
Desde sua estreia na TV, em 2012, Aline Dias (@_linedias) tem encarado as mais diversas personagens. Seja na TV ou no cinema, Aline segue se desafiando como artista e buscando diferentes formas de expressar sua arte e seguir a batalha para manter o protagonismo negro no audiovisual. Na semana em que se comemora a Consciência Negra, Aline posou para a MENSCH trazendo como tema as raízes africanas. “Com esse esperamos que traga a conscientização da valorização do fazer manual e também respeitar o que temos de mais precioso que é nossas conexões com o sagrado independente de sua crença”, comentou Aline ao longo dessa entrevista para a MENSCH.
Aline, desde sua estreia na TV em 2012, com Malhação, até aqui já foram muitas personagens e emoções. O que mais te marcou até agora? Sem dúvida, Joana foi um marco na minha vida e também na vida de muitas meninas negras que, pela primeira vez, puderam se sentir representadas em uma novela teen que levantava tantos questionamentos importantes. Mas tem outra personagem que me atravessou de forma muito intensa: Ingrid, da série “Não Foi a Minha Culpa”. Ali, interpretei a realidade brutal de um abuso coletivo, baseado em fatos reais. E como dói dar voz a uma dor que não é ficção… uma dor que corrói, que atravessa gerações e que ainda ecoa nas histórias de tantas mulheres.


No cinema recentemente você foi vista em Viver a Vida com uma personagem mimada e fútil. Como foi participar? Participar do filme “Viva a Vida” foi uma experiência deliciosa, marcada por reencontros e novos encontros. Já tinha trabalhado duas vezes com o Rodrigo e, nessa terceira, vivemos na tela a história de um ex-casal, mais uma parceria que me deixou feliz demais. E foi uma alegria contracenar com a Thali Lopes, de quem já era fã. E, mesmo em uma participação breve, tive o privilégio de ser dirigida pela diretora Cris D’Amato e contracenar com o mestre Daniel Filho, que também fez uma participação especial. Saí desse projeto com o coração cheio de gratidão e afeto.
Ser atriz é um “salve-se quem puder”? Como tem sido “viver a vida” nesse ofício? Ser atriz é, de fato, um salve-se quem puder. E só se salva quem se dedica, quem sente saudade quando não está em cena e, mesmo assim, procura formas pra estar perto da arte. A cada trabalho, a sensação é de recomeço, porque sempre há algo novo a aprender, a descobrir. E nesse caminhar, é importante cuidar da mente, do corpo e do espírito. Ajuda muito a se fortalecer para lidar com as frustrações e nos aproxima da nossa essência, do nosso íntimo, sem dar espaço para comparações que só nos fazem mal.
Hoje com contrato por obra mas a possibilidade de transitar por diversos canais te dá mais liberdade ou um friozinho na barriga ao fim de cada contrato? Hoje existem muitas possibilidades, mas não romantizo uma profissão em que você trabalha dois, três meses e depois fica na incerteza de quando virá o próximo projeto. Isso dá um frio na barriga, exige uma organização financeira enorme e, muitas vezes, nos faz sentir invisíveis. Por isso, é importante colocarmos a nossa criatividade pra fora, se reinventar. Porque depender apenas de ser “lembrado” não é, e nunca será, confortável.




O audiovisual está mais amplo e democrático com o protagonismo negro. Acredita que de fato as coisas estão mudando em relação há alguns anos? Com todo meu coração, acredito que avançamos. Anos atrás, simplesmente não existia protagonismo negro nas telas. Quando fui a primeira protagonista negra de Malhação, ainda não tínhamos representatividade em outros horários. Hoje é emocionante ver tantos colegas ocupando esses espaços. Mas ainda precisamos ir além: valorizar os profissionais incríveis que já temos, com currículos potentes, e abrir caminhos para que conduzam nossas narrativas com sensibilidade, autenticidade e sem estereótipos.
Nesse ensaio belíssimo que ilustra essa matéria Aline encarna uma rainha africana. É isso mesmo? Como foi a concepção dele? Dih Moraes: O ensaio a concepção é trazer a potência que há na religião de matriz africana sobretudo a artesania e a valorização do fazer manual, sobre a locação pensamos em um ambiente onde pudéssemos valorizar e inaltecer as belezas naturais de nosso Brasil. Quanto à equipe, juntamos profissionais que se conectassem às histórias e sobretudo a valorização da cultura preta que tanto faz parte do nosso cotidiano. Esse ensaio esperamos que traga a conscientização da valorização do fazer manual e também respeitar o que temos de mais precioso que é nossas conexões com o sagrado independente de sua crença.
Ao longo de sua carreira o mercado digital ganhou mais força abrindo um mercado de possibilidades com novos formatos que as redes sociais proporcionam. Como lida e usa isso a seu favor? As redes sociais tem seus dois lados, mas, pelo positivo, ela se tornou uma ferramenta essencial para nós artistas. É uma forma de divulgar o trabalho, trocar com o público, compartilhar ideias e projetos futuros. Quando existe foco e leveza se torna divertido e, ao mesmo tempo, estratégico dando grandes resultados. Também vejo esse espaço como um lugar de debates importantes sobre política, arte, democracia e também de luta por causas que, durante muito tempo, permaneceram invisíveis.




Por outro lado muitos atores são julgados pelo seu número de seguidores e influência. E ainda tem o medo do cancelamento. Como lida com isso sem perder seu foco como artista e não pirar a cabeça? Acho que números não deveriam definir um artista. Muitas vezes me conecto mais com pessoas que têm poucos seguidores, mas uma comunicação incrível. O público da internet não é o mesmo da TV, e isso precisa ser entendido. Por outro lado, é lindo ver talentos que começaram com vídeos simples do dia a dia conquistando espaço em novelas. O que deveria ser pauta é o talento, porque seguidores são só consequência.
Falando em streaming recentemente você estreou na série Jogo Cruzado na Disney+. Conta um pouco desse trabalho e sua personagem Milla pra quem não conhece ainda… Jogo Cruzado é um dramédia que diverte e, ao mesmo tempo, aborda temas sérios como machismo, fake news e saúde mental no esporte. Milla, minha personagem, é uma influencer bem autêntica que busca espaço em um ambiente dominado por homens, porém super antenada e segura de si. Consequentemente levanta reflexões sobre a valorização da mulher e a credibilidade no jornalismo esportivo. Ela tem Elisa (Caro Castro) como inspiração e um respeito grande pela trajetória dela.
Falando em trabalho, o que vem por aí? Quais os novos projetos (pessoais e profissionais)? Estou muito animada porque tenho dois filmes para serem lançados: O que Sobrou do Céu, primeiro longa da talentosa Luciana Malavasi, e Netlovers, dirigido pelo Daniel Caselli. São trabalhos que fiquei muito feliz em participar e estou ansiosa para ver essas histórias ganharem vida!
Para conquistar Aline basta… Eu desejo que as pessoas que andam ao meu lado, tenham carisma e foco! Assim, ganhamos o mundo!


Fotos Márcio Farias / Styling Dih Morais / Beleza e acessórios de cabeça Tito Vidal / Vídeo Oberdan Magalhães / Modelo Lucas Nunes (40graus Models)


