Nascida em Londres, filha de uma dançarina jamaicana, Naomi Campbell, 50 anos (completados hoje), sempre teve um grande diferencial nas passarelas, o seu andar. Que segundo os críticos de moda, seduz qualquer um que esteja assistindo. Isso se deve a sua mãe que a ensinou como andar na passarela. Num mundo dominado por lindas mulheres brancas de olhos claros e cabelos lisos, Naomi conquistou seu espaço e o respeito. Em uma indústria notoriamente traiçoeira para modelos de cor, Naomi desafiou as probabilidades e rapidamente se tornou um dos rostos mais reconhecidos do planeta. Se era para quebrar barreiras, Naomi prontamente estava lá com sua beleza sobrenatural – pele luminosa tom chocolate, beicinho exuberante, olhos ardentes e pernas com quilômetros de extensão. Isso fez com que ela se mostrasse irresistível para anunciantes, editores e, o mais importante, designers.

Naomi chegou a estudar balé na Itália Conti Academia de Artes de Teatro, ainda criança e aos 14 anos de idade enquanto voltava para casa da escola de uniforme foi descoberta por um olheiro de agência. Começava ali a trajetória de uma mulher vencedora e uma das mulheres mais sexy que o mundo já conheceu. O sobrenome Campbell veio do segundo casamento da mãe, nossa deusa de ébano nunca conheceu o pai, que abandonou a mãe ainda grávida. Mas isso não fez dela mais ou menos decidida nos seus objetivos, se tornando uma musa para muitos designers de moda, incluindo Azzedine Alaïa, Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld. Ela partiu para quebrar barreiras? Não. Os pioneiros raramente o fazem. Mas no entanto, em 1988, pasmem, ela se tornou a primeira modelo negra a aparecer na capa da Vogue francesa, sob ameaça da Saint Laurent ir atrás dela, ameaçando retirar sua publicidade se Naomi não aparecesse.

Ao longo de sua carreira, Naomi já apareceu em mais de 500 capas de revistas. Incluindo aí a capa da TIME e também como a primeira modelo britânica negra a aparecer na capa da Vogue britânica e da russa. E na sequência, em 1989, Naomi apareceu na capa da Vogue norte-americana de setembro, tradicionalmente a maior e mais importante edição do ano, um marco por trazer pela primeira vez uma modelo negra na capa.

No início dos anos 90 Naomi recebeu o título de “supermodelo” ficando ao lado de modelos como Claudia Schiffer, Cindy Crawford, Kate Moss, Linda Evangelista e Christy Turlington formava o “Big Six” da moda. No final dessa década Naomi se lança como empresária com sua linha de 25 perfumes. Daí em diante a modelo se dedicou a outras áreas, como música – lançou um CD e participou de clipes de Michael Jackson e Madonna -, participou de filmes como “Zoolander” e “Sexy por Acidente”, e quando completou 30 anos (em 2016) de carreira lançou um livro fotos nuas (veja aqui).

Enquanto a maioria das suas colegas já se aposentaram, Naomi, eterna e sempre em evolução, permanece imparável. Neste ano, por conta da pandemia do novo coronavírus, Campbell lançou seu programa “No Filter with Naomi”, no YouTube, onde ela bate um papo com vários convidados. A primeira a participar foi Cindy Crawford. E grifes como Burberry e Calvin Klein são apenas algumas das marcas com as quais ela está trabalhando atualmente. Ela pretende lançar livros, aparece como juíza da nova série de concursos de moda da Amazon Original, “Making the Cut”, e atualiza regularmente seus seguidores com robustos posts no Instagram e no YouTube com vlogs e fotos de suas viagens e trabalhos.

A top não tem medo de ingressar no clube 5.0. “Todas as coisas simples que tomamos como garantidas agora importam muito mais do que nunca”, afirma ela. “Estamos enraizados no conhecimento e na criatividade e continuamos a retomar o controle total de nossas narrativas. Vamos sair disso mais fortes do que nunca”, disse Campbell sobre esse momento de confinamento, aos 50 anos.

Fotos: divulgação VOGUE, GQ, arquivo pessoal