Da primeira vez em que Bruno Gissoni foi nossa capa, isso em 2012, ele estava estourando no horário nobre com seu Iran em “Avenida Brasil”. Agora, oito anos depois, Bruno vive um momento especial da sua vida profissional e pessoal. Pai da pequena Madalena, de apenas 3 anos, o Bruno de hoje tem outra perspectiva de mundo. Tanto de responsabilidade quanto do cuidado do que será dado para sua filha no futuro. No lado profissional Bruno também vive um momento ímpar, onde começa a trabalhar por obra. E com responsabilidade e sabedoria Bruno encara tudo numa boa. Sereno e bem resolvido, tem vivido um momento de cada vez. Com pés no chão (de terra) e com olhos no futuro. Esse é o Bruno Gissoni dessa nova capa.

Bruno você diria que tem apenas 33 anos ou que JÁ tem 33 anos?! Como isso pesa para você? Então, eu não sei se eu já tenho ou se tenho apenas 33 anos, acho que a vida passa bastante rápido. Num ritmo cada vez mais acelerado, mas ao mesmo tempo, se Deus quiser, eu nem cheguei nem na metade da minha vida né?! Então é um momento de reflexão, de agradecer, de ter chegado onde eu cheguei, e ao mesmo tempo pensar mais sobre quem eu quero ser e pra onde eu quero ir.

Sente que chegou numa maturidade como ator? Ou o que te faria sentir isso? Eu acho que não, eu não cheguei a minha maturidade como ator. Eu acho que essa maturidade nunca vai chegar, e essa que é uma das belezas da profissão, por que a gente está em constante transformação. E essa transformação, essa vivência, e essas experiências do dia a dia, e esses traumas que a gente vive na vida, é o que nos dá mais bagagem pra que assim, talvez um dia, a gente chegue numa maturidade. E eu estou falando isso aos 33 anos, eu acho que quem pode responder melhor essas perguntas são os atores mais experientes.

A novidade desse mês é que seu contrato fixo com a Globo e você está livre para ir e vir. Essa liberdade te dá mais insegurança ou empolgação? Ou uma mistura de tudo? Com certeza uma mistura de tudo, só que toda transformação, como eu disse, ela nos traz sabedoria, e eu estou muito empolgado para essa nova fase da minha vida profissional e eu acho que é isso, estou bem empolgado.

As pessoas acham estranho, mas você acredita que trabalhar por obra já era algo que deveria ser o habitual? O trabalho por obra é comum em grande parte do mundo. Os artistas assim como um todo, ele já sabe que ele está entrando num mercado muito instável, que ele depende muito dele. Acho que isso agora, e também aqui no Brasil né acontecia já com grande parte dos atores. Mas de novo, vejo isso com ótimos olhos, até pra mim assim, me tira da zona de conforto e me faz buscar uma evolução profissional.

O que deixou de fazer por estar amarrado a um longo contrato? Eu não penso assim, no que eu deixei de fazer, óbvio que apareceram muitas propostas ao longo desses anos, mas sempre estive muito feliz dentro da Globo. Sempre trabalhei bastante, quase que sempre eu emendei um trabalho no outro, então nunca tive tempo para questionar o que eu não consegui fazer. Mas é isso.

Você vem de uma família de atores, família unida e sempre presente. Que peso tem para você? Isso sempre te deu uma boa base para decisões na sua carreira? Eu acho que é a base né. Essa base sólida da família, ela te dá segurança para fazer voos mais longos, sejam profissionais ou sejam pessoais, você tendo uma família forte você tem mais coragem de enfrentar a vida, tem mais força de enfrentar a vida. Isso é fundamental.

O quanto cada um de vocês (você e seus irmãos) influenciou ou influencia na carreira de ator? Eu acho que isso nunca influenciou, mas ao mesmo tempo o que influenciou era a garra de cada um e vencer na profissão né?! E trocar figurinha, chegar em casa e debater sobre algum filme, algum livro, sobre alguma cena. Então isso acaba sendo um estímulo maior

Atualmente você está no ar com a novela “Flor do Caribe”. Tem assistido? Que recordações guarda desse trabalho? Pois é, então estou me assistindo bem mais jovem em “Flor do Caribe”. Foi uma novela que foi uma delícia de fazer. Era o início da minha carreira, era meu terceiro trabalho na Globo. Então estava muito empolgado, não que eu não esteja agora, mas era uma novela muito solar, uma novela muito positiva. Eu ia gravar em Guaratiba, que é um lugar maravilhoso. Então imagine seu escritório sendo um paraíso. A Dani Escobar também, que já era amiga da minha mãe, já era da família, a gente se conhecia dos Estados Unidos…Então a gente contracenava com a maior química, a maior naturalidade. Então foi um momento muito feliz mesmo.

Você já foi mocinho e vilão nas novelas. O que mais deseja como ator? O que te faria se desafiar mais ainda? Eu procuro não estereotipar nesse lugar de vilão ou mocinho. Mas se nessa amplitude do vilão ou mocinho, nessas duas radicais existe muita coisa a ser explorada né?! Então o que me interessa bastante são essas personagens que vem já ricas para serem desbravadas ao longo de um processo de criação. Por exemplo, meu último trabalho na Globo foi “Orgulho e Paixão”, foi uma delícia de fazer por que era uma personagem bem vertical, não só na fala, quanto no corpo também. Então foi uma delícia de fazer. Foi um dos trabalhos que eu mais gostei.

E no papel de pai de uma menina, como tem sido? Ah eu não sei… Eu não estou aqui pra me avaliar, mas procuro ser o melhor pai possível. E eu não vejo isso como uma tarefa, um trabalho. Nada disso. Foi o maior prazer que eu tive na vida ser pai. Nada me preenche tanto quanto isso. Eu estou embarcando nessa aventura e eu tenho certeza que é muito mais gratificante ser pai do que qualquer outra coisa.

Esse período de isolamento social serviu para que na sua vida? Como lidou com isso? Esse período de isolamento foi um dos momentos mais incríveis da minha vida. De auto descoberta, de autoconhecimento, de transformação. O mundo se transformou né? Então a gente tem que acompanhar essa evolução se não a gente fica pra trás nessa evolução conjunta né?! E eu procurei fazer isso. Eu literalmente construí um novo lar, o lar dos meus sonhos. Um paraíso. E tô tentando transformar minha vida radicalmente no sentido materialista dela. Ter menos, mas ser mais. Além de também ter mais tempo livre para nossa família.

Dentre as ideias que pelo jeito surgiram na pandemia está o de reflorestamento. Como é isso e como pretende tornar algo real? Eu acho que o reflorestamento não é uma ideia, um projeto, mas uma obrigação minha como cidadão. Se é que eu realmente estou visando um mundo melhor para mim e pra minha filha, pra geração dela que está vindo ai. Eu acho que todo cidadão no mundo tem essa função de tentar entregar o mundo um pouquinho melhor para a próxima geração. Ou seja, se a gente não pensar assim a gente não evolui como espécie. Eu acho que é o mínimo né?! Eu tenho uma área que era pasto nesse terreno que eu comprei, e nada mais natural que reflorestar ela, transformar numa floresta. Num pedacinho de terra que produz alimento, que produz vida. Não só pra mim, mas para os animais que vivem em volta.

Recentemente teve um vídeo íntimo apontado como seu nas redes. Por que é mais fácil para as pessoas acreditarem que é verdade? Por que o povo quer ver é o circo pegar fogo? (risos) Pois é, eu acho cômico, porém ele interfere na minha vida. Imagina quantas pessoas assistiram esse vídeo, e acharam que era eu nesse vídeo e não mudaram a opinião delas perante minha pessoa por causa desse vídeo. Mentira. Então a mentira ela afeta, ela prejudica uma pessoa, uma história ou até mesmo um país.

Como você lida com redes sociais? Como separa o que é privado e o que é público? Eu não consigo ser calculista nas redes socias, eu posto o que meu coração manda. Mas eu tento vê-la de uma forma positiva, assim como tudo na vida. Mas eu acho que as mídias sociais também são uma ferramenta de mudança. Infelizmente a mentira também tomou conta dela. Acho que 70 a 80% do que você vê lá é mentiroso. Não só na informação, quanto no sentimento da pessoa que quer passar naquela foto, naquela stories que na maioria das vezes não representa o que ela sente ou pensa. Mas eu procuro usar as redes sociais como ferramenta de transformação.

O que te tira do sério e o que coloca um sorriso no rosto? O que ultimamente tem me tirado do sério é toda essa mentira que o mundo está traçando como um todo. Isso me tira do sério, me deixa preocupado. Principalmente por causa da minha filha. Que mundo será esse que a gente vai deixar como herança. E o que me põe um sorriso no rosto é exatamente o oposto. São essas aulas progressistas que estão surgindo e ganhando força e realmente transformando o mundo. A gente vê uma mudança lenta, porém radical em muitos lugares. Então acho que isso que me dá um gás. Por que de novo, isso se resume ao bem estar e felicidade da minha filha.

Quais os planos para os próximos meses? Tem como traçar algo? Eu acho que ninguém tem planos tão completos para os próximos meses né?! Mas eu acho que meu plano mais próximo é estrear minha casa que está em construção. Eu acho que esse é meu maior sonho agora a curto prazo. E nela estabelecer um novo modo de vida. Mais sustentável. E acho que meu plano a curto prazo é isso. Mas é claro que existem muitas outras possibilidades profissionais também assim surgindo. Mas nada ainda muito concreto. Como eu disse, é meu primeiro mês sem contrato, depois de quase dez anos. Então as coisas estão andando um pouco mais devagar, mas isso não é um problema pra mim. Ao longo desse tempo eu perdi a pressa. Talvez a minha filha tenha me trazido mais calma.

Fotos Guto Costa

Styling Samantha Szczerb

Agradecimentos Le Chateaux Joá

Looks: Edu Bogosian, Amil Confecções, Eduardo Guinle, By Segheto, Foxton e King & Joe.