Consciente da sua importância como atriz que traz reflexão em seu trabalho, Yasmin Garcez sempre esteve em busca de conhecimentos que a fizessem refletir e evoluir. Dona de uma beleza ímpar, a atriz, que foi nossa musa da edição impressa número um, está ainda mais bonita com o tempo. Hoje, depois de uma peça muito bem repercutida e de ter dirigido um documentário sobre o espectro do autismo, Yasmin interpreta a libanesa Fairouz na novela “Órfãos da Terra” e traz seu talento mais uma vez para a TV. Estamos de olho e acompanhando cada passo dessa bela atriz que tem muito a acrescentar ao mundo da arte.

Yasmin, você foi nossa musa da primeira edição impressa (2011). De lá pra cá muita coisa aconteceu. Que momentos você destaca mais nesses últimos anos? Atuei em peça, série, novela e dirigi um filme! Passei a me dedicar à minha espiritualidade e terapia. Equilíbrio e autoconhecimento são bases!

Você ainda lê Heiner Muller e Dostoiévski? O que faz sua cabeça hoje em dia? Passei um tempo especialmente dedicada a Raduan Nassar e a Milton Hatoum. Hoje círculo muito pelas obras voltadas às lutas anti-machista e anti-racista.

Nessa época você interpretava a personagem Nastácia Filippovna no teatro. Uma personagem sedutora e impulsiva. Ao longo desses anos adquiriu (sou ficou no passado) algumas dessas características dela? Sou emocionalmente intensa. Acredito que libidos e impulsividades acompanhem essa condição e que ganhem formatos amadurecidos com o tempo.

Pelo jeito o tempo só tem feito bem a você que está ainda mais bonita. Como se cuida e como lida com o espelho? Gostando de mim e entendendo como minha aparência pode dialogar melhor com quem sou. Gosto de me informar sobre saúde, alimentação e exercito meu corpo sempre que tenho vontade!

Por sinal é um desperdício de beleza ficar escondida debaixo de tantos véus da sua atual personagem na TV, a libanesa Fairouz em “Órfãos da Terra”. O que tem aprendido com ela? Não acredito, necessariamente, que beleza esteja relacionada à exibição do corpo físico. Me sinto linda com o figurino requintado de Fairouz e gosto de pensar “beleza” como fruto de energia e força interior. A personagem me traz muito isso, por exemplo: essa reflexão sobre nobreza de caráter e potência afetiva.


Para uma personagem com realidade tão distante da sua teve que estudar e fazer muito laboratório? Que referências tinha? O que precisou saber? Sempre me alimentei muito do universo árabe, mas, na construção da Fairouz, me concentrei muito na opressão do sheik e na parceria entre as mulheres da trama.

Sua estreia na TV foi em 2017 na série “Dois Irmãos”. Qual a diferença para você dessa estreia para o papel de hoje em “Órfãos da Terra”? São trabalhos muito diferentes em relação à direção, dramaturgia, circunstâncias, tudo! A Nahda, minha personagem de “Dois Irmãos”, era uma menina sonhadora. Fairouz, em “Órfãos da Terra”, é uma mulher consciente e uma mãe atenta. Sinto apenas o vínculo libanês entre as duas.


De onde veio a ideia de fazer o documentário “A Delicadeza É Azul” que aborda o tema do Transtorno do Espectro do Autismo? Da necessidade de ver, em audiovisual, um registro sobre o assunto. Quis ajudar pessoas a se informarem pra que crianças dentro do Espectro pudessem se desenvolver mais rápido e melhor.

E indo para o teatro, seu mais recente trabalho foi a peça “Primeira Morte”, com argumento seu, onde você interpretava a personagem Fernanda. Que também trata de um tema denso, que é a apatia social. Como foi viver tudo isso? Como surge esse problema? Foi profundo e, ao mesmo tempo, delicado. A equipe de criação era maravilhosa…me senti feliz demais. O tema nasceu da minha sensação de viver num mundo cheio de injustiças e desigualdades, querendo agir sobre isso, mas questionando como e até onde consigo ir. É um tema que reverbera aqui o tempo todo.

Bonita e com conteúdo, isso assusta os homens ainda? Nem penso sobre. Se assustei alguém um dia, não era essa a pessoa que queria ter por perto. Hoje vivo muito feliz com o homem que amo.

E o que eles precisam ter / ser para atrair sua atenção? O que é infalível na conquista? Minha atenção é voltada pra relação com David. Pra que ela acontecesse, foi imprescindível que fôssemos muito amigos e que estivéssemos dispostos a crescer sempre juntos.

O que você gostaria que os homens aprendessem (ainda)? A olharem, diariamente, para suas masculinidades tóxicas. Enquanto houver toxicidade nas relações, ninguém estará feliz.

É muito vaidosa? O que não abre mão e como se cuida? Não abro mão de me sentir bem onde e como estiver. Me cuido, buscando me informar sobre saúde, espiritualidade, sustentabilidade, qualidade de vida…me cuido aprendendo a sorrir! É preciso disponibilidade pra sorrir!

Um encontro perfeito tem que ter o que? O que faz sua cabeça? Verdades.

Para conquistar Yasmin basta… Como amiga? Que nos reconheçamos. Não fazemos laços…Reconhecemos laços!