Antes de mais nada é fácil resumir Junno Andrade, um romântico! Seja na forma como encara a vida, seja por suas composições ou da forma com que trata sua amada Xuxa. Isso mesmo, o cara conquistou o coração da rainha sendo simplesmente ELE próprio. Sem artifícios, sem vícios ou facetas. Isso também se reflete na sua trajetória de altos e baixos, mas sempre sem perder a garra e sempre disposto a novos desafios. No caso dele, seja cantando, compondo, atuando ou apresentando. Junno é um cara versátil que sabe muito bem quando algo é para ser seu e sabe lutar por isso. No final podemos dizer que é um belo exemplo de um vencedor. Um cara que nos inspira e sermos melhores. Não é à toa que está nessa bela matéria.

Junno, quando foi que você deixou de ser o Juno e virou o Junno? Ou seja, quando e como foi essa virada de foco? Minha história sempre foi de superação, de persistência… sabe quando você pensa: pra onde eu vou agora, e surge alguma luz pra seguir, acho que sempre foi assim. Imagino que essa “virada” de foco surgiu quando deixei de ser refém de mim mesmo. Eu estava indo praticamente bem como compositor, tinha feito boas músicas e alcançado algum sucesso já com Vanessa Camargo e KLB. Também gravando com grandes nomes como Fabio Jr, Zezé di Camargo e Luciano, Leonardo, etc, mas quando veio a pirataria do CD tive que me mexer de uma forma diferente, tive que voltar aos palcos, e acho que essa foi a virada, voltar pra linha de frente, acreditar mais em mim como artista e foi quando “voltei”, porque eu realmente estava me escondendo na composição… Fugindo de qualquer holofote.

Você começou sua carreira como cantor, chegou a gravar três discos, depois virou só compositor. Como foi isso? O que ficou disso tudo e que espaço a música tem na sua vida hoje em dia? Pois é, acho que meio que respondi na pergunta anterior, me tornar compositor foi uma necessidade, ninguém me mandava mais música boa, pelo fato de eu não ter alcançado o sucesso que todos desejam. Não fui um grande vendedor de discos e os bons compositores somem, pensei, se ninguém me manda música boa, eu vou ter que aprender a faze-las. E encontrei ali uma forma confortável de viver da música sem aparecer. Acho que naquele momento eu buscava isso sem saber. Sou muito auto crítico e isso me atrapalhou muito, ainda atrapalha, mas numa escala bem menor hoje em dia. Tenho feito musica numa escala bem menor, pra registrar alguns momentos, algumas inspirações, não mais com a pretensão de grava-las ou mandar pra outro artista, se rolar vai ser de uma forma muito natural. Mas ainda mantenho ótimos parceiros na música, as vezes nos reunimos pra compor, é um exercício que me dá muito prazer.

Essa ‘intimidade’ com a música de certa forma ajudou na sua função de apresentador do “Dancing Brasil”? Ajudou sim e bastante. Me sentia muito mais familiarizado com tudo. A pressão de apresentar um programa ao vivo, ao lado da maior apresentadora do país e sem a experiência de ter passado por algo parecido na TV é muito grande, era nos musicais que eu encontrava a paz pra continuar sem dar muita bandeira do meu nervosismo (risos).

Nesse processo todo você encarou as câmeras e começou atuar na TV. Era um desejo antigo? Como se descobriu ator? Ainda nos anos 80 fui chamado pelo Jayme Monjardim, na época, superintendente da Rede Manchete, pra participar da novela dirigida pela Tizuca Iamasaki, a “Cananga do Japão”, e eu, bestamente não aceitei, nas verdade, fugi, e isso me incomodou durante anos e anos, até que o destino, muito tempo depois, fez nossos caminhos se cruzarem novamente. A Tania Mara gravou uma música minha que entrou na novela “América”, dirigida pelo Jayme, já na Rede Globo, e por conta disso, comentei com a Tania que tinha uma dívida com ele, sem saber que eles na época eles já estavam namorando. Uns dias depois, meu telefone tocou, era o Monjardim pedindo meu material, na hora achei que era trote, mas não era, (risos). E nesse momento, a vontade de atuar e reaver o que deveria ser meu e eu neguei veio com muita força. Desde então, não parei mais, entre estudos, novelas, teatro, musicais, cursos e tudo mais. O mais interessante, é que até hoje não consegui trabalhar com o Jayme, e sinto que isso está muito próximo, mesmo, afinal, se era pra ser, será!

Como foi voltar a atuar e na Globo? Tem sido muito bom, é importante saber que temos as portas abertas, principalmente quando se trata de atuar na Rede Globo, por tudo que representa e pela respeitabilidade incontestável quando se trata de novelas.

Deu um gostinho de quero mais? Algum plano de volta para a TV como ator? O que vem por aí? Estou atualmente na “Malhação”! E em janeiro voltamos com a peça “Um Casamento Feliz”, depois de uma incrível temporada no Teatro Vanucci e Maison de France, agora no teatro dos Grandes Atores na Barra da Tijuca. É uma adaptação de uma comédia francesa, estilo Vaudeville, onde interpreto um advogado, o Roberto Tavares, e temos tirado muitas gargalhadas do público. Divido o palco com Renato Rabello, Fabio Villaverde, Marcos Wainberg e Regiane Cesnic. Uma adaptação de Flavio Marinho, também escritor da Globo.

O desafio de apresentar um programa de dança de grande audiência requer um preparo especial? Usa um pouco o leu lado ator e músico? Eu tive uma oportunidade única, que muito me ajudou no ao vivo, embora fosse fora da TV. O Antonio Guerreiro, hoje diretor de jornalismo da Record, me convidou pra apresentar um programa para as plataformas digitais do R7, eu cobria ao vivo os bastidores do “Power Couple” e depois da “A Casa”, foi um grande sucesso, os números foram surpreendentes, além da parte de cobertura dos bastidores desses formatos, eu ficava no estúdio durante a transmissão, ao vivo, recebendo convidados e em tempo real conversando também com os internautas, isso me deu bastante cancha, logico que chegar no Dancing e ver aquele cenário gigante, toda aquela equipe e produção, além da Xuxa, e sabendo que a direção inteira da emissora estaria assistindo me fez tremer as pernas (risos). Então além dessa grande oportunidade que o Guerreiro me deu, não tenho dúvida que o lado ator e musico ajudaram a compor o co-apresentador, quer dizer, espero ter feito um bom trabalho. Olha a auto critica aí (risos).

Como surgiu o convite para ser apresentador? Em algum momento se questionou se daria conta? Acho que a partir desse programa que apresentei nas plataformas digitais, pois obviamente tinha a autorização e inspeção do Sr. Marcelo Silva e também do Rodrigo Carelli.

E apresentar ao lado da amada dá um gostinho todo especial não é? Como é essa troca de vocês em cena? Foi uma delícia, nervosismo e pressão à parte, a Xu, além de ser minha grande companheira, meu amor, minha amiga, ela foi SEMPRE, em todos os momentos, muito generosa, me deixava muito à vontade e me dava ótimas dicas. A gente se conhece muito, então pudemos trocar bastante, rolava muita química, as pessoas se sentiam acolhidas, deu um sabor de família, de leveza ao programa.

O que te atraiu de primeira em Xuxa? O que vocês tem de mais afinidade que torna vocês ainda mais cúmplices? Na verdade sempre me senti atraído por ela, desde novo, ela me olhava dentro dos olhos de um jeito que eu parecia ficar nu em sua frente, quando das minhas apresentações no “Xou da Xuxa”. Isso tinha ficado guardado em algum lugar dentro de mim, estava lá, esquecidinho… quando estava gravando a novela “Salve Jorge” na Globo, a produção do programa dela me chamou pra participar do “Memoria X”, um quadro dentro do programa, e quando olhei pra ela, ela pronta pra entrar e eu esperando ali atrás daqueles tapumes atrás do palco, veio tudo de novo, me apaixonei de novo, queria falar com ela, queria dar um abraço, deu uma saudade, sei lá. E quanto mais falávamos, mais eu sentia que precisava tomar coragem pra trocar pelo menos o número de telefone, e foi o que fiz… Hoje é mais fácil dizer o que não temos de afinidade, pois combinamos muito, nossa relação praticamente não tem atrito, a gente se basta em qualquer situação.

O que mantém um bom relacionamento e o que pode ser uma cilada? Respeitar, aceitar, ouvir… transparecer… Acho que a cilada é deixar de namorar, o beijo não pode se tornar um recurso de despedida ou cumprimento, oi e tchau, tem que namorar, beijar na boca, manter a paixão acesa, pôr lenha.

Como é o Junno pai? Que desafios enfrentou e ainda enfrenta como pai? Me considero um pai presente, mas ainda aprendo muito a respeito, aprendo todo dia, as coisas mudam rápidas demais, e temos que estar atentos para não perder a ligação com o filho… Ainda mais com esse habito atual que é usar o celular o tempo todo, é difícil não estar olhando pra ele, se não nos policiarmos, passamos o dia sem perceber que ele passou e mal trocamos um olhar com nossos filhos. Entender as necessidades dos jovens não é tarefa fácil, precisamos estar muito atentos, e nem sempre sabemos responder todas as suas perguntas, e também saber o quanto prender, o quanto soltar, é realmente uma verdadeira arte e prova de amor ter filhos e educá-los, entendê-los, espero estar sendo uma boa referência.

Falando em vaidade, o tempo parece que tem sido seu amigo. Como você encara isso e o que faz para se cuidar? Obrigado. Nada vaidoso, eu nem penteio o cabelo, gosto de corta-lo de uma forma que não me dê trabalho, enxugo e pronto. Não sou adepto de cremes e outras coisas. A única coisa que faço é cuidar da minha alimentação que é 100% vegana e pratico boxe pra manter o corpo. Tô muito feliz com o veganismo, além de estar com o hemograma como nunca tive antes, sinto que tenho muito mais disposição e tenho mantido o mesmo peso há meses sem fazer o menor esforço.

Falando em aparência, parecer com George Clooney já rendeu muita brincadeira ou só nós que citamos isso? Já sim, aliás, virou até parte de uma piada na peça que estou em cartaz, “Um casamento feliz”, num determinado dia, o Fabio Vilaverde pegou no meu queixo e brincou: “tá fingindo que não me conhece, George Clooney?”, e riram tanto que ficou.

Na hora de relaxar, o que faz sua cabeça? Onde recarrega suas energias? Pegar estrada de moto, sozinho, saindo bem cedo, vendo o dia clarear…  E mergulhar, pegar meu equipamento e cair no mar, nada é mais relaxante que isso pra mim.

Você veio ganhar destaque na mídia já era um cara maduro. Isso te ajudou a ser mais pé no chão e não se deixar levar pela fama? Como encara isso? Acho que deslumbre está muito mais atrelado ao caráter do que a idade, mas estar maduro ajuda a não confundir o que se relaciona com o que eu conquistei, ou o que é reflexo do meu namoro. Sou muito consciente do meu lugar e de quanta luta ainda tenho pela frente.

No que você acredita? No trabalho, no destino, no amor.

E o que te conquista? Sinceridade, simplicidade, simpatia…

Como se ver daqui há 10 anos? De mãos dadas com a minha véia, babando minhas crias nas horas vagas e trabalhando muito.

Do que não abre mão? Do trabalho… do sorriso da minha filha e do abraço da minha amada…

Fotos Brunno Rangel 

Make Binho Dutra

Cabelo Vagner Pedro

Realização Marco Antônio Ferraz

Agradecimentos especiais Solange Meneghel