O universo da moda e a trajetória profissional do booker Sergio Mattos em muitos momentos se completam. Praticamente foi ele quem oficializou a profissão de modelo no Brasil e com seu feeling aguçado revelou para a indústria da moda modelos ícones como Gisele, Ana Beatriz Barros e Isabeli Fontana. Sem falar de atores como Cauã Raymond e Maria Fernanda Candido. Atualmente à frente de uma das maiores agências de modelos no mercado nacional, a 40o Graus Models, no Rio de Janeiro, Sergio segue revelando novos rostos e mantendo viva a fama do Brasil e seus modelos de beleza.

Sergio, esse ano você completou 30 anos de carreira na área de moda / modelos. Como avalia sua trajetória? Conquistou tudo que desejava nessa área? 30 anos e parece que foi ontem. Foram muitas gerações de modelos e atores descobertos nesses 30 anos.

Juntamente com John Casablancas você formou a mais badalada agência de modelos no brasil no final dos anos 80 e início dos anos 90. Como foi esse início? Não planejei isto tudo que aconteceu na minha vida, mas as coisas foram se encaixando, em 1988 entrei na agencia elite através do Ellus Looking, concurso “The Look of the Year” e viajava o brasil em busca de novos talentos. Esta foi minha escola e foram vários talentos descobertos através do concurso nestes anos! Já em 1989 descobri a Paula Franco que foi a vencedora do concurso 89, e ai não parei mais. Carlos Casagrande, Maria Fernanda Candido faziam parte do casting inicial da Elite, que era uma agencia internacional q abria suas portas em SP e foi uma das maiores com um casting de estrelas que mudou o mercado da moda nacional. Através do concurso vieram: Ana Beatriz Barros, Caroline Ribeiro, Fernanda Tavares, Gisele, Michele Alves, Isabeli Fontana, entre outras. Toda uma geração de new faces que fizeram o maior sucesso e hoje são as grandes estrelas da moda mundial.

Falando em início, como foi que esse baiano chegou e conquistou o Rio de Janeiro. Que dificuldades enfrentou e quem te ajudou que você não esquece até hoje? Mudei para o Rio com a família em 1970, então praticamente fui criado no Rio. Fiz comunicação na UFRJ, fiz teatro e alguns bicos como modelo no início dos anos 80. Ai conheci a galera da Yes Brazil, que foi meu estagio para o mundo fashion. O Paquito meu deu o primeiro emprego como vendedor, logo ganhei a gerencia e fui cuidar da marca em São Paulo a convite da Mari Nigri. Nesta época também fazia bicos como produtor de moda e produzia muitos books para alguns fotógrafos em sampa.

Em 2000 você se mudou para Nova Iorque e sua carreira deu outro salto significativo. Foi um processo natural ou mesmo assim te assustou um pouco? Que lembranças guarda dessa época? Foi um desafio, meu inglês não era fluente, mas o Brasil estava no auge com a Gisele bombando e todos queriam ter um booker brasileiro. Foi uma experiência muito boa para mim. Mas meu lugar mesmo é no Brasil. Senti muito falta de tudo e voltei em 2001. Ai fiquei na Mega Rio por 3 anos.

Depois em 2004 veio sua própria agência, a 40 Graus Models. Era um desejo antigo? Foi algo planejado ou foi acontecendo? Era hora de um novo desafio, o Mario Testino que me aconselhou que era hora de ter algo com minha cara, que fosse bem carioca. Ai nasceu a 40 Graus Models. O primeiro casting já saiu na badalada revista americana “V” em uma foto linda do Vicente de Paulo produzida pelo Felipe Veloso que foi um start da nova agencia no mundo. Todos ligavam bookando os modelos. Já começamos com o pé direito.

Hoje a agência continua sendo uma referência na área de moda / modelos. Quais os momentos marcantes desses 14 anos da sua agência e como planeja para o futuro? Já de começo na 40 o time já era bem internacional e foram várias campanhas que nós bookamos como Gucci, Calvin Klein, D&G, Adidas, H&M, Versace, Armani, entre outras … Era muito legal! O e-mail chegava pedindo os meninos e as meninas. Raica, Brenda Costa, João vellutini, Tony Dias, Eduardo Braun, Gabriel Mattar… Muitos fizeram muito sucesso internacional e vários direct bookings pelo mundo. E a coisa foi crescendo, com a crise agora no Brasil o mercado deu uma esfriada. Mas os talentos continuam aparecendo e o time só cresce, tenho muitos modelos viajando em vários países.

Você foi o cara que descobriu personalidades como Gisele, Cauã Raymond e Maria Fernanda Candido. O feeling continua afiado hoje em dia ou hoje é muito mais difícil? Hoje em dia concorremos com atores, blogueiras e digitals influencers, o mercado está mudando. Já temos as primeiras plus sizes. Temos que nos adaptar ao novo mercado. Não basta ser bonita, hoje em dia o ideal é ter personalidade e ser original. Ter algo diferente, que seja novidade. E arrasar nas redes sociais.

Que comparativo você faz do mercado hoje em dia de quando você começou nas agências? O mercado está mudando aos poucos, mais diversidade…mais oportunidades para o diferente. Modelos exóticos são bem vindos e muito “real people”. Também os modelos negros e as morenas estão conquistando mais mercado. E as plus sizes… Viva globalização!

Hoje em dia fica mais difícil encontrar outras Giseles? Se sim, por que? Hoje em dia é mais fácil, porque elas que me procuram. E todas querem ser Gisele!

A internet e as redes sociais ajudam ou de certa forma atrapalham nesse processo? Ajuda e atrapalha. Ajuda na visibilidade e divulgação. Atrapalha porque muito cliente chama os modelos direto e querem pagar em permuta. Imagina que uma camisa ou um perfume não paga o aluguel né? Não dá.

Qual o grande diferencial dos modelos de hoje dos modelos dos anos 80/90? O estilo. Antes modelo era tudo parecido, hoje em dia o diferente é o ideal. Também tenho investido muito em atores, tenho um grupo de poesia e tenho incentivado eles na dramaturgia, está surgindo uma nova geração de talentos para TV. Galera que está despertando para poesia e teatro. Tô muito feliz com os resultados. Isto é um diferencial na 40 Graus!

Sabemos que o padrão de beleza muda muito ao longo dos anos. Tem algum que para você seja básico? E quais as mudanças mais significativas de hoje em dia? Para passarela sempre vão pedir meninas de pernas compridas e quadril estreito. Máximo 88. Altura também conta. Mas o estilo varia muito. Todos os estilos são bem vindos. Já para publicidade a modelo pode ter mais curvas, e tem as modelos que fazem beleza tem que ter pele maravilhosa.

Para você o que é preciso para ser ou chamar atenção no mundo da moda (seja na passarela, nas fotos ou simplesmente nas ruas)? Ter um rosto forte e marcante. E ser fotogênica. Saber ficar há vontade na frente das câmeras e ter um “cat walk” marcante na passarela.

Como está a moda masculina hoje em dia? O homem moderno está mais vaidoso. Mais antenado com as novidades. E mais consumidor de moda de beleza.

O que faz sua cabeça na hora de relaxar? Gosto muito de música, ouço muito MPB, e toco piano nas horas vagas.

O que te inspira? Arte & fotografia… Me inspiro muito em toda forma de arte e sou louco por fotografia. Tenho um acervo todo de fotos que tirei nesses 30 anos. Qualquer dia lanço um livro.