Desde sua estreia na TV em 2012 como protagonista na séria “Suburbia”, Erika Januza tem trilhado um caminho de sucessos na TV. Sucesso esse que talvez surpreenda até ela própria. “Eu tenho muita fé e acredito que as coisas acontecem por um motivo. Foi assim que me tornei atriz e, desde então, não saí mais da TV”, declarou ela ao longo dessa entrevista. Depois de um papel de juíza em seu penúltimo trabalho e a atual Marina em “Amor de Mãe”, ambos no horário nobre, não resta dúvida que interpretar grandes mulheres é o que faz Erika ser o que é como atriz. Linda, corpo escultural, um sorriso cativante e uma força cheia de talento ao encarar cada novo personagem fazem dela uma mulher apaixonante. Mais uma prova disso é esse belo ensaio com toda delicadeza e uma discreta sensualidade que lhe é peculiar. Que venha muito mais! 

Erika, de Conceição de “Subúrbia”, em 2012, até Marina agora em “Amor de Mãe”, já se vão 8 anos de carreira na TV. Que autoanálise você faz dessa trajetória até hoje? Às vezes a sensação é que isso tudo é um sonho mesmo. Sou uma menina de Contagem, Minas Gerais, que trabalhava como secretária numa escola e sonhava em ser modelo. Fui fazer teste achando que fosse para ser modelo, mas era para ser protagonista de “Subúrbia”. Eu tenho muita fé e acredito que as coisas acontecem por um motivo. Foi assim que me tornei atriz e, desde então, não saí mais da TV. Tenho tido a sorte de fazer personagens diferentes de mim, diferentes entre si e mulheres fortes. Hoje eu tenho a plena consciência de que estou no caminho que deveria estar, fazendo aquilo que amo e me realiza.


Como avalia a atriz que você era lá em “Subúrbia” e agora?
Eu era uma atriz inexperiente, nunca tinha estado num set de gravação. O que eu tinha era a minha intuição, a minha entrega de corpo e alma ao projeto. Hoje, alguns anos depois, eu entendo todo o processo, o jogo de câmeras, luz… Estudei e continuo estudando muito também. Sempre busco cursos para me aperfeiçoar, para me estimular.

Você é muito crítica com você mesma? Eu sou bastante crítica sim. Vejo uma cena e penso que poderia ter feito diferente, mas estou olhando com mais carinho para mim também. Não quero ficar só me julgando, porque tem acertos e coisas que eu devo valorizar.

Em “O Outro Lado do Paraíso” você viveu a juíza Raquel. Uma personagem forte com uma bela trajetória de vida que serviu de inspiração para muitas mulheres. Como esse trabalho mexeu com você?
Mexeu muito. Ser uma mulher negra, no horário nobre, e representando uma juíza, uma magistrada, foi algo muito especial. Importante que o negro não seja retratado só como o empregado, o subalterno, porque somos muito mais. Temos negros doutores, juízes, médicos… uma infinidade de carreiras, graças a Deus. E nada contra ser empregada, é um trabalho digno, mas o que não podemos é ser retratados só nesse lugar.

E agora com a Marina, o que tem aprendido com ela? Como está sendo viver essa atleta que no início abriu mão da carreira por conta de um relacionamento?
Tem sido muito gostoso esse trabalho. A Marina me aproximou do tênis e descobri uma paixão pelo esporte. Comecei a praticar um ano antes de as gravações começarem e não parei desde então. Marina é uma jovem determinada. Eu me reconheço nela. Já abri mão de trabalho por amor, como ela já fez. E aprendi também a dizer não. E isso é muito importante na nossa vida. Tem momentos em que precisamos nos priorizar. Se não formos felizes conosco, como ser feliz com o outro? Para relacionamento dar certo é preciso que os dois sejam felizes.



Com a pausa em “Amor de Mãe” esperamos que a 2a fase traga a reviravolta da personagem. O que você espera nesse resto de trama? A isso já até li! Estava preparada para gravar, mas com este momento difícil em que o mundo se encontra, o mais sábio e necessário realmente foi dar uma pausa. Mas nossa autora, a Manuela (Dias), me deu um belo presente para o início desta segunda temporada. Mas ainda sei poucas coisas. Manuela tem um texto muito bem elaborado, muito detalhista e tenho certeza de que será uma segunda temporada de tirar o fôlego!

Recentemente você estreou com a série “Arcanjo Renegado”. Como foi participar de uma história mais pesada e com uma violência que se vê nos telejornais? Foi um trabalho muito desafiador, porque exigiu bastante de todo o elenco. Mergulhamos no universo da série, pesquisamos… Tínhamos policiais de verdade no elenco. Tudo isso trouxe uma veracidade e carga dramática única para a série. É um trabalho com cenas mais densas, mas de muita reflexão. É o retrato de um Brasil que existe e que está muito próximo de todos nós. A segunda temporada vem aí ainda mais forte. Já estou lendo e assistindo alguns matérias para me inspirar durante esse período.

Personagens forte e belas histórias para contar. Você acha que todo ator de certa forma tem um papel social à servir para a população? Você é de levantar alguma bandeira social? Acho sim que a arte deve ser usada também para conscientizar. Tramas que levem reflexões, mensagens. Acredito que a gente deve se associar a causas que acreditamos. Eu uso minhas redes sociais para conversar com meus seguidores e, claro, não posso não lutar pelo meu povo, pela minha pele. Vivemos ainda num país extremamente racista e é preciso falar e conscientizar as pessoas sobre isso. Vou a festas em que eu sou a única convidada negra. Todos os outros estão ali trabalhando. Isso mexe profundamente comigo, me envergonha. Eu só estou ali porque faço televisão e tenho total noção disso. E isso me machuca mesmo.

Muito ainda se vê de casos de racismo no Brasil mesmo com toda campanha que se faça. Qual a razão disso a seu ver? Como podemos combater? Mudanças não acontecem de um dia para o outro. Eu seguirei falando sobre o racismo, continuarei incentivando a todas as mulheres negras e homens negros a denunciarem o racismo. Pode me chamar de repetitiva. Racismo é crime. E precisamos levar para a justiça todos os casos possíveis, para que aqueles que ainda não entenderam, entendam de uma vez por todas.

Estamos com mais informação e menos tolerantes com as diferenças às minorias?
Eu vejo avanços. Quando vejo Djamila ser reconhecida pelo seu trabalho, isso me dá esperança. Grande questão do nosso país é cultural. Vem da nossa história. Por isso, nada melhor do que estudar, pesquisar. Deixem de ler fake News. Existe uma parcela intolerante e que leva isso ao extremo. Mas prefiro acreditar nas pessoas de bem, que buscam uma sociedade mais civilizada e respeitosa.


Nesse período de isolamento social, nós percebemos uma ação solidária. Isso tudo leva a reflexão. Acredita que sairemos dessa fase de certa forma modificados? Gostaria de acreditar que sim. Estamos vendo a importância do coletivo nesses dias. Não somos nada sozinhos. Gostaria que o olhar para o outro, para aquele em situação de vulnerabilidade, não fosse esquecido quando tudo isso passar. Nosso país é extremamente desigual.

Falando nisso como tem usado seu tempo durante a quarentena?
Estou lendo, vendo séries, estudando inglês e espanhol. Aperfeiçoando os idiomas. Como as aulas presenciais estão suspensas, tenho estudado virtualmente. Estou também já estudando para a segunda temporada de “Arcanjo Renegado”, vendo alguns filmes de referência, fazendo algumas leituras. Fico eu e meus cachorros juntos aqui em casa.

Em casa, o que ler, ver e ouvir? Quais suas dicas? Assista a primeira temporada de “Arcanjo Renegado”. “Amor de Mãe” está liberada de forma gratuita para ver no Globoplay. Tem vários filmes legais sendo lançados como “O Poço”. Clássicos para rever como “O Poderoso Chefão”! Eu escuto de tudo um pouco. Tenho conhecido vários artistas durante este período. Danço sozinha em casa. Minha playlist é bem eclética.

Já passou por momentos de altos e baixos? Como controlar isso e não pirar? Claro! Tem dias que cansa o isolamento, mas é preciso lembrar a importância dele. Estamos achatando a curva de crescimento do vírus no país e impedindo de sobrecarregar o nosso sistema de saúde. Quando bate o cansaço, escuto uma música, danço, rezo todos os dias, tento focar em outras coisas apesar de ser uma pessoa que assiste aos jornais e fico ligada as notícias. Sempre acordo com a esperança de ligar a TV e ver uma boa nova para todos. Se você pode ficar em casa – sei que muita gente não tem como – fique em casa. É a forma que temos de ajudar os profissionais de saúde.

E dedicação maior para cuidado do corpo? Conseguindo manter a disciplina alimentar e de exercícios? Não tenho pensado muito nisso agora. Não é o momento. Faço alguns exercícios em casa mesmo, coisas que posso fazer na minha sala. Minha alimentação já é saudável, então tenho só seguido o que já fazia antes.

Você é uma mulher linda e parece ser bem vaidosa. Até onde vai essa vaidade?
Sempre gostei de me cuidar. E aprendi mais coisas por causa da minha profissão. Gosto de me sentir bem. Mas é bem no limite mesmo. Não vivo para isso.

Como foi adotar esse visual de cabelo bem curtinho? Vale tudo pelo personagem? Algum limite? A ideia foi minha mesmo e levei a proposta para a direção da novela que já imaginava Marina com o perfil Serena Williams. Estava com vontade de mudar e também de poder fazer uma personagem com nova possibilidade Achava que tinha tudo a ver com a Marina, minha personagem. E eu amei o resultado. Recebi várias mensagens de meninas que cortaram por minha causa. Até promovi um encontro com algumas para um bate papo. Se existe limite, deve existir, né?! Mas o meu limite é diferente do seu. Depende muito do pedido e teria que ser bem justificado para a história.

Uma noite a dois perfeita tem que ter o que?
Não existe nada melhor do que duas pessoas que se olham olho no olho, sabe?! E que se entendem pelo olhar. E música!

Para conquistar Erika basta... ser respeitoso, cavalheiro, íntegro, ter bom humor, ser trabalhador, verdadeiro, que seja parceiro, cheiroso é importante, (risos). Uma lista de coisas. Mulheres querem homens que a respeitem, que as incentivem, que saibam dividir. Não podemos ser reducionistas. Para nós, só o melhor, meninas!

Foto Leca Novo

Styling Vitor Carpe

Beleza Bruno Cândido