter, qual a função de um ator? Pra mim o papel fundamental do ator é refletir sobre a sua sociedade e sobre o seu tempo, e a partir dessa reflexão trazer pros personagens camadas humanas, que toquem de verdade quem está assistindo e causem identificação, é sempre uma troca com o público, esteja esse público atrás da TV sentada no sofá, na praça pública, nas salas do cinema, num auditório de 10 mil lugares ou num teatro de 10 lugares.

Você já fez vários trabalhos no teatro e no cinema. Acredita que essa base foi dada principalmente do palco? O que o teatro representa para você? Pra mim foi essencial ter feito teatro antes de qualquer coisa, porque tem todo um processo antes de tudo, primeiro pra entender o que é aquela peça e o que é o seu personagem, aí depois você é responsável não só pelo seu personagem, você ajuda a montar cenário, vai pro mercado comprar figurino, cria página no Facebook pra divulgar o espetáculo, ajuda na bilheteria antes de entrar em cena, ajuda a desmontar tudo quando acaba a peça… Depois dessa vivência, você vai pra TV e pro cinema e dá muito mais valor ao camareiro que te ajuda a se vestir, ao cenógrafo que monta o quarto do seu personagem, a assessora de imprensa que divulga aquela sua cena importante, a figurinista que estuda todo seu personagem pra escolher o que ele vai usar. Além disso você ainda tem a bagagem de estar em cena o tempo todo, no teatro não tem “corta, dá pra fazer melhor”, você fica em cena durante 2 horas dando seu melhor, mexendo seu corpo todo, não tem close. Eu amo fazer os três, porque penso que um potencializa o outro. Quando eu faço muito teatro, fico ansioso pra experimentar aquelas coisas no cinema, quando faço cinema fico querendo experimentar aquela experiência no TV, uma arte alimenta a outra, é instigante.

Falando em cinema, você participou do filme “Fala Comigo”, que fala de sexo, família e moral. O que ficou desse trabalho, além de uma polêmica cena mais quente? Então, na verdade eu só tenho uma “cena quente” nesse longa, que se fosse entre um homem e uma mulher não seria polêmica e nem renderia pautas até hoje, mas como é uma cena entre dois meninos, tem todo esse frenesi. Eu guardo esse trabalho com muito carinho, foi meu primeiro longa, tive um diretor extremamente cuidadoso e talentoso, o Felipe Sholl, parceiros de cena que viraram meus amigos pessoais, Tom Karabachian, Karine Teles, Manoela Dexheimer… E o “Fala Comigo” é o filme que fala sobre os vários tipos de amor, de namorados, de amigos, de mãe, de pai, de irmão, de filho, sem preconceitos, sem idade, sem gênero. Me orgulho muito por ter feito, inclusive, está no catálogo da Netflix, pra quem ficou curioso.

Como foi ou é o diálogo com casa com seus pais? Algum tabu? Sempre tive e continuo tendo um diálogo muito aberto com meus pais sobre tudo, eles participam de todos os momentos da minha vida. Saí de casa aos 17 pra fui estudar teatro no Rio. Eles me deram todo o apoio, me visitam todo mês e eu também vou visitá-los sempre que posso. Admiro e amo muito meus pais, espero poder ser um bom pai pro meu filho, assim como eles são maravilhosos pra mim.

E como ator, alguma barreira ou tabu que você precisa vencer? Um novo personagem sempre é desafiador e um obstáculo que preciso vencer, o que me deixa muito animado. Não tenho barreiras, nem tabu. Sou ator e estou sempre disponível pra interpretar todos os personagens que acho que tem algo a dizer, com a maior veracidade e humanidade que posso emprestar a eles. Como você mesmo citou na pergunta acima, já fiz “cena quente” no cinema, já fiz nu frontal no teatro, isso nunca foi uma questão pra mim. Gosto de personagens que tem algo a dizer.

Quando não está gravando o que curte? Amo ficar em casa, amo mesmo. Ficar quietinho fazendo maratonas de séries. Mas quando está um dia lindo, solzão, pego minha bike e corro pra praia, dou um mergulho, aí volto pra casa e vejo mais série. (risos)

Como é manter um relacionamento sendo protagonista na TV? Muito assédio e pouco tempo livre… Estou namorando e muito feliz, com a Hanna (Romanazzi). Gostamos das mesmas coisas, geralmente essas maratonas de séries são com ela. (risos)

O que procura em um relacionamento? O que uma garota precisa ter para chamar sua atenção? Eu gosto de estar em um relacionamento onde eu tenha uma companheira de vida, pra todas as horas. Gosto de tranquilidade, carinho, respeito, amizade, parceria.  Algum plano ou projeto para depois de “Malhação”? Acabei de rodar um longa, que deve estrear no primeiro semestre do ano que vem. Se chama ‘Três Verões’, da Sandra Kogut. Pude contracenar com a Regina Casé, que considero uma das maiores atrizes que temos no nosso país. Fiz um personagem completamente diferente de mim e do Alex. O Luca é um menino rico, toca bateria, tem uma namorada gringa, é filho único e o pai é preso por corrupção. O legal desse filme é que ele é contado sob o ponto de vista dos empregados dessa casa, que fica quase abandonada, depois que o pai do meu personagem é preso. Filmei mês passado, conciliando com as gravações do “Malhação”. Filmava das 6h às 14h, saía de lá direto pro Projac e gravava até às 21h. Fiquei muito feliz de poder conciliar esses dois projetos, que me orgulho muito. Pretendo continuar fazendo mais peças, novelas, filmes, séries… O que vier, sou meio workaholic.