Celeiro de jovens talentos, “Malhação” já virou parada obrigatória para quem está iniciando na carreira de ator. A cada ano, a novela tem revelado muita gente boa que se destaca no meio de tantos outros atores. Gente que, de cara, consegue imprimir a sua identidade artística. Não importa o tamanho do papel, um bom ator vai saber fazer dele um destaque em uma obra. Um bom exemplo da atual safra de jovens atores é Leonardo Bittencourt. Formado em Artes Cênicas pela Casa de Artes de Laranjeiras, o manauense de 24 anos mudou-se para o Rio de Janeiro há 5 anos em busca de sua realização como ator. E pelo que se vê diariamente na novela, seu personagem Hugo tem mostrado que Leonardo veio para ficar e que tem um futuro brilhante pela frente.

Leonardo, na atual temporada de “Malhação” seu personagem é um dos destaques na trama. Como recebeu o convite para viver um jovem de 16 anos (tendo 23)? E como tem encarado essa responsabilidade? Primeiro veio o convite pra participar da entrevista seletiva dos atores. Foi um processo com 563 jovens até chegarem aos 17 escolhidos. Vivemos uma preparação para buscar esse universo dos 16 anos e nele criamos um vínculo forte entre todos do elenco. Era necessário pra entregar uma Malhação, que por objetivo de todos, fosse diferente de tudo que já havia sido feito.

Quando você percebeu que queria ser ator? Alguma referência? Minha mãe me conta que aos 4 anos, na primeira apresentação na escola, enquanto todo mundo chorava pra não ir pro palco, eu chorei pra não descer (Risos). Sempre gostei muito de estar envolvido com teatro, desde a escola. Ser ator não fazia parte da realidade em Manaus, então já projetava seguir uma carreira em Direito ou na Publicidade. Assistindo a vídeos de improviso, foi meu primeiro contato com o teatro. Eu fiquei fascinado e comecei a consumir tudo que tinha do gênero. Aos poucos, conhecendo mais a profissão, ser ator foi se tornando a minha única escolha possível.

Como você vê seu personagem Hugo? Quais os conflitos e desafios desse personagem? Vejo o Hugo como o resultado de uma criação conservadora, machista e ausente. A gente pode perceber, pelo o que já foi ao ar, que o pai dele é um grande responsável por essa personalidade que o Hugo desenvolveu. Apesar do lado bem-humorado, que na minha opinião é o que mantém os amigos por perto, o grande desafio do Hugo vai ser essa redescoberta de valores, aprender a ter mais empatia e assumir as consequências das suas atitudes.

Você é de Manaus e, desde 2013, mudou-se para o Rio de Janeiro. Como foi a adaptação? Consegue ver alguma semelhança entre as duas cidades? Sempre fui um cara observador. Morei 19 anos em Manaus e sentia que conhecia o ser humano e todas as suas possibilidades de personalidade. Ao chegar no Rio, eu descobri que não sabia nada. (Risos) é uma cidade mais antiga, diferentes formas culturais e o processo de adaptação foi justamente continuar observando, respeitando o ambiente, antes de fazer parte dele. São cidades culturalmente bem diferentes e essa diferença me ajudou muito na formação como indivíduo.

Isso fez ou faz você curtir cidades com mais áreas verdes e contado com a natureza? Eu, desde pequeno, gosto muito de ir a cachoeiras, viajar pra pescar. Conheço algumas cidades do interior do Amazonas que sintetizam bem esse contato com a natureza. Aqui no Rio, passei a fazer trilhas com meus amigos e esse contato com uma parte verde, que ainda permanece intacta em meio a urbanização, mostra o quanto o Brasil é abençoado por ter essas paisagens. E nós por podermos desfrutar disso.

Com o destaque em Malhação como tem sido o assédio feminino? Como lida com tudo isso? Eu ainda estou tentando me acostumar com tudo isso (risos). Fico feliz em escutar todos esses elogios. Nunca me enxerguei com esse rótulo de galã, sempre foquei mais no meu trabalho e na qualidade do resultados que é o mais importante. Mas o carinho é um feedback gostoso de receber.

O que aprendeu com seus pais que você vai levar para o resto da vida? Numa educação, o que fica são os valores que você passa, não necessariamente os hábitos que você quer que seu filho tenha. Meus pais são pessoas íntegras e tive exemplos dentro de casa que sigo me espelhando. Do meu pai tento levar o carisma que ele tinha ao chegar aos lugares e conquistar todos com o seu bom humor, independente da classe econômica. Da minha mãe, levo o coração, a generosidade em ajudar o próximo e a convicção em defender seus valores.

O que te distrai e o que te prende atenção quando não está trabalhando? Sou muito ligado ao futebol desde sempre. Quando não estou trabalhando, é ele que me desconecta dos desgastes do dia-a-dia e que me leva pro meu lugar de infância. Seja no videogame, num programa pela televisão ou na prática. Futebol é a minha terapia e me aproxima das pessoas.

Você é um cara muito vaidoso? Como cuida da aparência? E como cuida do corpo e da mente? Sou um cara vaidoso, mas nunca me liguei muito em produtos de beleza. Tento me manter ativo e fazendo coisas que me dão prazer. Seja na música, lendo um livro ou num videogame com meus amigos pela internet, acho que a felicidade é meu cosmético.

Lá na frente, quando já tiver anos e anos de carreira, como quer ser reconhecido pelo público? Pelo meu trabalho. Desde criança, nunca fui o melhor absoluto em algo, mas sempre explorei mais campos que a maioria dos meus amigos. Espero, lá na frente, desfrutar dessa multiplicidade e ser reconhecido pelo esforço do trabalho e pela simpatia.

Quando encerrar essa temporada de “Malhação” já tem planos para o futuro? Quais os próximos passos? Tenho alguns projetos para o teatro que estão na gaveta, mas estou completamente focado em viver esse projeto atual que é a “Malhação”. O tempo passa muito rápido e agora quero continuar construindo boas memórias sobre esse momento.

Fotos e Beleza Vinicius Mochizuki

Produção de moda Rodrigo Rodrigues