Pode não parecer, mas o ator Bruno Ferrari já possui 15 anos de carreira. Seu início na TV foi em Malhação, em 2002, e, de lá para cá, houveram muitas histórias contadas e vários personagens que cativaram o público, diretores e a crítica. Depois de seu início na Globo, ele passou 10 anos na Record onde viveu experiências que construíram o ator que ele é hoje. De volta à Globo em 2016, ele recebeu um dos personagens mais marcantes de sua carreira, o Xavier Almeida, em “Liberdade, Liberdade”. O personagem idealista terminou se tornando um marco em sua trajetória. Agora, depois de um trabalho expressivo no cinema, mais um personagem de época ganha vida através do talento de Bruno, o Vicente de “Tempo de Amar”. Tranquilo, dedicado e um pai atencioso, o ator segue traçando, dentro da carreira ou fora dela, um belo enredo para ele próprio.

Bruno você começou sua carreira na TV na Globo, passou quase 10 anos fora e ano passado voltou com tudo. Como foi essa volta e o que essa experiência em outra emissora agregou para o ator que você é hoje? Na Globo reencontrei várias pessoas que já haviam trabalhado e que hoje se tornaram grandes profissionais. Diretores, atores, equipe técnica… Me senti muito amparado e bem recebido. Passei mais tempo na Record do que na Globo e lá tive a oportunidade de entender melhor o veículo, de me experimentar… Hoje estou mais maduro e tenho um filho. Tudo isso ajuda no meu crescimento, não só na vida pessoal como também na profissional.

Você começou em Malhação mas foi com seu papel em Celebridade (2003) que você despontou de vez. Diria que foi ali seu start oficial? E Xavier Almeida de “Liberdade, Liberdade” foi um outro “marco” na sua carreira? Sem dúvida Xavier foi um “marco”. Ele era um mocinho, mas sem os estereótipos de um mocinho. Era um idealista, revolucionário! Confesso que sempre gostei muito de fazer personagens de época, mas tenho muito carinho por todos os personagens que fiz.

O que você pensa sobre as grandes emissoras agora trabalharem por obra? Dá mais liberdade? Insegurança? As duas coisas. Sem contrato, você tem a liberdade de trabalhar onde e quando quiser. Ano passado fiz uma série e dois filmes que, provavelmente, não faria se estivesse contratado. O mercado abriu muito de uns tempos pra cá! As séries estão chegando com muita força no Brasil. Eu diria que a desvantagem de não ter um contrato é não ter um salário mensal e isso causa uma certa insegurança, mas, depois de um tempo, a gente aprende a lidar.

Ultimamente você tem trabalhado mais em produções de época. Isso é um desafio maior? Para você existe diferença de trabalhos de época ou contemporâneos? Sim, é mais difícil. Como disse, gosto muito de fazer trabalhos de época. Você tem que voltar para um tempo em que não viveu, aprender a forma de falar e estudar o contexto político e social daquele momento. Mas, quando coloco o figurino e chego na cidade cenográfica, tudo se encaixa.

Como está sendo interpretar o Vicente em “Tempo de Amar”? Vicente é grande. Brinco que quando crescer quero ser igual a ele. (Risos) Acho que é um dos personagens mais lindos que já fiz. E quando digo lindo, é pela poesia que existe nele. Vicente fala e exala amor. É um cara extremamente integro, de caráter, uma pessoa rara. Tem sido muito especial, mesmo!

Na trama ele nutre uma paixão sem ser correspondido. Que conselho daria ao Vicente? (risos) Meu conselho é que ele não desista. O Vicente gosta de desafios. Quando digo que ele é um personagem lindo, é porque ele passa por cima do seu orgulho, vaidade, de tudo, apenas para ficar perto dela. Isso é amor! Ele já chegou a um ponto em que não consegue mais se afastar da Maria Vitória.

Algum limite e algo que almeja na profissão? Tanta coisa… Sinceramente, não saberia responder.

Com a exposição da TV vem o assédio, inclusive virtual. Como você lida com tudo isso? Assédio nunca foi algo que me incomodou. Exponho minha vida particular dentro dos meus limites. O assédio virtual você só tem se buscar. Não sou ligado à tecnologia. A única rede social que tenho é o instagram porque sempre gostei de fotos. Acho divertido e, ao mesmo tempo, posso expor minhas opiniões.

Esse ano você esteve em Recife participando de uma produção histórica com foco educativo. Acha que esse tipo de produção deveria ser mais comum? Como foi participar? Não só acho como tenho certeza. É importante falarmos da nossa história para não cometermos os mesmos erros. O Brasil é um pais jovem, mas que tem histórias incríveis e que são simplesmente esquecidas ou escondidas. Precisamos saber o que os nossos antepassados viveram para entender como chegamos até aqui. Esse filme foi uma grata surpresa da qual tive o prazer de participar e a oportunidade de conhecer melhor a cultura do Recife. Eles tem artistas incríveis e histórias de luta que não temos ideia. É um povo muito forte!

O que mais te desafia como ator? Como você vê a responsabilidade da profissão? Tudo é um desafio e não existe uma matemática. Uma cena, por exemplo, pode ser feita de inúmeras maneiras. O meu grande desafio é entrar em quem assiste, no telespectador. Acho que uma das principais funções do ator é fazer o outro refletir através de um personagem ou de uma história que esteja sendo contada.

Falando em responsabilidade, o que mudou com o nascimento do seu filho Antônio? Meu filho está me fazendo voltar a olhar a vida nos pequenos detalhes. Tudo é novo! Ele se interessa por coisas do cotidiano e que, ao longo da vida, não damos mais o valor necessário. Voltei a olhar a vida de maneira mais simples. Ele me deu mais coragem e serenidade para enfrentar a vida.

O que te tira do sério hoje em dia? Não tem algo especifico que me tire do sério, sou um cara calmo. A pessoa precisa me provocar muito para ver irritado.

E o que te distrai em momentos de folga? Meu filho tem sido o meu melhor momento de folga. Gosto muito de ficar em casa e saio pouco. Quando saio é para encontrar com amigos.

O que espera para 2018? Espero um país melhor, com menos desigualdade, menos corrupção e mais tolerância. Me dói bastante ver, todos os dias, que tudo só piora. Precisamos de mais saúde, educação, respeito às diferenças e, principalmente, ao povo. Já estamos bastante cansados!