Com jeito calmo e ao mesmo tempo perseverante de um bom baiano Hugo Moura foi se chegando, conquistando seu espaço e deixando de lado o rótulo que lhe foi dado de “marido de Deborah Secco”. Depois de sua estreia em “Segundo Sol”, novela das 21h em 2018, Hugo segue para seu segundo papel na TV, como o professor de luta Daniel na atual temporada de “Malhação”. Tudo meio que aconteceu do dia para o outro, hoje ator, pai e com seu lugar ao sol, Hugo segue batalhando por sua própria história e tem feito bonito e com muita simplicidade.

Hugo, você está em seu segundo trabalho na TV. Se sente mais seguro? Como tem sido esse início para você? Me sinto mais seguro, sim. Acho que é natural que a prática te dê mais segurança… Saber do resultado me ajuda muito também. Hoje consigo gravar uma cena imaginando mais ou menos o resultado… essa noção do todo é importante pra mim.

Sentiu algum pré-conceito por ter surgido como o marido de Deborah Secco? Com certeza. E acho natural. A Deborah é uma referência, não tem como negar isso. Mas normalmente esse pré-conceito dura 5 minutos de conversa. (risos)

Por falar nela, vocês trocam ideias sobre o trabalho um do outro? Ela te dá alguns toques ou fica na dela? Sim, muitas. A primeira pessoa que testo qualquer coisa que eu vá fazer é ela. Confio muito na opinião dela e sei que sempre será sincera.

Falando nisso a história de vocês é bem interessante. Coisa que não se explica, simplesmente acontece. Para quem não sabe, conta um pouco como foi esse encontro de vocês… A gente se conheceu por uma rede social. Temos uma amiga em comum e eu, numa viagem, postei uma foto com ela. A Deborah viu a foto e me mandou uma mensagem direta: “você vai ser o meu marido e pai dos meus filhos”. Marcamos de nos encontrar e não nos largamos mais.

Desse encontro nasceu a fofa Maria Flor. Esperava logo ser pai? Como se avalia como paizão? Sempre sonhei em ser pai, desde criança. Confesso que não esperava ser pai com a minha idade mas hoje agradeço! A demanda física e psicológica é grande e não sei se viveria algumas experiências com a Maria se fosse uma pai um pouco mais velho. Eu sempre tento ser o melhor que eu posso… mas alerto a Maria sempre que o papai não é perfeito e algumas vezes vai errar. Não quero que ela me veja como um super homem, mas como um amigo.

Recentemente você comentou que pretendem adotar uma criança. De onde vem esse desejo? Qual o maior desafio nisso? O maior desafio nisso é colocar isso em pauta como um casal. A Deborah quer adotar o 3º… eu não sei se tenho forças psicológicas de ter 3 filhos. (risos) Mas eu sempre quis e trouxe esse desejo pra nossa família… agora vamos à diplomacia.

Nascido em Salvador e morando no Rio. O que esse baiano tem de carioca e o que esse “carioca” hoje tem de baiano? Sinto que são cidades parecidas em vários aspectos e isso facilitou a minha adaptação… mas isso não elimina a falta que Salvador faz. Salvador me trouxe todas as minhas referências, traumas e sonhos… que eu vim realizar aqui no Rio. Sou muito grato às 2 cidades e mais ainda às pessoas que convivi/convivo nelas.

Com a exposição que a TV proporciona vem o assédio, no caso para o casal ainda mais. Como você e Deborah lidam com isso? Da porta pra dentro não tem celebridade, nem fama, nem personagem, né? Somos um casal bem comum que quer viver as suas coisas. Não deixamos de viver nada por causa da repercussão do nosso trabalho.

Já imagino alguma vez que você seria um cara famoso e artista de TV? Não e não me sinto assim. O que eu quero é fazer um bom trabalho, me emocionar e fazer a maior quantidade de pessoas refletir.

Antes o que você fazia e/ou pretendia ser? Como se deu a mudança? Em 2013 eu sofri um acidente de carro em que fiquei acamado por 4 meses. Isso foi 6 meses antes de me formar… nesse período refleti muito e decidi que se não arriscasse naquele momento talvez não arriscasse nunca. Resolvi viver do meu lado criativo e me mudei pro Rio pra morar no sofá da minha tia, que já morava aqui. Depois disso fui me redescobrindo até ter um encontro com o Sergio Penna que me mostrou o tamanho das possibilidades de atuar. Me apaixonei e depois disso trabalhei e estudei o tempo que eu podia pra evoluir enquanto artista.

Atualmente interpretando o professor de luta Daniel em “Malhação”, como está sendo esse novo trabalho? Como se preparou para o personagem? Com certeza. Ouvi uma vez o Nanini falar em respeito à personagem e levo isso muito a sério. Sendo professor numa ONG na Baixada eu tinha que ter algumas experiências pra ter propriedade e, de fato, representar uma parcela da população que vive isso diariamente. Visitei muitas academias, treinei na maioria, conversei com pessoas ligadas ao esporte, acompanhei atletas em lutas, etc…para juntar com tudo que eu tenho dentro de mim e colocar no Daniel.

Como surgiu o convite e que desafios te trouxe? O convite surgiu de mim mesmo. (risos) “Segundo Sol” estava acabando e soube que a Dani Pereira (produtora de elenco) e o Adriano Melo (diretor artístico) estavam fazendo teste pra “Malhação” e escrevi pra ele pedindo pra fazer um teste. Acho que eles gostaram. (risos)

É um cara muito vaidoso? Do que não abre mão? Não me acho muito vaidoso não. Mas acho que pensar em vaidade já é ser vaidoso, né? (risos)

O que te conquista numa mulher? O que não pode faltar (tanto fisicamente como de personalidade)? Não tenho nenhuma trava física. Não tenho um “tipo” de mulher que me atrai. Ser interessante me atrai… o tamanho da autoconsciência, a conversa, o que ela projeta pra si e pro mundo… isso me atrai.

E o que Deborah tem ou fez que te conquistou de vez? A verdade. Admiro muito a Deborah porque ela não abre mão da sinceridade consigo mesma. Vejo muita gente a criticar por ser assim, mas é o que eu mais admiro nela.

Para relaxar o que faz sua cabeça? Leio.