
À primeira vista Hermila Guedes até parece uma menina, baixinha, magrinha, jeitinho meigo, voz suave. Aí você espera ela sair do camarim, posicionar-se diante da câmera e pronto, a menina sai de cena e o mulherão toma conta de tudo e todos hipnotizando com seu olhar marcante e postura de quem está no comando. Hermila encarna qualquer personagem, quanto mais desafiador melhor. Moça do sertão de Pernambuco é uma mulher arretada que vira fera pra defender a família se for preciso e deixa o pudor de lado para se entregar ao papel que assume no cinema, novela ou teatro. A cada papel, reconhecimento e elogios.
No cinema, O Céu de Suely, Baixio das Bestas, Deserto Feliz, Assalto ao Banco Central; nas novelas Amor Eterno Amor, Ciranda de Pedra e no teatro, “Essa Febre que Não Passa”, só para citar algumas de suas participações. Precoce, Hermila ganhou seu primeiro prêmio aos 20 anos, por sua atuação no curta-metragem de Adelina Pontual, O Pedido. O prêmio de melhor atriz veio no 4º Festival de Cinema do Recife e no 10º Cine Ceará. Hermila é gentileza e disponibilidade, se entregou a este ensaio sem limites, incorporando a diva que ela de fato é e fez do Teatro de Santa Isabel, no coração do Recife, o cenário ideal para nos brindar com todo o seu talento. Aprecie caro leitor as fotos e também a entrevista e descubra que Hermila encanta em imagem e texto.Você vem de Cabrobó, interior de Pernambuco, terra de “cabra macho”. Homem pra conquistar uma mulher deve ser delicado ou másculo? Um homem para mim tem que ter as duas qualidades. Saber bem a hora de ser delicado e hora de ser bem másculo. Adoro gentileza, mas com muiiiita “pegada”.Suas personagens vão de sedutoras a masculinizadas, como a sargento Selma, de Força Tarefa. Na vida real, acredita que é necessário ser criativa e “interpretar” papéis para não deixar a relação cair na rotina? Ainda não precisei interpretar papéis para melhorar a rotina da minha relação, não. O nosso trabalho acaba nos deixando longe um do outro por um tempo. Então a saudade acaba se transformando, infelizmente ou felizmente, num tempero que ajuda a deixar a relação bem quente.

Ainda falando de seus papéis na TV e cinema, você transita por um mundo onde seus personagens são mais densos e complexos. Isso foi um objetivo seu ou surgiu de acordo com as oportunidades de trabalho? Eu comecei minha carreira praticamente junto com a retomada do cinema pernambucano. A minha “escola” foi esse cinema, feito do nosso jeito. Foi a pouca experiência que me ajudou a atuar com mais naturalismo, sem “vícios teatrais”. Naquela época eram os trabalhos que valiam a pena fazer e eu não perdi a oportunidade.
No cinema você chamou muita atenção com algumas cenas em O Céu de Suely e Baixio das Bestas. Foi um desafio para você encarar papéis assim? Algum pudor? Desafio sempre existe, é isso que me estimula. O pudor também me acompanha, até entrar em cena. Quando estou atuando esqueço dor, pudor, constrangimento. O mundo para. Esqueço até quem eu sou.
Caça ou caçadora? Qual o papel da mulher nos anos 2000? Observando bem as mulheres dos anos 2000, elas estão mais para caçadora do que para caça. Mas o bom é poder ser as duas. Caçar sempre cansa. Tem uma hora que é melhor ser a caça, não? (risos).Que conselhos daria a dois homens, sendo o primeiro interessado em um relacionamento sério e o segundo em sexo sem compromisso? Se esses dois homens estão interessados em mim, tanto para um quanto para outro o meu conselho é o mesmo. Espera eu estar num dia bom.
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AGRADECIMENTO: DIRA RAMOS – TEATRO SANTA ISABELwww.teatrosantaisabel.com.br



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